Entre o desejo e a crueldade Livro

Informação

Este meu pequeno livro inicialmente era apenas um projeto de contos éroticos sem nenhuma pretensão de publicação. Obra fictícia; fruto de pesquisas realizadas sobre o sadomasoquismo.

Quero ressaltar que eu me concentrei no romance e introduzi no texto o estilo de vida sadomasoquista abordando-o de forma bem suave.

O estilo de vida dos praticantes é bem mais intenso em todos os sentidos, principalmente na parte fisica. Deixo o meu sincero respeito a toda comunidade BDSM brasileira e mundial.

E aos que ficarem interessados em conhecer este universo real de fetiches, deixo abaixo links de sites sérios e respeitados no meio BDSM brasileiro, aos quais os leitores podem se aprofundar mais no assunto seja por interesse pessoal ou apenas mera curiosidade:

 

Sites sobre BDSM

http://senhorverdugo.com/

http://rainhasarah.blogspot.com.br/

http://escravasesubmissas.blogspot.com.br/

http://www.reinodeka.com/

https://ghostwish.wordpress.com/

http://confidenciasdeoasubmissa.com/

http://www.mestrejotasm.com.br/

http://www.miadosbdsm.com/2014/10/anjo.html

http://bdsmcave.blogspot.com.br/

http://www.gladiusbdsm.com/

 

Para dicas sobre sexualidade e leitura erótica visitem o meu site:

http://afroditesubmissa.com.br/

NOTA: Como usei algumas terminologias do BDSM, deixei um glossário no final do livro

Agradecimentos

Primeiramente, quero agradecer à toda a minha familia e amigos pelo apoio que recebi enquanto escrevia este pequeno romance.

Agradeço a Luana Campos por ter sido sempre tão prestativa e amiga nos momentos que mais precisei.

Agradeço a Domme Reine Dame Violer por ter sido sempre como uma irmã para mim, me apoiando neste progeto e em tantos outros em minha vida.

Agradeço às submissas Nyashia Sol, Ninfa Rosa e Ana Flor pelo apoio e participação no inicio crucial onde muitas vezes eu quis desistir.

Agradeco a querida Scheila por sempre ter me acompanhado, divulgando meu trabalho, me dando forças. ― Scheila, você quem é a minha Diva! (risos)

Agradeço de coração a todos os meus leitores que sempre restaram fieis me acompanhando em cada capítulo, dando dicas e fazendo pedidos. Incentivando-me a continuar.

Sem vocês meus sonhos não se realizariam.

Um grande beijo.

Afrodite Dolce Submissa

Às vezes, os sentimentos mais puros e intensos surgem de onde menos esperamos. Passamos muito tempo de nossas vidas sentindo medo do novo, medo de se arriscar, medo de tudo. Você se arriscaria para viver uma paixão?

Até onde duas pessoas se permitem viver, sentir, transgredir regras por um amor? Amor este que surge de um estilo de vida que aos olhos de muitos é pouco provável que exista tão puro sentimento.

Mas aí vem a pergunta: o amor tem lugar e hora certa para acontecer? Tem um manual? Um livro de regras? Dicas e macetes para o jogo do desejo?

Acredito que para encontrar o amor, ou até mesmo viver uma intensa paixão é preciso ter coragem. É preciso conhecer e nos deixar conhecer por dentro. Quebrar barreiras ou velhos tabus. Desistir de toda e qualquer máscara.

É preciso se despir. Despir não um mero corpo, mas mostrar a essência da alma.

Então espero e desejo do fundo do meu coração que você, meu querido leitor (a), ao ler este livro veja além de um romance erótico. Que encontre a mensagem que estou querendo passar. Que é aquela de viver intensamente cada nascer do sol e em certos momentos basta apenas se entregar para receber o que tanto buscamos.

Desejo a todos coragem para lutar e viver seus sonhos, seus desejos, suas paixões e seus amores.

Afrodite Dolce Submissa

 

Entre o Desejo e a Crueldade

Eu me olho no espelho e mal posso acreditar que estou ali. O tempo passou rápido e eu nem me dei conta. Ontem, eu era apenas uma menina se apaixonando, casando, sendo mãe, feliz por um tempo, mas frustrada no final daquela relação.

Ser mãe era algo mágico, ser esposa algo complexo. Ricardo, meu ex-marido, era muito meu amigo, mas diversas vezes foi cruel deixando claro que eu não era tão fogosa quanto ele queria. Que eu era travada e em uma briga até mesmo me disse que eu era fria. Diversas noites eu chorei, tentava vestir uma lingerie, fazer surpesas para agradá-lo, mas tudo era em vao. Até que ele pediu o divórcio; o estranho é que eu ja nao o amava há tempos. Apesar de ter me sentindo mal por não ter ele perto de mim, um lado de mim se sentia libertado. Desde então, evitei relacionamentos sérios, longos, mas também não era balada.

Se caso encontrasse alguém interessante: flertava, saia para um algo mais. E se houvesse compatibilidade, sexo. Mas mesmo me informando, lendo, fazendo terapia por um determinado tempo e longas conversas com meu ginecologista, eu jamais tive um verdadeiro orgasmo. Sozinha, raramente eu conseguia, mas com um parceiro nunca. Mas algo estava prestes a mudar e eu ia perceber que o erro não estava em mim.

***

O celular vibra avisando a chegada de um SMS; leio e um sorriso me escapa dos lábios:

Feliz Aniversário Aymee, 40 anos!!! Temos que comemorar.  Nem adianta dizer que não. Vamos sim, na festa do Castello! Passo ai às nove da noite e não esqueça a máscara.

 

Bjs Lucas.

Ele acha mesmo que tenho tantos motivos para comemorar. Vim justamente passar esses dias de férias aqui na Itália para esquecer, para fugir.

Lucas é um grande amigo, ex-colega da faculdade de jornalismo, mas às vezes é tão eufórico com tudo que me faz odiá-lo tanto quanto o amo.

Olho pela janela do apartamento, a neve cai lentamente. Estranhamente não faz o frio que esperava, fico hipnotizada. Mas volto aos meus pensamentos; seria muito bom me sentir plena e feliz novamente, pois ultimamente me sinto vazia.

Ontem, Lucas me encheu de perguntas sobre sexo, até parece que eu saberei ajudá-lo com a namorada, nem preciso falar nos orgamos que nunca aconteceram de fato.

Não sou a mais perfeita das mulheres, tenho presença, cabelos longos pretos, pele suave, sou a típica brasileira. Por onde, passo, chamo atenção, mas ninguém desperta a minha.

Vou me movendo lentamente ao banho, me preparando e refletindo. Com relação à carreira não posso me lamentar, financeiramente nada a reclamar; posso permitir certos luxos, construí uma família linda, lindos filhos que são tudo para mim, e até mesmo com o ex-marido tenho um nível de amizade satisfatorio. Bom, sempre foi um relacionamento de amizade, já que nunca me realizei com ele.

Murmuro comigo mesma:

―Ai! A depressão do aniversário!…Bebendo mais uma taça de vinho começo a me maquiar e quando olho para cama e vejo que o Lucas me convenceu a comprar não acredito que vou usar isto. Um vestido com decote vertiginoso nas costas e outro decote bem imoral na parte da frente, ao menos não era tão curto. Meias 7/8 cinta ligas, salto alto, e um casaco enorme cobrindo tudo, afinal lá fora a neve cai de mansinho e o frio nem chega aos pes do tempo quente da minha cidade natal.

Olho-me no espelho e digo a mim mesma:

―Sou uma puta dentro deste vestido.

Mas como diria a minha filha maior Katrine, hoje irei ousar mais para ser feliz! E hoje vou ser. Vou de encontro ao desconhecido. Decidida, visto o casaco longo e pesado, pego a bolsa e a máscara e em seguida desço para a portaria. Lucas deve estar chegando.

Ele estaciona o carro e vem ate mim:

―Olá, minha linda. Parabéns, este é seu presente. Bom, é provisório, mas te dará acesso ao meu mundo. Você realmente quer conhecer o meu estilo de vida? Bom, na verdade vou apenas apresentá-la aos meus amigos praticantes, te iniciar neste mundo será tarefa para outro que despertar e domar esta fera que existe em você. (risos)

Eu dou uma risada, apesar de sentir um certo tom de verdade na voz dele. E abracando meu amigo querido, digo:

―Você sabe que sempre fui curiosa e tenho um fascínio por este seu “mundo”. Desde aquela materia que li naquele site de fetiches.

Ele dá um sorriso, segura meus ombros e vira-me, fazendo acompanhá-lo para o carro. Enquanto ele dirigi eu fico pensando o que me esperava por detrás dos portões daquele Castelo.

Afinal, eu sabia que ele faz parte deste grupo e faz muitos anos que o frequenta. Amigos de longa data, brasileiros que vivem na Europa e alguns em férias por ali.

Eu abro o presente que ele me deu, uma caixa preta de veludo. Dentro, um anel com símbolo de uma coroa impresso. Confesso que achei meio arcaico, mas se é o convite, para tal festa, vamos lá. Dou um beijo em seu rosto e agradeço.

Ele me fala empolgado de uma nova relação que iniciou: fala do trabalho, fala dos amigos, mas sem muitos detalhes. Estou ansiosa, mas, confio nele. Chegamos a um Castelo ao topo do Monte Visconte; é tudo lindo, iluminado, mas muito misterioso. Velas perfumadas cobrem os corredores, nas paredes candelabros dão um clima sensual e assustador; respiro uma fragrância exótica que exala e penso das velas ou incensos de dentro do castelo.

Antes de sair do carro ele apenas diz:

―Coloque a mascara. ― Eu obedeço prontamente.

Lucas caminha ao meu encontro após dar as chaves ao manobrista. Entramos mostrando os anéis ao guardião na entrada.

