O corvo molhado

O hotel que Giorgio a levou a pedido do mestre não era lá essas coisas, para ser sincero, aquele lugar não devia nem ser duas estrelas, mas era o que restou para se esconderem até a poeira abaixar. Após ele vasculhar a vizinhança, pois queria saber mais sobre todos os hospedes, afinal não confiava em ninguém que não fosse em Silvana que já estava deitada sobre o sofá de canto segurando uma taça com vinho, já pela metade.
— Viu a mulher que levou um soco? — perguntou a morena, encarando-o ainda de pé, sua barba por fazer realmente era sua marca, estar tão cheia atiçava Silvana de tal maneira que ele jamais entenderia.
— Sim, aquele filho de uma puta. Espero não esbarrar com ele nesse corredor. — respondeu Giorgio e tirou sua jaqueta preta de couro, permanecendo apenas com a justa blusa branca que realçavam a definição de seu peitoral e abdômen.
— Ah, com certeza vocês vão se encontrar… mas tenta evitar de se descontrolar. — disse ela que continuava a observá-lo com malícia naqueles olhos misteriosos, Silvana demonstrava com o olhar que queria vê-lo sem blusa à sua frente. Com a mão livre começou a brincar com as pontas de seus cabelos pretos.
— Às vezes, o perigo está onde jamais seria visto, como dentro da nossa própria casa. E por falar nisso, o Rocco já deu notícias?
— Eu, hein, e por que ele me daria satisfações? — perguntou ela em tom de deboche — Ele está mais que atrasado. Mas, você está com ciúmes?
— Ele não é o seu cão de guarda? — Giorgio caminhou em direção aos fundos daquele cômodo, finalmente tirou a blusa e ficou apenas com as calças — Eu arrumei o banheiro, o único que temos nessa espelunca, estava imundo, até um rato morto tinha.
— Isso se chama ciúmes… mas até que depois daquele dia que você se emputeceu ele vem se afastando de mim, a surra que ele levou deve ter o feito rever suas atitudes — ela levantou-se e se aproximou do pedaço de pecado. Lentamente o acariciou, dessa vez suas sedosas mãos percorriam as linhas daquela costas nua — Rato? Que rato? Estou focando nessas costas largas que tem esse tesão de corvo tatuado.
— Quer tomar um banho? — propôs ele, ainda de costas para a morena que lentamente o provocava com aquelas unhas o arranhando, sua voz rouca mesclada em tom de provocação e lascívia a fez suspirar.
— A minha resposta você já sabe qual é — sussurrou Silvana na região da cerviz — Mas e aí? E se o meu cão de guarda chegar, hum? — Silvana alternou os movimentos e passou a massagear o peitoral que mal cabia em suas mãos.
— Que Rocco se foda! Eu que não vou ficar sem te chupar, adoro o gosto de sua boceta.
— Caralho…

Giorgio rapidamente se virou e avançou contra o corpo esguio de Silvana que, no contato brusco, sentiu todo aquele paredão de músculos a prensar contra a parede. Ela protestou com um expresso gemido no ouvido dele quando sentiu aquelas duas mãos vertiginosas a levantar do piso de cimento segurando-a com força pelas coxas.
— Caralho é o que eu tenho dentro da minha cueca, Silvana — revidou ele no ouvido dela, soltando levemente o ar pelo seu nariz, aquela provocante e rouca voz a levou às alturas e quando ele roçou a barba espessa pelo pescoço dela enquanto com a ponta da língua lambeu o lóbulo, a morena voltou a soltar outro gemido.

As costas de Silvana continuavam prensadas à parede e seus braços davam uma volta por cima dos ombros de Giorgio que apressou sua mão direita a percorrer as curvas macias daquela mulher até a nuca, enquanto ela entrelaçou as pernas ao redor da cintura dele, os dedos de Giorgio penetravam entre os fios escuros dos cabelos dela, com certa força ele a puxou para si tomando-a em um beijo avassalador. As duas línguas se encontraram em uma dança rítmica onde os dois sabiam exatamente o tempo de cada virada de língua, aquele beijo era lento e molhado.

Quando, enfim, os lábios se separaram, Giorgio ergueu as mãos de Silvana para o alto e segurou possessivamente os pulsos dela contra a parede, fez uma leve inclinação nos joelhos para a manter sobre seus quadris.
Encaram-se por poucos segundos, não existiam outros pensamentos naquelas mentes que não fossem movidos à lascívia e à luxúria.


