Amor Intenso Amor – Capítulo 46

Lucca

Eu passei os últimos meses sofrendo um inferno. Eu recebia fotos de Leona passeando pela casa, fazendo compras. Ela estava cada vez mais linda, eu recebi algumas fotos dos ultrassom de Chiara crescendo em seu ventre, uma gentileza do seu pai que tinha vindo me visitar e consolar. Ele me apoiava a ficar com sua filha e crescer sua neta. Mas eu ainda estava inseguro se isto seria a coisa certa. Me afastar dela, ter sido um canalha foi a coisa mais difícil de se fazer. Fui um monstro, mas a mantive longe de mim todo este tempo.

Eu pensava em Leona todos os dias. Eu a desejava mais que tudo e a única coisa que me restava dela ironicamente era a calcinha que eu tinha conservado comigo, depois que ele me visitou na prisão. Era pervertido, mas tudo o que tivesse o cheiro dela me acalmava ou me enlouquecia. Era um extremo que eu não poderia viver sem.

Em uma manhã eu estava andando de um lado para o outro na sala do capitão, eu tinha acabado de receber a notícia que Leona tinha entrado em trabalho de parto. Eu queria ir, queria estar com ela. Mas nos últimos meses vi que Alef estava sempre presente para ela, ela parecia feliz, serena e eu não tinha direito de perturbar a paz que estava com ela neste momento. Se eu aparecesse, ela talvez não me chutasse para fora, mas teria um clima enorme entre mim e aquele filho da puta. E isto em nada ajudaria Leona a ter um parto sereno. Eu aperto meus punhos e continuo a caminhar.

_ Lucca, você pode sair se quiser. Podemos te acompanhar até lá. Não te levaremos com estas roupas, um de seus homens trouxe suas coisas, você é um homem livre daqui cinco dias, não vejo problema algum na sua saída hoje.

_ Não, eu … Eu prefiro esperar.

_ Como você quiser, Lucca. Mas sugiro que você fique pronto, se arrume porque a qualquer momento sua filha nascerá e se você quiser vê-la deverá já estar pronto para nosso esquema de transporte até lá.

Eu concordo e saio da sua sala. Um dos agentes de custodia me entrega uma bolsa com minhas coisas e eu sigo para o banheiro. A água cai em meu corpo, eu me lavo e passo a mão sob a cicatriz do lado esquerdo do meu peito, a lembrança que quase morri. Eu fecho os olhos e penso no que fazer. Não quero impor minha presença, nem mesmo depois que Chiara nasça.

Eu penso mais um pouco e me vem uma ideia. Eu só preciso que o pai dela e obviamente Lais me ajudem. Eu preciso conhecer minha filha, mas não posso angustiar Leona.

 Eu preciso conhecer minha filha, mas não posso angustiar Leona

Eu termino de me arrumar e sou conduzido a sala do capitão. Eu explico para ele o que quero fazer e ele me entrega o telefone. Depois de longos minutos com o pai de Leona no telefone, tenho sua confirmação de ajuda, e Lais eu falaria assim que eu ali chegasse.

Meia hora depois eu estava nervoso, entrando no hospital. Na sala de espera estava o pai de Leona e o imbecil de Alef. O pai de Leona sorri ao me ver e me acompanha para outra sala.

_ Leona está em trabalho de parto. Eu não penso que seja necessário esconder dela que você quer ver Chiara. Ela não te odeia Lucca, ela está confusa, triste, mas não te odeia.

Eu abaixo meu olhar. Eu fico tentado em entrar na sala parto, de pegar na sua mão de mostrar para ela todo meu amor. Mas algo me diz que não é o momento certo. Então quando abro a boca para dar uma resposta, uma Lais toda equipada com vestidos de centro cirúrgico entra.

_ Chiara nasceu, ela é linda… Lucca? Você está atrasado seu imbecil! _ ela estreita o olhar para mim, mas seu sorriso é amigável.

_ Eu não quero estressar Leona. Ela está bem?

_ Ela teve algumas pequenas complicações no parto, mas está bem, vai ter que passar por uma pequena cirurgia, nada grave, Lucca. Então venha, porque assim que terminarem os primeiros exames com Chiara eles precisam de alguém da família para pegar ela no colo e você é o pai dela. Anda, você tem que se trocar!