Lucas sussurra ao meu ouvido:

―Vou te apresentar meu mundo. Sempre te disse que sou um Dominador, você tem ideia do que seja e me disse ser curiosa, então hoje saberá a verdade além do que voce leu em sites de sexo e livros eróticos. Abra sua mente quando entrarmos naquela sala, liberte-se dos pudores.

Eu sorrio nervosa, é verdade que disse isto tudo a ele em nossas conversas. Sabia que ele me levava ali para isto, mas era impossível nao estar ansiosa.

Caminhamos lentamente ao longo do corredor enfeitado com longos tecidos vermelho sangue. Ele me conduz, estou nervosa. Escuto a música no fim do corredor, e reconheço a melodia: “Jocelyn Pook – Masked Ball”.

É uma música sombria; estou suando e tremendo agora que deixei o casaco na recepção. Lucas está com as mãos nos meus ombros, e me conduz; sinto-me estranha com esta máscara veneziana cheia de plumas contornando meus olhos.

Entramos na sala, pessoas elegantes e sensuais estão por toda parte. Lembrei do filme “Eyes Wide Shut (De Olhos Bem Fechados)”, e penso comigo mesma:

―Ainda bem que não vejo a cena das garotas nuas. ―Dou um sorriso nervoso, afinal sempre teve algo naquele filme que me excitou.

Olhei para os lados prestando mais atenção. Algumas mulheres sensualmente vestidas e algumas apenas com lingerie, e outras totalmente nuas usando apenas coleiras ou enfeitadas com cordas. Assustei-me com algumas de joelhos ao lado de homens de posturas imponentes sentados em suas mesas bebendo e conversando entre eles, enquanto elas como estátuas permaneciam ali aos seus pés, alguns as tocavam como um animalzinho.

Lucas me conduz a um dos homens na entrada com um grande manto vermelho usando uma máscara assustadora negra, cobrindo quase todo o rosto, deixando a mostra apenas seus labios. Lucas o apresenta como seu sócio na empresa de exportação. O homem por sua vez apenas sorri, enquanto pega um copo de wiskhy sem gelo e me entrega tocando lentamente meus dedos.

Bom, pelo menos ele acertou na bebida, visto que fez tudo de impulso, sem me perguntar o que eu gostaria beber. Não fico pensando o quanto o seu gesto pode ser interpretado como arrogante, tenho sede, estou nervosa e apenas engulo como um robô aquela bebida.

A conversa com ele flui bem e me sinto tranquila ao ver que David não é tão assustador por trás daquela máscara. Fiquei pensando como seria seu rosto sem aquela mascara.

Lucas volta e segurando minha mão sussurra ao meu ouvido:

―Temos muito a falar e muita gente a te apresentar. Venha!

E foi assim que passei por vertiginosas apresentações. Dominadores, submissas, Dommes, escravos, switchers, fetichistas. Era tudo novo, tão estranho. Comecei a beber mais e mais. Bom, não estava bêbada e nem pretendia ficar, a bebida estava apenas ajudando a absorver tanta informação.

De repente, Lucas me gira de uma vez e me diz:

―Aymée, este é meu grande amigo, Dom Tyeree. Ele é um acionista investidor na minha empresa, mas como você mora no Rio de Janeiro também, acho que vocês vão se dar bem. Ele gosta de falar muito como você e também é dono de uma inteligência fascinante.

Eu sigo seus olhos e seu amigo aproxima-se: moreno claro, alto, máscara preta que destaca seus olhos verdes. Vestido com um terno de fino corte preto, muito elegante de alguma marca italiana com certeza. Demoro mais, admirando a sua boca sensual de tirar o fôlego.

Ele me dá um sorriso, pega minha mão e a beija dizendo ser um prazer me conhecer. Mal consigo responder, seu toque me arrepia por inteira. Olho para o lado e Lucas tem um sorriso cínico. Afasta-se sem nada dizer.

Ele me toca os ombros e me diz:

―Não tenha medo, Aymée. Eu não mordo, ao menos por enquanto.

Não consigo responder. Ele sorri e começa a me fazer perguntas e mais perguntas das quais respondo com monossílabos e nada mais. Algo nele me desconcentra, mas ainda não consigo entender o quê.

Eu pego outro copo da bandeja do garçom. Ele continua com suas perguntas e já sabe quase toda minha vida e eu sobre a dele. Nada sei além de que é advogado, 42 anos de idade, que já foi casado e tem um filho. Nada mais.

De repente, ele pára de me fazer perguntas, fita meus olhos e mesmo sendo uma troca de olhares sobre máscaras, me sinto invadida por ele, que me pergunta:

―Nervosa Aymée?

Eu movimento a cabeça em negativa, mas por dentro penso: ― Que diabos! Estou sim, ele está me deixando sem chão.

Começa uma música: “Ordo Rosarius Equilibrio-Let Me Show You, All The Secrets Of The Torture Garden”.

Ele me sorri, pega minha mão e me convida para dançar. Eu mal respondo que sim e ele me conduz ao salão, apoiando suas mãos firmes no meu decote, vira-me de frente pra ele colando seu corpo ao meu. Respirando ao meu ouvido ele cantarola alguns trechos da música.

Eu estou mole em suas mãos; ele me leva ao ritmo sensual do seu corpo, e eu estou girando, segura entre seus braços. Cada palavra de sua boca me acende algo por dentro; estou delirando, minha libido aumenta a cada murmúrio seu. Involuntariamente, um gemido me escapa dos lábios.

―O que está havendo comigo? ― penso.

As palavras dele na minha mente me deixa tonta. A fragrância do seu perfume inebriante, o cheiro exótico no ar, os casais que se tocam em lugares tão íntimos, de forma tao natural e a letra da música invadindo meu inconsciente aos sussurros, cantando ao meu ouvido:

“Vou levá-la ao meu quarto,

Com a promessa de ser adorado

Deixe-me mostrar quem eu sou

Vou vesti-la em restrições

Com as promessas de dor

Deixá-la no chão

Deixar você implorar e implorar por mais

Deixe-me mostrar-lhe o que eu posso

Deixe-me mostrar-lhe que eu posso”

Fecho os olhos e quando dou por mim estamos parados. Abro os olhos e ele com um sorriso nos lábios, diz:

―Você está bem? Sentindo algo?

Eu fico ali parada, sem dizer nada. Sim, por dentro estou gritando. Sinto vontades e sensações que não estou acostumada e não conheço, estou com as pernas trêmulas, boca seca e coração acelerado.

Então volto a mim e respondo:

―Vou para casa, preciso ir para casa, desculpe. Muita informação para uma só noite.

Ele sorri educadamente e diz que me acompanha ao meu apartamento já que o Lucas está ocupado em um dos quartos. Penso em recusar, mas não sou boa para falar italiano, sendo ele o único brasileiro sem acompanhante na festa. Acabo aceitando.

Ele me acompanha sem dizer nada. Pego meu casaco, ele me leva ao seu carro, sorri e me diz:

―Então, não precisamos mais das máscaras ou você pretende voltar para casa como a “dama misteriosa”?

Dizendo isto, ele retira sua máscara. E como eu imaginava, rosto marcante, olhos penetrantes, imponente e sensualmente lindo. Não era um dono de uma beleza de passarela, mas era o meu tipo de homem perfeito. Ao menos, fisicamente falando. (risos)

Tirei minha máscara um pouco tímida. Vendo-o sorrir e me fazendo gelar ele alisa meu rosto tocando de leve meus lábios e diz:

―Você é linda como eu imaginava. Levarei-te à casa, minha querida. Relaxe.

Escuto na rádio a música (Salvami do grupo Modà) e me deixo levar, sonolenta por estar quase embrigada.

Sinto o carro parando, acho que acabei cochilando, abro os olhos e me vejo diante do hotel onde estou hospedada.

Tyeree sai apressadamente do carro e quando percebo já está ao meu lado, abrindo minha porta.

Surpresa por seu gesto saio do carro sem graça. E ao perceber que ele está pronto para dizer até logo, meu inconsciente não permite que ele se vá e digo:

―Posso te oferecer uma bebida como agradecimento pela carona?

Seu rosto se modifica e um sorriso irônico aparece. Olhando-me de cima a baixo ele responde:

―Você tem consciência da porta que está abrindo pra mim, Aymée?

Tenho absoluta certeza que nesse momento não tenho consciência de nada, mas não consigo deixar que ele se afaste, meu corpo meio que suplica por estar perto dele, nem que seja por mais uns minutos. Coloco minha mão em seu braço, e sem responder, me encaminho para entrada, o trazendo junto a mim.

Ele pega a chave das minhas mãos, abre a porta e me pergunta:

―Qual andar?

―Quinto. ― Respondo.  Em menos de meio minuto, estamos juntos no elevador.        Sinto seu olhar me observando sem pressa, meio que me despindo e minha face enrubesce. Ele abre um sorriso, transmitindo um pouco de vitória e um pouco de convencimento, não consigo ainda decifrar qual parte gosto mais.

Ao chegar na porta do apartamento, já estou meio na dúvida se devia ter feito o convite, mas procuro não deixar que ele perceba. Entro na sala com um rebolado sensual e digo:

―O whisky está no barzinho, perto da janela central.

Sigo em direção a geladeira buscar gelo. Ao retornar à sala, surpreendo-me com ele sentado no sofá, entre as almofadas coloridas, sem um copo na mão. Acho que meu espanto foi claro, pois imediatamente ele me diz:

―Estou aqui pra ser servido, Aymée. Quando aceitei seu convite, você automaticamente aceitou que as regras agora serão as minhas.

Dou uma risada, tentando parecer descontraída, mas meu corpo fica tenso, algo na forma dele falar, me enche de tesão, de ansiedade. Sei que algo diferente vai acontecer, mas é como se eu esperasse por isso há muito tempo.