— Eu quero sentir você por trás — disse ela, devorando-o com aqueles olhos intensos.
— Eu te quero por trás, de frente, de lado, por cima… de todos os jeitos possível — ele a respondeu, os lábios dos dois levemente se encostaram.
Ela mordeu os lábios e involuntariamente fechou os olhos por alguns segundos. De repente, Giorgio soltou seus pulsos e desceu suas espessas mãos alisando-a o corpo até a curva das fartas nádegas.
— Giorgio… — sussurrou ela arqueando a nuca até que encostasse à parede.
— Você é baixinha, mas tem um rabo gigante. Puta que pariu, que bunda deliciosa, gata.

Giorgio apertou com força a bunda dela, fazendo-a morder os lábios e ao mesmo tempo curvá-los em um sorriso de tesão, ela estava adorando senti-lo apertando a região mais macia de seu corpo.
— Eu gosto do perigo — sussurrou ela, o arranhando de leve as costas com suas unhas.
Sem avisar o que pretendia fazer com aquela mulher, Giorgio fez força nos bíceps e começou a erguer ainda mais, deixando-a no colo. Novamente retornou a beijá-la enquanto a carregava ao banheiro.

O pequeno banheiro foi construído no espaço do quarto que ficava bem no meio das duas camas, ali na verdade deveria ser a parede ou uma divisória. Aquela minúscula área foi a primeira que ele a limpou, lavou o vaso e o ralo no piso, ficou perfeito. Giorgio abriu o chuveiro e ligou a água quente. Em dois passos a levou já sem as roupas para debaixo da água que caía lentamente limpando todas as impurezas.
Ela estava de costas e Giorgio a ensaboava o corpo com o sabonete de Macadâmia.
— Posso te fazer uma pergunta?
— Claro, Silvana.
— Já parou para imaginar como seria as nossas vidas se não fossemos da seita?

Ele suspirou, afinal, havia certos tipos de conversa que Giorgio preferia evitar, mas com ela o que era difícil se tornava mais fácil.
— Sim, mas sempre eu paro no mesmo ponto final — ele guardou o sabonete na saboneteira e continuou a ensaboá-la, suas mãos percorriam livremente sobre a pele macia das costas sem um destino certo, ora descia até a bundinha redonda ora ia para a frente, ensaboando a barriga e aqueles médios seios.
— Que ponto?
— Não sei te explicar, eu já sofri tanto nessa vida que eu não sei o que fazer fora da seita. Qual é? Giorgio dirigindo um carro de aplicativo com uma mulher em casa e dois filhos para cuidar — ele fez um barulho com os lábios, como se achasse aquilo um conto de fadas — Ou um operário de uma fábrica ralando o dia inteiro… isso não serve para mim. Eu nasci para matar, fui treinado para esse fim, Silvana.
— Eu penso diferente… agradeço ao velho por ter me tirado da comuna que nasci, mas o acho o mais lixo humano da face da terra — acrescentou ela — Mas eu já parei e me imaginei tendo uma vida normal, sabe? Fazendo coisas normais como qualquer outra mulher.
— Imagino — ele subiu as mãos e começou a ensaboar todo o pescoço de Silvana, aproximou mais das costas dela permitindo que seu membro em estado de alerta roçasse de leve no meio da bunda dela.
— Mas, como disse, eu desejo sim sair da Libertação, mas eu não posso. Sinto que o mundo ainda precisa ser liberto de tanta violência e preconceito, e sem os Divinos para proporcionar essa libertação, a punição ideal não é realizada.
— Sinceramente, eu estou com um pé atrás em relação à seita, mas, por ora, vou manter meus princípios e continuar a acreditar que estamos fazendo o que fazemos por um bem maior. Por isso preciso investigar o que de fato acontece por lá quando levamos os nossos alvos.
— Enquanto eu estiver em Veneza, pode contar comigo, cara. Sabe que fomos farinha do mesmo saco, não?
— Claro, estamos com as nossas passagens já programadas para o inferno.
— Primeira classe? — perguntou ela e sorriu.
— Melhor que isso, gostosa, seremos piloto e copiloto, satisfeita?
— Adorei… agora, tenho outra dúvida?
— E qual seria? — perguntou ele, fazendo uma massagem relaxante nos ombros rígidos de Silvana, o corpo da morena já não tinha mais espuma de sabão.
— Vai me foder bem forte ou vamos ficar a tarde inteira falando sobre a porra da seita?
Giorgio a virou e mais uma vez a beijou ferozmente enquanto utilizava suas duas mãos para apertar as nádegas, fazendo se extasiar novamente.

