Excelentíssimo – Fale para eles!

Eu sai da sala satisfeita com minha performance na audiência. Eu segura as pastas do processo contra meu peito, buscando com este gesto um apoio imaginário para acalmar as batidas no meu peito.

Max era o promotor nesta audiência e eu tive que usar todo o meu autocontrole cada vez que olhava para ele.

E cada vez que nossos olhares se encontravam eu sentia meu pulso acelerar.

Eu caminho apressada, me sinto como um coelho escapando do lobo faminto. Algo dentro de mim me alertava que Max tentaria falar comigo. Fazia duas semanas que eu deixei de responder suas mensagens.

A princípio ele queria me ver para sessões BDSM.

Mas em nossa última sessão tudo foi muito intenso demais.

Depois disto vi fotos dele em sessão com outra. Eu não tinha direito algum de sentir ciúmes. Não tínhamos se quer um relacionamento D/s. Quem dirá algum tipo de compromisso. Nosso único acordo eram sessões avulsas. Nada mais.

Desesperada para me livrar do que estava sentindo eu procurei outro dominador e tive uma sessão avulsa.

E isto só piorou as coisas, ele foi perfeito. Exceto por um detalhe, ele não é Max.

Quando estou quase saindo sinto um leve aperto em meu braço.

_ Ellen, tudo bem?

Quando me giro me deparo com Giulio, um ex colega de faculdade que se tornou um  respeitado Juiz.

_ Oi Giulio. Tudo bem?

_ Tudo bem. Quero te parabenizar. Você foi ótima hoje. Ganhou a causa da sua cliente.

_ Obrigada meritíssimo…

_Sem formalidades. Somos amigos e não estamos em uma audiência.

_ Combinando. Como vão as coisas, a Luíza está bem?

_ Realmente faz tempo que não nos falamos, eu e a Luíza nos separamos. Já faz quase oito meses que estou sozinho.

_ Me desculpe, eu realmente não sabia.

_Sem problemas. A fase de sofrimento já passou faz tempo e somos amigos.

_  Fico feliz por você estar bem.

_ Sim, estou. E você ?

_ Eu tenho trabalho muito. Mas estou feliz com isto.

_ Não duvido disto. Você é muito boa no que faz. Mas e a vida pessoal como anda?

Sinto uma curiosidade além do normal em sua voz. Sinto calor em minhas bochechas. Quando estou para responder Max se aproxima de nós.

_ Giulio, Ellen… bom dia.

Ele está com alguns documentos em mão e uma cara nada boa. Me dando a oportunidade perfeita de escapar dos dois.

_ Bom dia Max, te esperamos na festa de sábado. Por falar nisto, Ellen eu gostaria de te convidar, será em um clube…

_ Ela não pode ir!

A resposta rápida e seca de Max me deixa perplexa e Giulio fica sem entender nada.

_ Estou perdendo algo aqui?

_ Não! É só  que eu tinha falado ao Max que sábado estudarei alguns processos e…

Minha bochecha fica ainda mais quente com os dois me olhando intensamente.

_ Ellen se é isto. Acho que você pode fazer isto durante o dia e se juntar a nós a noite. O que acha? Te fará bem relaxar um pouco e vou adorar passar mais tempo com você. Além do mais alguns de nossos amigos da faculdade estarão lá

Max está visivelmente irritado com a situação. E apesar de nosso vulgo relacionamento ser apenas de sessões avulsas, nós dois sabemos que as coisas começaram a se complicar entre nós.

E ele ter postado fotos de outras sessões me deixou realmente irritada com tudo. E isto não era um bom sinal para este tipo de relacionamento entre nós.

Ele me evitou, eu o evitei. E talvez fosse melhor manter distância.

_ Eu vou pensar. Mas agora tenho que ir estou muito atrasada…

_ Fique com meu cartão. Mudei meu número recentemente. Eu ainda tenho o seu número. Assim se caso você mudar de ideia posso ir te buscar.

Ele tira um cartão de visitas do bolso e me entrega. Enquanto eu guardo o cartão na bolsa Max me lança um olhar fulminante.

_ Tchau Ellen.

Eu sorrio sem graça e Giulio se aproxima se despedindo com um beijo no meu rosto.

_ Foi muito bom falar com você.

Eu vou me afastando  mas ele sussurra.

_ Suas fotos no site BDSM são enlouquecedoras.

Meus joelhos fraquejam. Mas Max mais uma vez chama a atenção para ele.

_ Giulio estão nos esperando para a reunião.

A testosterona parecia emanar dos dois. E eu tinha a sensação  que eu estava prestes a ser devorada por eles.

Eu me afasto depois de sorrir para ambos, tentando convencer o meu alter ego que eu estava apenas imaginando coisa.

Eu passei o resto da tarde imersa no trabalho e completamente desligada do que tinha acontecido no Fórum.