Sirvo dois copos: no dele coloco duas pedras de gelo, e no meu sem. Ao sentar ao seu lado no sofá ele pega o copo da minha mão e encosta-se ainda mais na poltrona me dizendo com firmeza:

―Tire minha gravata para que eu me sinta mais à vontade.

Lógico que ele quer me mostrar o seu lado dominador, mostrar que pode quando e onde quer. Mas até onde eu sei isto funciona com as submissas dele, a quem aceitou este jogo.

Eu decido jogar o seu jogo, mas para provar a ele quem nem todas as mulheres curtem este tipo de abordagem. Dentro de mim confesso que passa um temporal, uma tempestade de sensações desconhecidas. Sim, tudo era novo, mas eu podia jogar a culpa na bebida amanhã. (risos)

Quando menos percebo, já estou inclinada sobre ele, sentindo seu olhar entrar no meu decote, e sem que eu possa me controlar, minha boca procura pela dele, e o beijo, com tanto tesão e tanta pressa que só reparo que estou sendo correspondida com a mesma paixão minutos depois. Encabulada, me afasto, peço desculpas, e sento novamente ao seu lado. Ele se levanta, pega-me pelas mãos e diz olhando fixamente nos meus olhos:

―Não se desculpe. Sabe tanto quanto eu que desejo conhecer o sabor da sua boca, assim como você deseja conhecer meu sabor, mas isso vai ser feito conforme a minha vontade e na hora que eu desejar. Agora faça o certo, e dispa-se: quero apreciar seu corpo e conhecer a tela onde em breve farei minha pintura.

Enfurecida por dentro e com um tesão incontrolável por aquele jeito dele, decido ir em frente, sigo determinada.

Abaixo meus olhos, toda minha postura de altivez se vai por água abaixo, deixo as alças do vestido escorregarem por meus ombros, e sinto a seda deslizando cintura abaixo. Só então me lembro que a calcinha escolhida pra essa noite ficou em cima da cama, para que não marcasse a roupa e sinto meu rosto corar completamente, ao mesmo tempo em que ouço um leve gemido sair dos lábios que a poucos minutos estavam colados ao meu.

Ele se afasta alguns passos, e o medo da rejeição faz com que eu me encolha, me esconda. Ele se caminha até mim, me segura pelo queixo e sussurra:

―Não se esconda, menina. Só me afastei para te visualizar com mais espaço e ver os detalhes do corpo que vou tomar posse.

É como se algo se transformasse dentro de mim ao ouvir as palavras “posse”, “minha vontade”, “na hora em que eu desejar”. Percebo que acabara de entrar em jogo perigosamente quente, onde eu viveria coisas que jamais sonhara, mas só de imaginar me enchia de tesão, tesão este que jamais sentira até aquele momento. No fundo, admito para mim mesma que sempre esperei viver algo assim, em que eu me sentisse  aprisionada pelo tipo de poder que ele emana com tanta naturalidade.

Naquele momento entendi porque mesmo sendo uma mulher tão cuidadosa ao escolher parceiros, quando vi aquele homem entrar na festa, vi-me desejando estar ao seu lado por horas e horas.

Um curto tempo se passa, e seu olhar caminha todo meu corpo, analisando cada detalhe. E quando levanto meu olhar, encontro seu olhar de aprovação e desejo. Ando a leves passos em sua direção, mas antes que eu o alcance, ele me pega pelos ombros, e me leva corredor adentro dizendo:

―Me leve ate seu quarto.

Entramos no quarto, ele se senta na cama e com uma voz doce, porém firme me diz:

―Tire meus sapatos, minhas meias, e me dispa.

E assim o faço, me ajoelho em frente à cama, tiro os sapatos, as meias, e apesar de toda vontade de tocar seu corpo por completo, uma vontade estranha me surpreende. Ao avistar seus pés, abaixo-me e o beijo-os, afinal nunca fui uma admiradora de pés. Mas ele mal me dá tempo para tentar entender aquele meu gesto de impulso, pois logo sussurra:

―Boa menina!

Neste momento ele se levanta e prossigo tirando seu paletó, sentindo a rigidez e a força dos braços daquele homem pela segunda vez. Ao dançarmos na festa já tinha reparado que ele tinha um belo corpo, firme e rijo. Desabotou sua camisa, e ao tirá-la, perco-me olhando o caminho que seu pelos fazem descendo do peito ate a cintura, se escondendo sobre a cintura da calça.

Ele pega minhas mãos, vira-me de costas, encaixa-se no meu corpo, e passa levemente sua gravata pelo meu colo, meus seios e pescoço.

Sussurrando ao meu ouvido ele diz:

Vou vendar você. Não tenha medo, quero apenas lhe mostrar o prazer, com a privação da sua visão.

Minha respiração acelera, minha pele está toda arrepiada e sinto minhas coxas úmidas, do tesão que me escorre do sexo. Balanço minha cabeça em afirmativa, pois sei que nesse momento serei incapaz de emitir qualquer som que não sejam gemidos de excitação.

Olhos vendados, corpo suplicando por toque, suas mãos descem calmamente pela minha coluna, seus lábios encostam delicadamente em meus ombros, sobem pelo meu pescoço, e quando suas mãos deslizam pela minha bunda, sua voz me diz:

―Abra-se pra mim, Aymée. Deixe-me ver se está tão excitada como eu.

Na hora, minhas pernas se afastam, meus pés se levantam levemente, pois quero que ele me alcance logo, quero sentir seus dedos dentro de mim, me descobrindo, entrando em mim e me abrindo. Ao mesmo tempo em que sinto dois dedos entrando e saindo com firmeza do meu sexo, sinto a palma da sua mão massagear meu clitoris. Fico trêmula, rebolo em seus dedos, arfo e lanço meu corpo para trás me aproximando da ereção dele visível mesmo por cima da calça. Ele se posiciona melhor por trás, suas mãos nao páram de me explorar profundamente.

Estou suando, tremendo de tesão, tudo parece tao selvagem e incorreto, mas o tesão me consome inteira. Aquele homem me enlouquece completamente e tudo que desejava naquele momento era explodir em um gozo libertador.

Ele parece ler meus pensamentos e sussurrando me diz:

―Goze pra mim agora! Quero sentir seu gozo escorrendo pelos meus dedos, preciso provar seu sabor.

É o meu limite: começo a tremer, e o gozo alcança todo meu corpo, fico nas pontas dos pés como se precisasse que ele entrasse mais ainda com os dedos em minha fenda ensopada de prazer. Fecho os olhos e me abandono àquele delicioso momento. Quando percebe que estou gozando sinto seus dentres cravando em mim, mordendo de forma voraz e cheio de desejo meu ombro direito, enquanto uma de suas mãos aperta o mamilo do meu seio esquerdo.

Grito, choro e gozo, me sentindo uma puta, mas deliciosamente satisfeita.

Quando minha respiração se acalma, ele vai delicadamente me soltando, me vira de frente, tira os dedos de dentro de mim que saem muito molhados do meu gozo,e os leva direto a boca, saboreando como se estivesse sedento e como se aquela fosse a única fonte para saciar sua sede.

A imagem fora alucinante vê-lo lambendo meu gozo dos seus dedos. Meu corpo todo se arrepia novamente, o olhar dele está fixo nos meus olhos, e ele degusta sem pressa cada um dos dedos, sorvendo o líquido que se acumulou por entre os mesmos.

Quando acaba, ele me puxa com força, me enlaça pela cintura com um dos braços, e com o outro pega meus cabelos pela nuca e diz:

―Agora sim, estamos prontos para nosso primeiro beijo. Quero que sinta seu gosto misturado à minha saliva.

Não me faço de rogada, sorvo cada gota de saliva da sua boca com a minha língua; com meus lábios chupo sua língua, e a cada segundo ele me aperta mais a cintura, cravando seus dedos na minha pele e puxando meus cabelos, deixando-me novamente excitada e pronta para o sexo.

Com muito tesão, e querendo que ele saiba que preciso transar com ele, tento puxar seu corpo colado ao meu para a cama, mas ao perceber sua resistência diminuo o ritmo do beijo, até parar. Abro meus olhos, e ao olhar para ele, encontro o sorriso mais terno que pude imaginar.

Ele se abaixa, beija-me a testa e diz com uma voz que mistura firmeza e suavidade:

―Por hoje é só isso menina, Aymée. Amanhã ao acordar verá em teu corpo, minha tela, o começo da minha pintura. Mas não tenho pressa, farei dessa tela minha pintura mais bela.

Até amanhã, minha doce menina. Durma bem, pois a noite deverá estar repousada. Espere-me amanhã às oito da noite lá embaixo no saguão do hotel. Quero esse corpo delicioso dentro de um vestido de sua preferência, porém nada de calcinha! Quero seu sexo molhado e livre para mim.

E assim, ele se foi, me deixando atônita, excitada, trêmula, extasiada e um sentimento de abandono no peito, mas a certeza que vale a pena esperar pelo amanhã.

***

Mais uma vez acordo assustada de um sonho estranho. Ao abrir os olhos, meu corpo está dolorido, olho para o lado e na mesa de cabeceira vejo uma garrafa de bourbon mais vazia do que o normal e já sei que para melhorar somente um banho quente.

Decido tomar um belo banho de espumas, relaxar na hidromassagem. Sigo para a banheira, derramo os oleos e abro a água. Ao olhar meu reflexo no espelho reparo que meus ombros estão roxos, marcados pelas mordidas daquele “vampiro do sexo.” Meu Deus! Só agora as lembranças me voltam à mente de forma clara.

Aproximo-me do espelho e analiso as marcas dos dentes cravados na minha pele tão definidas sendo possível contar os dentes. Marcas perfeitas, e eu sou obrigada a concordar que ficaram lindas e me fazem lembrar as sensações de quando foram feitas. Passo a mão pelo meu corpo e ao tocar minha cintura sinto uma leve dor; lembro-me dos seus dedos cravados na minha pele, puxando-me ao seu encontro.