Eu a sigo portas adentro. Logo uma enfermeira, me explica tudo o que farei. Depois de uma higienização, eles me mandam tirar a camisa e me sentar em uma poltrona de um quarto. Lais está ali sorrindo divertida.

_ A enfermeira quase ficou paralisada olhando seus músculos, Leona a mataria com certeza. _ela sorri e continua. _Você está nervoso dá para ver na sua cara. É a sua filha Lucca, ela vai te amar.

Eu sorrio para ela, tentando esconder o quanto estou tremendo. A enfermeira volta e pela primeira vez vejo minha filha. Ela está usando apenas uma fralda. A enfermeira a coloca em meus braços e ela está apoiada em meu peitoral, perto da minha cicatriz. 

 

 Eu percebo que ela herdou o dom da mãe em me deixar de joelhos, pois eu estava chorando vendo seus olhinhos, suas pequenas mãos, tão frágil e precisando de mim. Eu seguro a pequena mamadeira como a enfermeira me explicou e ela se alimenta lentamente. Ela está serena comigo, nenhum medo, nenhum choro. Eu analiso seu rostinho e neste momento meu mundo se resume a ela.

Não sei por quanto tempo eu fico ali cuidando dela, ela se adormenta e eu pela primeira vez em muito tempo me sinto sereno e quase adormeço junto com ela.

Algum tempo depois, percebo que Lais não está mais no quarto, Chiara ainda dorme serena sobre minha cicatriz. A enfermeira entra junto com Lais.

_ Leona está bem? _ pergunto angustiado

_ Sim Lucca, a cirurgia foi um sucesso. Ela já está no quarto e está desesperada para ver Chiara com mais calma. Você tem certeza de que não quer levar Chiara para Leona?

Eu fico tentado em fazer isto, mas não seria justo com Leona, não agora.

_ Não, ela precisa deste momento sozinha com ela. Já que não estive presente quando ela mais precisou. _ eu beijo a cabeça de Chiara e olho novamente seu rosto antes de entregá-la a enfermeira.

_ Você precisa ter coragem de lutar por elas, Lucca. Ela está te esperando todos estes meses, ela está apenas te dando espaço. Mas ela não vai te esperar para sempre.

_ Obrigado, Lais. Eu sei disto, prometo que vou lutar, mas antes ainda tenho assuntos pendentes.

_ Assim que te for permitido olhe seu celular, tirei fotos suas com Chiara, você estava tão hipnotizado que não percebeu. Sua primeira lembrança com sua filha. Boa sorte, Lucca.

Ela se afasta seguindo a enfermeira tão rapidamente que nem tenho tempo de agradecer mais uma vez.

Eu visto minha camisa e sigo para a sala de espera. Alef ainda estava lá com um sorriso irônico para mim. O pai de Leona se aproxima.

_ Lucca, espero que você esteja feliz e agora perceba que precisa ser ainda mais forte. Você precisa se aproximar delas e não as afastar de sua vida.

_ Eu vou tentar eu prometo. Preciso de um tempo ainda, mas vou lutar por elas. Agora sou eu quem vai respeitar este momento da Leona. Em breve vamos nos acertar. Muito obrigado por me dar uma chance de acreditar no que sinto por elas.

_ Lucca eu te disse uma vez, você é um bom homem e provou isto. Seus erros foram consequências infelizes de onde você nasceu e como cresceu. E agora você ganhou tudo de novo, uma nova oportunidade, um amor, uma família, não a desperdice.

Eu o agradeço mais uma vez e sigo para fora, para o carro que me espera. Alef me alcança.

_ Eu vou cuidar das duas, não precisa se preocupar com nada… vou dar tudo o que você não pode dar para a Leona…

Eu coloco a serenidade do amor por Chiara em meu peito, em um lugar seguro. E me viro com toda fúria para Alef. Dou um soco em seu rosto e ele cai de joelhos me xingando, eu sigo sem olhar para trás. Fui tão rápido que ele não teve tempo de reação e continua no chão gritando. Eu entro no carro e sou transportado de volta para a prisão, daqui alguns dias eu ganharia a liberdade e lentamente voltaria para onde pertenço, para Leona e minha filha.

 Eu entro no carro e sou transportado de volta para a prisão, daqui alguns dias eu ganharia a liberdade e lentamente voltaria para onde pertenço, para Leona e minha filha

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