Mas uma mensagem recebida em meu telefone me levou para aquele exato momento.

“Procure por Dom Martírios” se te deixei curiosa

Eu olho o numero e confirmo que é o mesmo do cartão de visitas de Giulio.

Eu não sabia que ele também fazia parte.

Eu faço login no site e busco por Dom Martírios

Logo seu perfil está na minha frente.

Fotos espetaculares do seu corpo perfeito com diversos instrumentos na mão. Ele usa uma máscara preta extremamente enigmática

Varias fotos de submissas em sessões avulsas. Mas uma me chama atenção, uma das fotos, uma bela mulher fazendo um boquete nele, suas mãos amarradas para trás e sua maravilhosa bunda cheia de marcas.

A Tatuagem de flores no seu pescoço era visível enquanto ele estava segurando os longos cabelos loiros em suas mãos. Era sua ex Luíza

Eu não sabia que eles praticavam.

Uma batida na porta me faz pular na cadeira e fechar meu notebook

_ Entre.

Vick minha secretária entra carregando um enorme buquê de rosas vermelhas e uma caixa em suas mãos. Ela sorri quando coloca tudo sobre a minha mesa.

_  Doutora, acabaram de entregar.

_ Obrigada Vick.

Ela sorri e sai da sala.

Eu pego o cartão entre as rosas

“Me encontre no Hotel Times. Quarto 209. Use apenas isto! “

Meu coração acelera. Eu conhecia bem a letra de Max.

Eu abri a caixa e fiquei fascinada com a delicada lingerie dentro dela. Eu sinto o calor aumentar entre minhas coxas.

Uma máscara e um body de renda.

Ele não quer conversar,  ele quer exercer seu poder de sedução sobre mim.

Obviamente eu sou esperta demais para este jogo. Tudo é consensual dentro do BDSM e ambos precisam aceitar ou fim de jogo.

O fato é que meu relacionamento D/s com Max era extremamente perfeito e estava se tornando intenso demais. Isto me assustava mas me deixava completa.

O nosso problema e desentendimento está em nossa outra parte. Nosso lado baunilha”. Chegamos em um nível de envolvimento complicado nesta área

É algo raro, mas não impossível de se acontecer.

Ou encontramos uma sintonia ali ou teremos que nos afastar pelo bem de ambos.

Com o coração acelerado eu digito uma mensagem.

” Obrigada pelas flores. Mas eu não posso”

Não demora a resposta chega.

“Me fale o motivo.”

“Eu tenho medo e não estou me referindo a parte física…”

Isto era mais que uma confissão. Ele sabia tanto quanto eu, que tínhamos ultrapassado as barreiras que tínhamos erguido.

A resposta chegou segundos depois.

“Uma despedida?”

Eu penso por um longo momento, tive que fazer um atendimento que durou um pouco mais do que eu esperava. Quando minha cliente saiu da sala, peguei o celular e tinha uma chamada não atendida. Max tinha tentando me ligar.

Eu abro o aplicativo de mensagem, minhas mãos tremem e digito com dificuldade.

“ Estarei lá “

Ele demora para responder, quando o faz já estou em casa, terminando de me arrumar. Eu estava ciente que este encontro poderia ser minha salvação ou minha ruína. Isto seria para ambos, eu sabia que algo estava acontecendo com ele também.

Eu abro a mensagem dele.

“ Eu estava em uma reunião. Eu preciso te ver, não se atrase!”

Eu aliso a lingerie no meu corpo, me sentindo sensual, poderosa fisicamente. Mas meu coração e a minha alma estão frágeis. E sei que esta noite ele vai me despir por completo e não terei como me esconder e nem quero permanecer ocultando o que desejo.

Meia hora depois eu estava no endereço que ele me enviou no bilhete. Eu estava na frente do quarto, já fazia uns cinco minutos, eu queria bater, mas estava criando coragem.

Uma vez ultrapassada aquela porta eu não teria mais como escapar. Eu devia fazer meia volta, eu devia desistir. Mas o fato é que ele é um  perigo e eu amo me arriscar.

Eu levantei meu pulso e antes de bater ele abriu a porta. Percorri seu corpo definido, ele estava apenas com uma calça jeans escura. Suas tatuagens sempre bem escondidas pelos ternos caros, estavam ali me mostrando todo o seu avesso de devassidão que eu amava.

Ele se afastou abrindo a porta para eu passar, seus olhos fixos em meu corpo. Eu entrei, coloquei a bolsa no aparador da entrada. Enquanto ele fechava a porta eu apenas joguei o casaco no chão revelando a lingerie que ele tinha me enviado. A máscara no meu rosto ajudava a esconder um pouco o que eu estava sentindo, apesar do tremor da excitação.