Fico na ponta dos pés, e vejo que minha cintura está roxa, completamente marcada; acho que seria possível tirar digitais das marcas. Meu corpo reage estranhamente à visão das marcas, arrepio-me e sinto que estou excitada, mas também confusa, e resolvo me jogar nas espumas para tentar entender tudo que aconteceu ontem.

Já mergulhada e imersa em espumas, fecho meus olhos e me lembro dos dedos dele entrando no meu sexo, de como fiquei incrivelmente excitada, e antes que eu perceba me toco o íntimo. Minhas pernas se abrem, brinco com meu clitoris, solto gemidos, mas só isso não me satisfaz, quero mais, quero muito mais.

Enfio dois dedos em meu sexo, que está quente e pulsando, meu corpo precisa gozar, mexo-me na banheira, levanto os quadris, indo de encontro aos meus dedos, querendo senti-los o mais profundo possível. Aumento o ritmo, sinto o orgasmo se aproximando, toco os meus mamilos, estão doloridos, me lembro dele beliscando-os.           Naquele momento desejo novamente poder sentir os dentes deles cravados em minha pele, nos meus mamilos, sugando-me, mordendo, puxando com os dentes. Não me seguro mais e gozo com tanta intensidade que grito de tesão.

Minha respiração esta descompassada, meu corpo apesar de estar imerso na água ainda treme pelo calor daquele tesão ao me tocar. Apoio minha cabeça na banheira e penso que seria delicioso ter mais uma vez aquelas mãos e aquela boca vagando pelo meu corpo. Mas com certeza o tal encontro de hoje não passou de uma gracinha masculina, afinal de contas, algo em mim não deve tê-lo atraído tanto, se nem transar comigo ele quis.

Este homem é um completo desconhecido, e com poucos minutos me deflorando conseguiu mais do que muitos namorados e marido que tive ao longo do passado. Sorrio internamente; eu que pensava ser fria na cama, não ser capaz de gozar com um homem, como explicar o que aconteceu ontem? (risos)

Ouço o telefone tocar e logo penso que deve ser engano e nem me levanto para atender. Segundos depois ele pára, retornando a tocar novamente. Então me apresso para atender, pois a curisiodade me atiça, afinal ninguém tem o telefone do apartamento que estou. Eu mal tiro o telefone do gancho e ja escuto aquela voz:

―Bom dia, Aymée. Pensei que você me deixaria esperando muito mais tempo.

Paro de respirar; é ele ao telefone. Meu coração instantaneamente acelera, as pernas ficam moles e a voz não sai dos meus lábios de puro nervosismo e ansiedade. Do outro lado escuto sua respiração e me lembro desse respirar no meu pescoço. Ele continua:

― Aymée? Está brincando de mudo comigo menina? Não vai me responder o bom dia? Porque demorou tanto para atender ao telefone?”

Ainda atordoada respondo:

―Desculpe, estava no banho. Vim correndo, estava recuperando o fôlego.

Ele faz uma pausa e diz:

―Posso estar enganado, mas sua respiração não me pareceu estar alterada por falta de fôlego por causa de uma corrida do banheiro ao quarto. Tenho a impressão de ter ouvido “gemidos” – ele me diz com uma voz sarcástica, mas feliz.

Recomponho-me e respondo:

―Parece que temos um adivinho do outro lado da linha. Do jeito que fala, só falta dizer que sabe o que eu estava fazendo antes do telefone tocar.

Então, ele respira, e me responde com um fundo de irritação na voz:

―Quer mesmo jogar comigo menina? Duvida que sou capaz de adivinhar o que estava fazendo?

―Sou capaz de apostar que você não faz ideia do que eu fazia, Tyeree.” ― Respondo atrevida, mas já com receio, pois sua voz tem muita segurança. Ansiosa, aguardo sua resposta e ela não tarda.

―Pois eu digo-lhe que após contemplar suas lindas marcas minha menina assanhada deve ter se tocado durante o banho, lembrando-se da noite de ontem, ou estou errado?!

Não acredito no que ouvi, fico sem resposta diante da sua pergunta, pois ela tem um tom de afirmação e não consigo responder. Ele vitorioso continua:

―Vou tomar seu silêncio como uma afirmação, menina. Agora me diga: o silêncio não é de forma alguma uma resposta aceitável. Você gozou quando se tocou?

Como assim? Ele quer mesmo saber se eu gozei? Como se fosse uma marionete em suas mãos…

Me pego respondendo:

―Sim, gozei._Mas me recomponho e retruco: ― Ou vai me dizer que eu não poderia?

Pausadamente ele me diz:

―Não, Aymée. Não vou lhe dizer que você não podia, porque você já sabe a resposta. Quando me abriu a porta do seu apartamento, não abriu somente a porta do mesmo e sabemos disto. Deu-me autoridade sobre suas ações, desejou experimentar e se entregar. Mas para te esclarecer, vou ser direto: o seu gozo pertence a mim agora, mas pensando bem, vou fazer diferente, vou lhe mostrar. Vista-se. Em meia hora te pego lá em baixo, nosso encontro da noite vai ser adiantado, e não ouse colocar uma calça, lembre-se que a desejo de vestido e sem calcinha.

A ligação é interrompida, ele acaba de desligar na minha cara. Vou ao armário, ainda não acreditando que vou encontrá-lo novamente. Uma parte de mim fica alucinada com a ideia, mas a maior parte quer dar uma lição em toda aquela auto-afirmação que ele possui.

Escolho um vestido longo de cor vermelho intenso, com uma fenda que desce da coxa aos pés. Olho pela janela e o tempo está aberto, mas como sei que mesmo fazendo sol, lá fora faz frio. Então coloco um cachecol sobre as costas, olho-me no espelho e apesar da roupa ser lindíssima não me sinto bem nela, uma ideia me vem à cabeça e tiro o vestido.

Visto meias transparentes que dão um brilho perolado em minhas pernas, as prendo com uma cinta liga, um sutiã de renda cor da pele faz conjunto com as meias e a liga e a calcinha, essa deixo de lado, vou fingir que estou fazendo o joguinho dele. Somente ai coloco novamente o vestido me sentindo uma puta.

Passo uma leve maquiagem, delineador, rímel e nos lábios apenas um gloss. O perfume me dá um cheiro sensual, mas a verdade é que desde que acordei sinto o cheiro de luxuria exalando do meu corpo. Estou constantemente sentindo meu sexo úmido, vibrando e implorando por prazer.

Confiro no relógio e ainda dá tempo; sirvo-me de uma dose dupla de bourbon, ele me dará a coragem que me falta quando estou na presença daquele homem. Nunca fui uma mulher de arroubos emocionais e sexuais.

Meu último parceiro me trouxe amizade, carinho, e eu até achava que fazíamos uma bela parceria na cama, mas semanas antes a relação chegou ao fim, após ele me dizer que apesar de ser uma mulher divertida e inteligente meu corpo era frio ao toque masculino, coisa que o Ricardo meu ex-marido também disse na separaçao. Neste momento eu solto uma risada; se eles pudessem ver o que tenho feito e imaginado nas últimas 24 horas, entenderiam que o problema não estava comigo, afinal foi somente ser tocada da forma e no lugar certo e aqui estou eu faminta por sexo. (risos)

Pego minha bolsa e desço. Ao sair do prédio dou de cara com ele me aguardando, encostado em seu carro. Ele confere o relógio e me lança um sinal de aprovação com os olhos. Neste momento tenho a impressão de ver um olhar divertido em seus olhos.

Aproximo-me para beijá-lo no rosto, ele possessivamente me enlaça a cintura com uma das mãos e escorrega os dedos pelo meu quadril, e com a outra mão aperta meu mamilo que está ainda dolorido da noite passada.

Diz com uma voz sacana no meu ouvido:

―Bom, menina. Veio sem calcinha.

Arrepio-me de cima a baixo e sinto que as maçãs do meu rosto coram. Respondo:

―Sou obediente quando me interessa ser.

Ele me solta, dando uma gostosa gargalhada e abre a porta. Entro no carro e quando ele se senta ao meu lado pergunto “para onde vamos” e a resposta me parece óbvia demais:

―Vou alimentar seu corpo, depois vou me fartar nele.

Fico sem ar, ele liga o CD player do carro e uma música deliciosa invade o ambiente: John Powel – Assassin’s Tango.

Fecho rapidamente meus olhos e tento entender porque me sinto tão sexy ao seu lado. Sua voz interrompe meus pensamentos ao dizer:

―Adorei a cor do seu vestido. O vermelho da paixão combina com você, e esse tom de vermelho cairá muito bem na sua pele mais tarde.

Um sinal se ascende em minha mente, mas deixo passar. Quero aproveitar da companhia dele antes que o sonho se acabe. Vamos conversando amenidades até o restaurante. A conversa flui naturalmente entre nós, embora ele tenha o dom de me arrancar informações com tamanha naturalidade, enquanto dele quase nada sei.

Chegando ao nosso destino, ele abre a porta para que eu desça. Posso me acostumar com esta gentileza, penso.

Ele me toca nos ombros com intimidade, conduzindo-me para o restaurante. O maitrê nos olha com sinal de aprovação e lança um sorriso para ele. Devo ser uma das dezenas comidinhas dele que ele trás por aqui quando está de ferias ou a negócios na Itália. Mas nada disso me preocupa, em breve volto a minha rotina no Brasil e o que estou vivendo aqui ficará apenas como uma lembrança divertida de uma louca viagem.

Ao sentarmos à mesa, o garçom se apressa em trazer a carta de vinhos. Ele escolhe o que vamos beber sem nem abrir, e faz também o pedido para o almoço, e aquilo me incomoda, pois sempre fui uma mulher independente. Mesmo odiando aquele gesto eu deixo passar, pois ele terá o dele em breve.