Os mamilos enrijecidos dela encostaram-se ao peitoral dele e todo aquele carinho embaixo da água quente fez a excitação os dominar. De repente, Giorgio mudou a pegada e se afastou daqueles lábios molhados, Silvana soltou um grito de protesto ao se sentir erguida, ele a pegou e a colocou sobre seus largos ombros, saiu debaixo da água e a encostou à parede.
— Caralho, Giorgio… — ela sussurrou do alto, mordeu os lábios e o aguardou agir. Sentiu um frio repentino subir pelas pernas e percorrer arrepiando seus pelinhos da coxa até chegar ao seu traseiro, ela não estava com medo, por outro lado adorou o que ele fez com ela — Me chupa todinha, porra.


Quando a língua dele começou a lentamente lamber seu clitóris tudo ficou escuro, Silvana mordeu os lábios e relaxou seu corpo. Entrelaçou os dedos das duas mãos entre os cabelos dele e se entregou ao momento de olhos fechados apenas viajando à deriva em uma viagem que ela esperava que demorasse o máximo possível, por ela, permaneceria sentada nos ombros dele e sendo chupado por longos minutos.
Conforme o suave ritmo da língua de Giorgio diminuía, alternando entre movimentos circulares e de baixo para cima, Silvana seguia a mesma direção rebolando buscando o melhor apoio para sentir aquela língua molhada lamber suas camadas, sua vulva e seu clitóris.


Finalmente ou infelizmente, Giorgio parou sua tortura oral e a desceu ao chão. Ela ficou de joelhos e começou a envolver a glande com sua boca carnuda. Seus dedos mexiam nas bolas e com o pau quase todo dentro da boca, Silvana fazia movimentos inesperados com a língua, deixando em estado de delírio. A glande escorregadia a penetrava até parar na garganta.

De joelhos sobre o piso molhado, ela o observava de baixo para cima e o via de olhos fechados extasiado de prazer em cada abocanhada que ela dava, começando bem devagar na glande e continuando até a cabeça encostar na sua garganta, fazendo-a voltar e permanecer no movimento de vai e vem. Satisfeito com cada chupada, ele pediu que ela ficasse de pé e que virasse para ele.

Bruscamente ele a virou de costas e ela entendeu a jogada. Apoiou suas duas mãos na parede e empinou a bunda. Giorgio a xingou e em seguida lhe deu duas fortes tapas na parte posterior direita da nádega, deixando a marca avermelhada de sua mão na pele alva.
— Hum… me bate com mais força, porra! — logo ela sentiu outros dois tapas do outro lado — Isso, gostoso, eu gosto quando você deixa a minha bunda toda ardida, me fode bem forte por trás!
Ele mirou a glande no orifício anal e começou a forçar a entrada por ali. Estava apertado, mas Giorgio sabia o caminho para fazê-lo se abrir sem a machucar, não demoraria a seu membro estar totalmente dentro dela, entrando e saindo em fortes e constantes estocadas, afinal, aquela não era a primeira vez que ele a penetrava por trás.

A sensação da dor inicial cessava conforme o orifício se alongava, devorando aos poucos a glande do pau avantajado do barbudo que aumentava o ritmo das estocadas conforme ela pedia para empurrar mais no seu rabo.
— Ah, caralho, isso, eu vou gozar! — disse ele a estocando com força.
— Goza lá dentro, me enche de gozo que eu vou gozar também.


Ele estendeu a mão esquerda e a prendeu pelos cabelos, puxando-a para perto de si. O encaixe dos dois foi perfeito, enquanto ele a fodia por trás, porém bem devagar, ela fez um movimento com o pescoço e ficou chupando a língua dele, Giorgio lhe estimulou a gozar usando o dedo do meio da sua mão direita massageando bem suavemente o clitóris.

Finalmente o corpo da morena cedeu e a tremedeira veio, ela havia gozado no mesmo instante que Giorgio a encheu de esperma.
— Te amo, Giorgio — disse ela quase sem ar, exausta.
— Também gosto de você…
— Não me ama então?
— Eu não sei o que é amor — ele também estava exausto, seu coração batia acelerado dentro do peito, sempre que eles transavam era intenso — Mas, gosto de você demais. Só não sei se isso é o suficiente, sinto muito em não atendê-la como realmente você merece, Silvana.

Deu um beijo suave na testa dela e outra vez abriu o chuveiro.
— Tá, tá, te entendo — concordou, desanimada por ouvir aquela resposta, realmente ela amava Giorgio, mas da parte dele o sentimento não era totalmente recíproco, não do jeito como ela desejava, virou-se e foi para debaixo da água quente — Vamos molhar esse corvo das costas e sair logo, Rocco pode chegar a qualquer momento.
Ele assentiu e foi para o seu canto relaxar sob a água. Dessa vez, seria ela que ia ensaboá-lo.

Este trecho de livro “A última sonata” que pertence ao escritor William D. Hoffmam

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