Ele continou a centímetros de mim. Eu não me ajoelhei como de costume, eu sabia que isto não seria uma sessão por si só. Ele esboçou um leve sorriso, entendendo exatamente o que eu esperava. Seus braços fortes envolveram minha cintura, meu corpo estava agora em contato com seu corpo musculoso e quente. Sua respiração em meu pescoço, logo seus beijos começaram a traçar um caminho até meu ouvido e seu sussurro me fez ofegar.

_Você está assustada, eu estou aterrorizado. Entregue-se, apenas se permita…

Seus olhos estavam ali, nos meus. E seus lábios estavam nos meus. Sua língua exigente pegava de mim tudo o que queria e um pouco mais. Eu já nem tentava resistir. Eu queria que ele continuasse infinitamente.

Suas mãos não eram gentis, mas eram passionais e eu estava me sentindo leve em seus braços, entregue como se estivesse em uma sessão.

Ele me carregou até a cama, e só então observei a decoração  a nossa volta. Tudo muito insinuante e luxuoso. Mas o detalhe em volta da cama era bem nossa cara.

A cama de dossel era um convite perfeito para as luxurias que com certeza passariam em sua mente. Vendo minha reação ele sorri. Mas não diz nada.

Ele se afasta por um segundo voltando com uma corda que ele prende em extremidades opostas na transversal do alto da cama, mas antes de tensioná-las ele enrolou meus punhos nela.

A posição em que eu estava, de joelhos em cima da cama, com uma fina lingerie, os punhos presos. Totalmente a mercê do meu exelentissimo algoz, fazia meu coração acelerar e quase sair pela boca.

Senti seu corpo se aproximar por trás de mim, suas mãos subiram por meus seios, e eu me esfregava nele a cada aperto em meus mamilos. Ele mordiscava meu pescoço e alisava todo o meu corpo. Uma de suas maos desceu para entre as minhas pernas, provocando meu clitoris sob a renda fina. A outra mão foi para o meu pescoço me controlando o respiro e eu gemia, implorava baixinho. Os gemidos dele em meu ouvido e sua ereção  sob a curva do meu bumbum me deixavam ainda mais desesperada.

Ele apertou um pouco mais e ergueu meu queixo, inavdindo minha boca com um beijo possessivo e cheio de desejo.

Quando ele se afastou eu queria gritar de frustração. Mas ele voltou e se deitou sob mim, posicionando minha buceta em seu rosto, ele abriu a parte debaixo do body e sem reservas lambeu vagarosamente de cima em baixo, me fazendo contorcer e puxar meus pulsos sentindo a pressão da corda em minha pele. A dor e o prazer viciante que eu tanto amava.

Quando ele me penetrou com seus dedos, eu o molhei sem algum pudor e ele fez o seu melhor para engolir cada gota da minha volúpia.

_ Max…

O meu sussurro ofegante não o fez parar até eu parar de tremer e dissolver em sua boca. Ele beijou minhas coxas até eu recuperar o meu fôlego. Quando eu o fiz, ele se levantou e tirou sua calça, sua majestosa ereção estava molhada e inchada. Ele se deitou sob mim e sem desamarrar meus pulsos me penetrou sem dificuldades por eu estar tão escorregadia para ele. Suas estocadas viscerais me faziam saltar sobre ele, eu tentava me segurar nas cordas, era como se eu flutuasse sob ele. Cada pedaço de sua carne me alargando, me preenchendo, reivindicando o que era seu. A máscara caiu em algum momento, revelando para ele o rubor das minhas bochechas e as lágrimas de sentimento e prazer que me banhavam o rosto.

Seu olhar era algo maior do que a do predador que eu conhecia. Max estava tão abalado quanto eu. Eu estava perdendo o ar, não pela dor em meus pulsos mas por outro orgasmo avassalador. Max apertou meus quadris, mas se sentou beijando meus seios, meu pescoço e minha boca.

Ele puxou a corda no ângulo da cama, afrouxando o nó, liberando os meus pulsos. Em um movimento rápido ele estava por cima de mim, erguendo meus quadris para colocar um travesseiro sob minha bunda.

Minha

Ele me penetrou e eu gritei seu nome mais algumas vezes, enquanto sua ereção tocava meu ponto G e eu o apertava dentro de mim.

Ele me encheu com sua porra quente enquanto falava ao em meu ouvido.

_ Diga para todos eles…

_ O quê?

_ Que você é minha, que você me pertence. Que nenhum deles pode te tocar. Diga a eles que você não tem culpa de me amar como eu te amo. Que nossas almas estão ligadas e não importa o que eles façam você continuará gemendo meu nome enquanto eu dou tudo de mim dentro de você. Nós nos pertencemos mesmo que não exista um registro em um maldito papel, o que temos é real.

As lágrimas aumentavam, ele ainda estava quente e duro dentro de mim. Tudo dentro, corpo e alma, impregnado em minha pele, em todo o meu ser.

Continua….

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