Conversamos muito, e nossas afinidades surgem em diversos momentos. O tempo todo sinto o seu olhar fixo em mim, fazendo-me uma silenciosa promessa de que o almoço será apenas uma pequena parte da nossa tarde deliciosa de prazeres. Com a chegada da comida, meu estômago dá sinais de fome, mas meu orgulho não me permite tocar na comida. Após dar algumas garfadas, Tyeree olha pra mim e diz:

―Não vai se alimentar, moçinha?

Prontamente, respondo:

―Não estou acostumada a comer o que os outros determinam. Sendo assim, minha fome passou.

Ele continua a comer. Pela expressão do seu rosto a comida parece estar divina, mas resisto. Ele chama o garçom e diz algumas palavras em italiano que não entendo absolutamente nada e vejo meu lindo a apetitoso prato ser removido da mesa. Devo ter feito uma cara de espanto pois ele prontamente diz:

―Não me classificaria de “outros”, mas se o seu apetite não aguçou para provar uma das melhores massas da Itália, tenho alguém que adorará degustá-la mais tarde.

Indago imediatamente:

―Como assim alguém?

―Tenho uma cadelinha em casa que vai adorar, tenho certeza que lamberá todo seu pratinho com muito prazer.

Eu não o imaginava que ele estivesse se referindo a um animalzinho com tanto carinho e guardo a informação, afinal um homem com tanto porte que se apega a um bichinho a ponto de viajar com ele e cuidar tão bem, deve ter um coração.

Ao final do almoço, enquanto saímos do restaurante, ele diz no meu ouvido:

―Vou te levar para o meu apartamento. Já que você é uma mulher tão curiosa quero que conheça minha cadelinha.

Um sorriso se forma nos lábios dele, mas agora o sorriso é mais sensual e fico imediatamente úmida entre as coxas. Aquele homem está arrancando todos os meus desejos e tesão que guardei a sete chaves. Ao caminhar para o carro sinto minhas coxas deslizarem de encontro uma a outra, o líquido que escorre do meu sexo as deixou assim.

Sento no carro; ao ligar o carro a mesma música invade meus ouvidos, ele me olha nos olhos, passa sua mão na minha perna desnuda pela fenda e fico imensamente sem graça ao sentir que ele me toca onde as coxas estão molhadas de tesão. Ele pára o carro no acostamento, enfia um dedo no meu sexo e diz:

―Pronta para mim, Aymée?

Eu respondo positivamente, apenas balançando a cabeça e o ouço dizer:

―Quero que se toque para mim. Quero ver o que você fez sem a minha permissão mais cedo durante seu banho. Toque-se!

E eu obedeço, não consigo entender porque, mas obedeço. Passo os dedos levemente no meu clitoris, mas o que quero é mais intenso e enfio dois dedos em meu íntimo, fecho os olhos mas sinto seu olhar sobre mim. Respiro, arfo, me contorço toda e quando sinto que o orgasmo em breve chegará, ele tira minha mão, lambe, suga meus dedos e me diz:

―O gozo guarde para mim, ele só acontecerá de hoje em diante quando eu permitir. Seu gozo servirá apenas para me satisfazer. Estamos entendidos, mocinha?

Não consigo entender o porque daquelas sensacões. Morro de vergonha, lágrimas caem dos meus olhos, lágrimas de vergonha e frustração e emito um gemido concordo.   Ele aproxima o rosto do meu, lambe minhas lágrimas e sussurra:

– Guarde também suas lágrimas, doce menina. Precisará delas, mas elas serão transformadas em lágrimas de prazer.

Recomponho-me, mas ainda continuo com os olhos fechados, ouvindo a música e tentando voltar minha respiração e meus batimentos cardíacos para o lugar. Sinto o carro parar e minha porta ser aberta, pego o pouco de dignidade que me sobrou e saio do carro.

Não é surpresa alguma, estamos parados em frente a um prédio numa das ruas mais chiques de Milão. Bom, apesar de ser um advogado que exercia sua profissão, era tambem socio no negócio de exportacão do Lucas, o permitindo ter esta boa vida e com certeza de Dom Juan. Subimos pelo elevador e ele nos leva à cobertura. Que apartamento lindo, ricamente decorado, em tons de branco, cinza e preto.

Fico parada na sala, ele entra numa porta que imagino levar à cozinha, e volta de lá sem a comida antes embrulhada para a viagem. Na hora me lembro da tal cadelinha e pergunto:

―Cadê seu bichinho?

Ele me olha nos olhos e diz:

―Não se preocupe, ela é tímida e ao mesmo tempo rebelde, mas logo vai aparecer para me alegrar a tarde. Venha, Aymée. Quero continuar exatamente de onde paramos ontem. E me puxa em direção a um corredor imenso.

No quarto, ele mesmo tira a gravata, a camisa, sapato e meias, senta-se em uma cadeira e diz como se fosse uma ordem:

―Tire a roupa. Quero ver minha tela, ver o trabalho que deixei esculpido no seu corpo.

Sem pressa alguma abro o fecho do vestido e um sorriso me vem aos lábios. Fico ansiosa para que ele veja minha lingerie, e é delicioso observar as suas pupilas se dilatando de puro tesão. Quando ameaço tirar uma das meias, ele se levanta, segura em minhas mãos e me puxa para os seus braços.

Coloca sua boca sobre a minha, e sua língua invade meus lábios como se fosse seu membro invadindo meu sexo; ele literalmente toma posse da minha boca, me suga, e me provoca mais tesão. Solto gemidos em seus lábios até que crio coragem e com uma voz baixa e contida digo a ele:

―Hoje não vai apenas brincar com meu corpo, não é? Preciso de mais, preciso senti-lo entrando dentro de mim. Quero que me preencha por inteira, sem limites.”

Imediatamente ele se afasta dizendo:

―Agora você usou as palavras da maneira certa, minha menina. Sei exatamente o que você precisa, mas antes pela sua afronta no restaurante, tenho que tomar uma atitude. Olhe para mim, Aymée. Preciso que você me diga que confia em mim, preciso que quebre qualquer barreira de medo ou receio e me diga que de agora em diante será do meu jeito, e ai sim continuaremos.

―Sim, Tyeree. Eu confio em você. Não tenho mais barreiras para me proteger, estou aqui entregue. Respondo de imediato, ja não aguento mais de tesao, preciso ir além com ele.

Ele me pega, como se eu fosse uma pluma, me leva para a cama, e sentando-se ele me coloca deitada sobre seus joelhos, com a bunda para cima. E quando ainda tento entender o que está acontecendo, sinto uma palmada estalar no meu traseiro. Ameaço me levantar, mas uma das suas mãos me seguram pela nuca e a outra me acaricia as coxas, sinto seu membro crescer sob a calça e perceber que ele está com tesão me faz relaxar um pouco. Logo, outra palmada estala, lágrimas vem novamente aos meus olhos; ele geme e sinto outra, agora mais forte. Solto um gemido de dor, e imediatamente seus dedos me fodem, devagar e me pego rebolando neles.

Ele me diz:

―Menina, olha como você está molhada para mim. Seu corpo já entendeu que me deve obediência. Não lute contra ele, se entregue.

E me pergunta:

―Posso continuar?

E a minha resposta é:

―Por favor, castigue, use meu corpo como achar que deve, mas me tome como sua, não estou aguentando de tanto tesão, me penetre agora.

Ele geme, e mais algumas palmadas são dadas na minha bunda. Entre uma e outra, um afago em meu íntimo (que aquela altura estava ensopado), e eu cada vez mais enlouquecida. Toda vez que ele sentia que iria gozar parava e me dava mais palmadas, quando sentia que estava no meu limite da dor me mostrava o prazer.

Ele me coloca na cama, ainda de bunda para cima e sinto seus lábios beijarem delicadamente onde as palmadas foram dadas. Ele murmura:

―Como o vermelho fica belo em sua pele, menina. A cor da paixão foi feita para você.

E continua deslizando a língua e os lábios em mim; desce com a boca pelas minhas coxas, passa a língua subindo e descendo e sinto seus dentes mordendo o interno de minhas coxas, fazendo eu me abrir por completo, louca para sentir a sua língua me invadindo. Não demora muito e ele me invade, me sorve, me morde. Ele me vira com a barriga para cima, enfia a língua dentro de mim novamente e quando sinto que vou gozar ele para.

Não suporto mais e imploro:

– Por favor me deixe gozar, não consigo mais, eu preciso.

Ele pára tudo, me olha nos olhos e diz:

–Você ainda não me convenceu que realmente deseja gozar, me deixe ver.

Enfia sem pedir licença três dedos dentro de mim. Abre-me toda, passa a outra mão no meu clitoris e me diz:

―Diga pra mim que quer gozar agora, implore pelo seu gozo, diga que fará qualquer coisa.

Eu digo, imploro, lágrimas de tesão e desejo caem dos meus olhos e digo:

―Faço tudo que você quiser. Preciso do seu corpo, preciso gozar para você.

Ele se levanta e me deixa atônita na cama, toda aberta e exposta, e sai do quarto com a seguinte promessa:

Espere, meu bichinho. Vou trazer sua última tarefa de hoje, ai sim, vamos os dois gozar intensamente.

E eu espero, de olhos fechados, respiração ansiosa, como ele mesmo me definiu: como um bichinho que espera pelo afago do DONO.

Minutos depois ele entra no quarto, sinto um cheiro bom de comida no ar. Ao abrir os olhos, vejo com uma linda tijelinha de cristal e dentro a massa que me recusei a comer no restaurante. Ele pára em pé do lado da cama, coloca a tigela no chão e diz:

– Venha, cadelinha. Apareça e venha se alimentar para o prazer do seu dono.

Não acredito no que estou ouvindo: como assim “venha se alimentar para o prazer do seu dono”?

Com certeza minha expressão de descrédito ficou estampada no meu rosto.     Tyeree deixa a tigela no chão, se aproxima da cama, me olha nos olhos e diz:

―Venha, cadelinha. Você sabe que precisa disso, olhe para o seu corpo, seus pelos estão arrepiados, seus mamilos estão rijos do jeito que eu aprecio para morder e seus olhos cadelinha Aymée, estão famintos. Venha comer, venha.

Eu, por um segundo penso que isto é muito humilhante e recuso para mim mesma. Depois, lembro do que eu li a respeito de fetiches; este seria o Petplay, onde a pessoa finge ser um bichinho, seja gatinho ou cachorrinho (no meu caso cadela) . Resolvo continuar, afinal é apenas um jogo sexual. Entao eu vou, não posso acreditar, mas vou.

Suas mãos me pegam pelos cabelos, por baixo, rente a nuca, com firmeza, mas ao mesmo tempo com tesão. Meu corpo se arrasta languidamente pela cama, desço já de quatro e fico com o rosto acima da tigela, olho para cima e vejo suas pernas, olho para baixo a tigela a me fitar. Dela, sai um cheiro maravilhoso; como, primeiro devagar, ainda me acostumando com aquilo tudo, mas ouço escapar um gemido dos lábios dele, e me apresso, a fome que quero matar é outra, tenho fome desse homem, das mãos dele em meu corpo, dos seus dentes cravados na minha pele, das suas marcas, estou faminta por esse homem.

Acabo de comer, e acho que tenho molho espalhado pelo meu rosto, ameaço limpar com uma das mãos, mas ele me impede dizendo:

―Venha, cadelinha! Vou te limpar do meu jeito.

E eu vou, escalo as pernas dele, me roçando, estou completamente molhada escorrendo pernas abaixo, meu corpo teso grudado ao dele. Aproximo meus lábios dos dele e ele cumpre a promessa de me limpar.

Começa a passar a língua pelo meu queixo e me arranca suspiros. Passa a língua pelos meus lábios, eu os entreabro, mas ele finge não perceber. Uma das suas mãos me agarra o sexo, e seus dedos ficam imediatamente ensopados, eu diria escorrendo, ele esfrega meu líquido no meu rosto e sinto meu cheiro, misturado ao cheiro da sua saliva e não consigo mais me segurar:

―Tyeree, por favor, preciso que você me penetre agora!

Ele me agarra pelo pescoço, e sussurra no meu ouvido:

―Sou seu dono, cadelinha. E assim quero ser chamado.

Enlouqueço, sim estou louca, mas agora não tem mais volta e entro no seu jogo:

―Sim, és meu dono. Dono do meu corpo, e ele o quer agora, precisa de você.

Sinto meu corpo ser empurrado de encontro à parede, com as mãos ele me ergue, enlaço sua cintura com as minhas pernas, sinto que ele desce o zíper, encosta meu corpo ainda mais na parede, mexe nos bolsos e com alívio escuto o barulho da camisinha sendo aberta. Segundos que parecem horas se passam e finalmente ele me penetra com força, entra todo dentro de mim, me preenchendo, como se nossos sexos fossem feitos sob medida um para o outro.

Eu grito de tesão, olho para ele e a pergunta nem precisa ser feita, ele me autoriza, com os olhos me diz, e reafirma dizendo:

―Goze pra mim, cadela. Goze para o seu dono.

E eu gozo, um gozo intenso, realmente como uma cadela, uma fera no cio. Sinto meu corpo se contorcer e todo meu tesão de anos ser saciado naquele instante pelo corpo dele.

Ele me agarra a bunda, aprofundando seus dedos na minha carne e me joga na cama, me vira, fico de quatro, ele puxa meus braços pra trás e vai me puxando conforme estoca seu membro duro e delicioso dentro de mim. Sinto-me cavalgada, meus braços são o esteio, sou uma égua, uma cadela, uma puta, mas sou dele, completamente dele.

Quando penso que não pode existir um prazer maior, novamente sinto suas palmadas, batendo cadenciadas na minha bunda, meu quadril, minhas coxas, suas mãos me surrando, seu membro me penetrando forte em um vai e vem alucinado. E eu gemendo e gozando.

Ele pára por um momento, me afasta milímetros, enfia um dedo em mim e logo o sinto massageando entre minhas nadegas. Recuo um pouco, mas ele faz tudo de um jeito tão gostoso, suas estocadas estão mais delicadas agora, meus braços livres, ele meio que acaricia minhas costas com uma mão e com a outra seus dedos massageiam, bem lentamente, mas curiosamente ele não enfia nada dentro dele.

Apenas acaricia, e eu gozo de novo, agora com seus carinhos neste ângulo do meu corpo jamais explorado até então. Onde eu jamais pensei que sentiria prazer ao ser acariciada.

Do nada ele me vira de barriga para cima, arranca a camisinha e seu gozo molha toda minha barriga, meus pelos, fico toda molhada com seu fluido quente enquanto sua voz me diz:

            ―Você é uma cadelinha deliciosa, Aymée! Seu sexo foi feito sob medida para mim, seu gozo me pertence e seu corpo também. Agora vou cuidar de você, como um dono cuida da sua posse.

Ele sai em direção ao que deve ser um banheiro, escuto um barulho de água, sinto um cheiro de sais de banho, um cheiro masculino que me lembra o cheiro da sua pele, e fico pensando onde essa tal cadelinha Aymée se escondeu por tantos anos, onde estava esse tesão que agora me consome todo o tempo.(risos)

O escuto cantarolar uma música em italiano; tento me lembrar da canção, mas agora tudo que me vem à mente são gemidos, os meus misturados aos dele, uma sinfonia de prazer e orgasmos.

Sinto meu corpo relaxar, fecho meus olhos e me aconchego naquela cama imensa, com o gozo dele ainda no meu corpo, seu prazer ainda grudado em mim. Acordo com carinhos nas minhas costas, dedos entrelaçados gentilmente nos meus cabelos, e uma respiração gostosa grudada no meu pescoço.

Escuto uma voz longe que me diz:

―Acorde, preguiçosa! Tem uma banheira cheia de espuma nos esperando.

A frase nos esperando atiça imediatamente meu corpo, os mamilos enrijecem, intimo pulsando, parece que ao menor sinal desse homem, fico no cio, querendo mais, uma verdadeira puta, isto sim.

Abro meus olhos lentamente e fito aquele sorriso enlouquecedor, aqueles olhos verdes famintos a me fitar e ali leio mil promessas, e sim quero aproveitar todas elas. Vou me levantando vagarosamente, me agarro nele, como que querendo que nossos corpos se unissem em apenas um, ele suspira, me beija com uma promessa de prazer guardada naquela língua que me invade a boca. Sinto meu corpo ser suspenso e logo meus pés tocam numa água deliciosamente quente, e solto um gemido.

Ele me coloca na banheira, abre o roupão de seda negra que envolve aquele corpo delicioso e pela primeira vez o vejo completamente nu. Que corpo maravilhoso, abdômen definido, mas sem exageros. Braços fortes e uma linha negra de pêlos que descem até seu membro, que está ali pronto endurecido, esperando por mim. Aproximo meu rosto, abro minha boca e o encaixo todo dentro dela, sinto ele tocar minha garganta. Que sabor delicioso, poderia chupar ele por horas. Mas logo ele sai da minha boca, afasta-se e gemendo de prazer me diz:

            ―-Adoraria encher sua boca com o meu gozo, mas agora seu corpo precisa de cuidados. Espere, vou até o escritório, preciso desmarcar uma reunião, e quando eu voltar, vou cuidar de cada centímetro do que me pertence. E guarde essa boca gulosa para daqui a pouco, quero sentir ela exatamente do jeito que estava agora minha deliciosa putinha.

Ele sai e eu fico ali na banheira, me recosto, sinto uma vontade imensa de me tocar, mas não quero, agora apenas ele irá me tocar, quero aquelas mãos, aquela boca, ele por inteiro.

Olho para o lado e uma maleta de couro me chama atenção, belíssima. Nela, vejo o nome dele em auto relevo dourado, não pode ser uma necessarie, parece que ele colocou aquela mala ali quando preparou o banho, e fico imaginando o que possa ter dentro, provavelmente coisas para apimentar nossa tarde de sexo.

Acho graça, imagino aquele homem providenciando coisinhas para me surpreender, me conquistar, me usar. Porque não? Afinal, ele me usava e eu aproveitava nestes gozos jamais imaginados.

Minha curiosidade feminina fala mais alto do que minha educação e saio bem nas pontinhas dos pés da banheira. Enxugo-me e confesso sentir dor nas coxas. Mas nem olho, não quero ficar impressionada com marcas, quero me lembrar apenas do prazer.

Abro a maleta, sabendo que estou fazendo a coisa errada. Escuto a voz dele de longe, e sei que tenho tempo para dar uma espionada e quando olho para dentro dela, me desespero, lá metodicamente arrumados, estão agulhas, cordas, uma faca que brilha como se fosse de prata, algemas, um tipo de mordaça com uma bola de borracha no centro que me lembro de já ter visto em algum filme pornô.

Aquilo tudo me assusta e na hora entendo onde estou me metendo. Esse homem que entende tanto de prazer não é apenas um dominador, mas também um sádico, quem sabe algum tipo de psicopata.

Acabo de me enxugar rapidamente e tudo que me vem à mente é ir embora daquele lugar. Onde eu estava com a cabeça? Entregando-me a um homem desses, um homem desconhecido, por mais prazer que tenha me proporcionado. Quem sabe o tipo de maluquices ainda surgiria?!

Lágrimas ameacam a descer, mas agora não tenho tempo pra elas, entro no quarto, me visto como uma criminosa, às pressas. Saindo do quarto, corro pelo corredor, e escuto sua voz me chamando:

―Cadê você, minha Aymee? Está querendo brincar de pique esconde, é?

Saio em disparada, batendo atrás de mim a porta da sala. Para minha sorte o elevador estava no meu andar, só quando as portas do elevador se fecham me sinto segura, e deixo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto.

O tempo no elevador me parece uma eternidade; quero sair logo daquele prédio e de alguma forma tirar aquele homem da minha mente. Chego ao saguão do prédio e todo aquele luxo que na chegada me pareceu maravilhoso, o lustre de cristal, os afrescos no teto, tudo aquilo revira o meu estômago, tanto luxo para encobrir tanto lixo.

Já na rua, faço sinal para um táxi e quando olho para dentro do prédio consigo vê-lo ainda de roupão de seda, pés no chão e uma fisionomia atônita me fitando. Entro no táxi em disparada e saio dali, preciso me afastar dele para sempre. Isto não pode ser saudável, não é normal.

Eu nem sei como desci do táxi e cheguei ao meu quarto me atirando na cama. Eu pensei que era tão fácil deixar tudo aquilo que vivi pra trás, nunca vivi algo tão intenso em pouco tempo. Apesar de tudo ter sido tao intenso, visceral, eu precisava esquecer.

O telefone do hotel toca. Respondo com receio, mas não posso me esconder, sei que e ele falo:

―Alô! ― a voz custa a sair da minha garganta.

            ―Realmente eu esperava mais de você, Aymée. Achava-te uma mulher madura, sair desta maneira sem se despedir, vi que você abriu minha maleta, sei que se assustou, mas tudo tem explicação. Poderia ter falado o que estava pensando frente a frente comigo. Eu disse para se despir de pudores e medos, pedi para confiar em mim. Enfim, quanto a estes medos que sente, são até aceitáveis do momento que você os enfrenta e fala sobre eles. Não adianta fugir do que está gostando de sentir. Eu fiquei decepcionado, agindo desta forma você não merece minha atenção, meus cuidados e proteção, e acima  de tudo não merece que eu volte a te procurar para algum tipo de envolvimento D/s*

Espero que enfrente seus fantasmas e que se decida por um caminho que a faça feliz. Foi ótimo estar com você, mas a partir de agora está livre de algo que poderia ter sido intenso e maravilhoso para ambos. Adeus, Aymée!

Eu fiquei ali sem ar, sem palavras, sem ação, ele desligou na minha cara. A única coisa que consegui depois de uns minutos feito uma estátua, foi chorar. Sentindo-me tão vazia, tão incompleta, as palavras dele pesaram sobre mim.

Afinal, foi uma boa transa e pronto, em algumas semanas voltarei ao Rio e seguirei minha vida tranquilamente, a chance que eu o encontre por lá serão poucas. Então pronto, tudo se resumirá em alguns dias de luxúria guardados na lembrança.

Não posso ficar assim, tomo uma dose pura de conhaque e vou pra banho, ao tocar meu corpo ainda dolorido pelo toque dele eu estremeço, meu corpo dá sinais, meus mamilos incham, eu estou chorando, lembrando dele e mesmo com as palavras que me disse, ainda queimo de tesão. Isto não pode estar acontecendo. Maluquice total.

Lembro-me de sua voz dizendo que o meu gozo pertencia a ele, lembro da sua sensaçao dentro de mim. Respiro profundamente, fecho a água, enxugo meu corpo, olho no espelho e percebo que estou toda marcada, marcas do prazer que vivi.

Volto para a cama ligo, meu iPod na minha playlist favorita e a primeira música “It Must Have Been Love – Roxette” não me ajuda a ficar melhor. Mas a verdade é que não quero conter as lágrimas, então repito play.

Bebo algumas doses a mais e me adormento, ouvindo as palavras da música. Que besteira eu fiz, lamento.

O Sol nos meus olhos. Minha cabeça que gira. Alguém que insistentemente bate na porta do meu quarto me fazendo levantar. Ainda com o ontem que me assombra os pensamentos. Será Tyerre? Iludo-me.

Mas ai lembro dolorosamente dele dizendo que não me quer mais.

Vou cambaleando até a porta; ao abri-la, lá está Lucas, sorridente como sempre. E com um embrulho nas mãos. Ele entra e me faz aquele interrogatório, enquanto bebemos o café que ele acabou de trazer e comemos os brioches e croissants frescos da padaria.

Finjo que estou com apetite e não conto do porre, mas ele está mais aterrorizado com o que eu disse antes sobre o que aconteceu com o Tyerre, que parece não reparar minha fisionomia acabada, minhas olheiras e olhos inchados. E seu sermão não me ajuda muito:

―Aymée, querida: se você tem medos, mas aceitou se entregar a ele deveria ter explicado o que sente, sem sair correndo depois de uma sessão que foi maravilhosa para ambos, tenho certeza. Quanto a tudo o que viu na bolsa dele, que aliás, sabe que nem deveria ter tocado, são instrumentos comuns para certas práticas sadomasoquistas. Você é nova nisto, vocês estavam no fogo de consumir logo o primeiro ato. Mas o pouco que ele fez contigo, foi tudo dentro do SS (São Seguro e Consensual). Baseando-me no que me disse, ele te controlava todo tempo, fez apenas jogos eróticos introduzindo de leve algumas práticas, dispensando assim o uso de uma palavra de segurança. Ele com certeza não faria nada sem seu consentimento e sem te explicar as técnicas antes. Eu não posso te explicar tudo. E, faz-me um favor? ― Ele diz olhando para o outro sofá, onde tem um livro aberto. ― Pare de ler romances eróticos e matérias em sites que não são do meio BDSM buscando respostas para suas dúvidas. Acredite, não vai te ajudar. Aliás, você pode até ler romance eróticos, se estes te excitam, mas aquilo não é BDSM real. Então, te sugiro coisas novas para ler, se informe nos sites que anotei na sua escrivania, e quanto aos livros, vou te levar em uma livraria quando acabarmos o café.

As ruas estavam movimentadas naquela manhã, entramos em uma estrada pequena e logo a direita havia uma porta antiga de madeira, ali se encontrava uma pequena livraria. Entramos. Eu adoro ler, e confesso ser curiosa sobre sadomasoquismo, apesar de encontrar pouquíssimo material em língua portuguesa. Mas achava tudo tão desnecessário, estar ali buscando material para saciar minhas dúvidas e aplacar meus receios quanto ao Tyeree. Afinal, nao existe mais o Tyeree em minha vida.

Criando coragem me lamento com Lucas:

―Lucas, todos estes livros?! Serão inúteis, pois Tyerre não quer mais saber de mim. E apesar da minha curiosidade, me esforçar a entender italiano é melhor que eu leia no Brasil.

―Aymee, se não percebeu ainda peguei todos em português para você. Pode parecer estranho, mas aqui é comum que se ache alguns livros em tantas outras linguas que não são as línguas oficiais do país. Como você sabe, a Suíça possui muitos estrangeiros que vivem legalmente por aqui, português, brasileiros, franceses, italianos. Efim, sua desculpa não me convence. Aqui estão alguns livros que te ajudarão a abrir um pouco sua mente: “O diário de uma Submissa, Historie d’” é um bom começo. Irá te ajudar bastante a entender a base do que vivemos. E quanto ao Tyeree, simples: não desista, você pisou na bola sim, mas está louca de tesão por ele. E o mais importante: já se sente dele, todo este vazio que te corroí por dentro pelo que ele te disse, esta vontade louca de ir correndo para o apartamento dele que te consume, são sinais de que você quer e espera muito mais. Está mal porque sabe que o decepcionou. Então você vai iniciar a leitura desses livros, e visitar aqueles sites, tudo para desmistificar o sadomasoquismo e aplacar estes teus medos. Mas antes disto, você vai ligar para o Tyeree e pedir para ele te escutar.

Eu êxito, tenho as pernas bambas, penso no rosto dele quando entrei naquele táxi, e meus olhos se banham em lágrimas. Lucas vendo meu estado, tira o celular do casaco, digita um número, no início não desconfiei, afinal Lucas sempre foi o tipo que faz mil coisas ao mesmo tempo, ele se afasta um pouco e fala por alguns minutos, depois volta e me dá o celular em mãos e diz:

―Ele quer ouvir de você. Aymee, apenas siga e diga o que senti em seu coração e o que se passa nesta linda cabecinha.

Mesmo trêmula e querendo matar o Lucas, pego o telefone. Já sei quem está do outro lado então crio coragem e falo:

            ―Tyerre…eu… ― (respiro profundo) ― “me perdoe por ontem. Eu fui infantil e fui fraca, a nossa tarde foi maravilhosa, eu amei estar com você, amei cada sensação, eu me assustei com todas aquelas coisas, eu me assustei com o que sinto por você, mas estou disposta a sentar contigo e me abrir se ainda pudermos ter outra chance.

Fiquei calada, por um momento achei que ele não estava mais na linha, pois do outro lado reinava um silencio profundo, mas enfim sinto ele respirar forte:

―Aymée, você deve se controlar um pouco mais e não agir por impulso. Eu poderia ter te explicado, falado de tudo o que você quisesse saber, mas você preferiu fugir. Bom, eu aceito suas desculpas, mas perdoar, minha querida, é outra coisa.

Aceitarei seu convite para falarmos, mas será tudo a “modo mio”, te encontro na Piazza del Museo daqui a 30 minutos, não se atrase estarei no Caffe del Monte disposto a te escutar. Até logo!

Ele desliga automaticamente. Como se tivesse me sentenciado culpada e agora era o momento da execução, simples assim. E aquela irônica em italiano “modo mio” traduzindo “do meu jeito” ou seja seria tudo como ele quisesse. Mal posso pensar sobre, pois o Lucas pega o celular da minha mão, abre aquele sorriso surpreendentemente perfeito e insistente que carrega nos lábios, me dizendo:

―Bom, te levarei até ele.

Não era muito longe então prosseguimos a pé. Durante o caminho Lucas me orientou a ser o mais submissa possível, a me conter, a não agir por impulso e aceitar que errei; se quisesse viver aquele relação com Tyeree estas seriam as regrinhas básicas para se iniciar.

Em uma mesa na varanda do bar, ali estava ele. Elegante como sempre, terno simples, mas com caimento perfeito naquele delicioso corpo. Impossivel não perceber aquele seu olhar imponente e o sorriso sarcástico nos lábios. Cheguei até ele, segurei a sacola com os livros em uma das mãos estendendo a outra. Ele se levantou, veio ao meu encontro e cumprimentou-me. Beijos no rosto, bem automático, nada de me tocar intimamente. Eu espero por isto._Fiquei frustrada quando ele fez sinal para que eu me sentasse.

Eu me sentei, o garçom se aproxima perguntando o que eu desejava. Tyeree me olhou seriamente e eu fiquei calada, pois ja sabia que ele quem iria decidir o que beberíamos. Ele contentíssimo, aumenta o sorriso nos lábios e faz o pedido por mim .       Assim que o garçom se foi, ele fala comigo:

―Então Aymee, sua menina fujona, o que você quer falar?

―Me desculpe Tyeree, eu vi a sua maleta e acabei espiando e me assustei. É que eu já vi tantos vídeos na internet sobre sadismo…

―Primeiro, eu não sou sádico a este ponto, gosto mais de dominar psicologicamente e amo algumas práticas básicas. Mas tudo acontece apenas com o consentimento da submissa. Afinal, apesar de existir outros meios, eu sigo as siglas SSC= São, Seguro e Consensual. Nada será feito se as duas partes não forem de acordo.

Aliviada com as palavras dele demando:

―Você tem alguma submissa?

Ele sorrindo me diz:

―Além de você Aymée, nenhuma.

Neste momento meu coração dispara, tremo com a taça de cappuccino nas mãos.       Ele percebe e faz um sorriso ainda maior:

―Adoro os teus sinais, ele me dizem o quanto você gosta de ser minha, Aymée.

Bebo o cappuccino, está delicioso, mas está difícil descer, sentindo aquela intensidade que emanava dele. Seria possível que um dominador fosse capaz de causar todo aquele turbilhão de sensações que me consumia por dentro? Ele me fazia queimar, me levava ao inferno da mesma forma que me dava o paraíso. Eu sinceramente não sabia se era o certo, mas se era para ficar com ele, me arriscaria. Então cheia de coragem e reunindo forças eu sigo meu instinto, meu coração:

―Tyeree, quero ser tua, quero me entregar, mas preciso que me guie, que me oriente e que tenha paciência comigo. Eu não tenho ideia do que é sentir na pele realmente além do que já senti e confesso que foi maravilhoso. Mas estou cheia de medos, afinal não tenho experiência alguma, e temos pouco tempo, pois eu ficarei algumas semanas e voltarei para o Brasil. Como será depois?

Ele toca meus labios com os dedos e diz:

―Psiu! Vamos pensar no agora, no tempo que nos resta aqui. Quanto ao Brasil, temos tempo e lembre-se estou aqui apenas a trabalho, logo estarei de volta ao Rio e isto facilitará muito as coisas entre nós. Isto se vier a funcionar entre nós e você não brinque de esconde-esconde comigo como da outra vez, pois se o fizer terá consequências! Lembre-se toda ação tem uma reação. (risos)

Nisto ele toca o interno de meus lábios, eu instintivamente mordo levemente seus dedos, ele afasta meu cabelo e olha sem disfarçar os meus mamilos que estão inchados, fazendo volume na blusa que estou vestindo. E com um tom bem safado me diz:

―Parece-me que temos que ir conversar no hotel, Aymée; precisamos de privacidade. Vou pedir a conta. Mas antes, olhe nos meus olhos e me diga direitinho o que você quer, como uma boa menina, uma boa submissa, uma boa cadelinha que você é. Fale para o seu Senhor, seu Dono.

Eu fico vermelha, sinto meu rosto queimar, meus mamilos doem, estou encharcada. Que diabos pode ser isto? Como ele pode me fazer sentir excitada desta forma, usando apenas palavras. Palavras vulgares e seu tom de voz convencido!

Entendo que não tenho outra saída, pois se quero prosseguir com ele tenho que me render ao seu jogo. E neste momento com o pouco que estudei sobre o assunto, sei o que dizer. Eu o fito nos olhos por um segundo, abaixo o olhar e solto as palavras que ele tanto quer ouvir:

―Senhor Tyeree, eu me entrego em tuas mãos e aos teus cuidados. A partir de hoje teu prazer será o meu prazer, seus desejos uma ordem. Minhas vontades serão decididas pelo Senhor, vou te respeitar e honrar, como a submissa e cadela fiel que serei para você de hoje em diante.

Falei tão rápido que me deu medo. Ele abre um longo sorriso, me beija os lábios levemente, beija minha testa e depois sem que eu esperasse me invade a boca com sua língua como fazia com seu membro ereto em meu íntimo. Ele contorce, afunda sua língua hábil em minha boca, me fazendo quase cair da cadeira. Ele me puxa para mais perto, mostrando não se importar a com os costumes locais tão conservadores.

Ele me puxa, fazendo-me sentar em seu colo e disfarçadamente belisca meus mamilos, enquanto continua a me devorar naquele beijo.

Só me solta quando o garçom volta com a conta nos avisando todo sem jeito.

Eu estou sem chão, tudo com ele é tão rápido, passional, excitante. Ele me conduz até seu carro, alisa meu ombro, abre a porta e antes que eu entre, ele alisa minhas pernas, entre minhas coxas. Aproveitando-se da fenda da minha saia, ele encosta seus dedos na minha calcinha molhada. Sorridente e convencidamente sarcástico ele diz:

―Que delícia, minha menina. Sempre pronta para me servir; já, já cuidarei de você.

Ele entra no carro, liga o som (I put spell on you – Nina Simone)

A música invade minha cabeça, eu viajo imaginando nossa última transa, no seu  toque, a sua dominação sobre meu corpo. Estou discretamente me contorcendo no banco, tentando acalmar este furor uterino. Ele está concentrado em dirigir, mas me toca as coxas levemente vez ou outra, e tenho a leve impressão de que se delicia com aquele gesto, parece que quer me torturar um pouco mais.

Chegamos no hotel. Passamos pelo saguão calmamente. Ele parece tranquilo, nada ameaçador. Mas neste momento me lembro dos documentários sobre animais. Um animal predador sempre mantém a calma antes do ataque fatal em suas vítimas indefesas (suspiro). O elevador se abre, e nenhuma palavra sai de sua boca. Estou ficando tensa.

Dentro do elevador ele me puxa para o fundo, me abraça por trás e sussurra ao meu ouvido:

―Agora você vai aprender a nunca mais a brincar comigo.

Suas palavras são seguidas de um beijo carinhoso e uma mordida no meu pescoço. Eu sinto seu membro inchar encostado na minha bunda. Ele aperta meu quadris e quando chega no andar dele saio descompassada. Ele abre a porta e me diz:

―Relaxa, só vou fazer com você o que sei que deseja em seu íntimo.

Entramos em seu apartamento. Ele tira o meu casaco e guarda minhas coisas no armario da entrada. Serve-me uma bebida e me diz…

―Não percamos tempo, vá ao banheiro agora. Dispa-se, mantendo apenas o salto e as meias 7/8; em seguida vá até o quarto e me espere de joelhos e feche os olhos, não espie ou serei obrigado a te vendar.

Ele liga o som e vai tirando lentamente seu casaco, sua gravata. Diante aquela maravilhosa visão eu bebo tudo de uma vez e sem questionar sigo suas ordens e vou direto para o banheiro. Eu me olho no espelho e respiro fundo, preciso sentir ele dentro de mim, não estou aguentando, ele tem um feitiço sobre mim, isto é incontrolável.

Tiro a roupa como ele mandou, entro no quarto e fico de joelhos. Não demora muito ele entra, eu lembrei do que o Lucas me explicou: Aymee, não levante a cabeça, muito menos o olhar se ele não te ordenar a fazer. Então fiquei de cabeça baixa.

Aquelas palavras: “só vou fazer com você o que sei que deseja em seu íntimo.” me invadem a mente. De cabeça baixa e ajoelhada, espero. Minutos depois vejo seus pés descalços, andando ao meu redor, me avaliando; fecho os olhos antes que ele perceba.            De repente sinto algo frio tocar meus lábios, ele me diz:

―Chupe, quero que umedeça com sua saliva, depois vamos brincar.

E assim faço. Ao encostar aquele objeto em meus dentes, percebo que parece ser algo de vidro, mas não me atrevo a perguntar o que é, confio nele, sei que estou em boas mãos.

Ele se ajoelha atrás de mim, massageia lentamente meu clitoris e logo depois enfia seus dedos em mim. Seu corpo se cola ao meu, sua respiração na minha nuca, seus dedos entrando e saindo. Ele alterna os movimentos com os dedos parecendo conhecer cada pedacinho de mim, demonstrando uma habilidade que eu jamais conhecera em homem algum antes dele. Gemidos agudos me escapavam entre os dentes, enquanto aqueles dedos hàbeis entram e me fodem. Contorço-me, ele me segura com firmeza, roda o objeto na minha boca e retirando-o o posiciona em meu buraquinho, até então virgem.

Sinto aquela peça gelada, deslizando, brincando na entradinha. Os seus dedos me deixando louca e eu querendo gozar. Impressionante como ele como já conhece meu corpo. E quando percebe meu grau de excitação, pára tudo e me levanta, dizendo para abrir meus olhos. Meu corpo está trêmulo, não consigo me conter com as pernas, mas seu abraço me dá suporte.

Sinto que se afasta, pega no meu queixo e pede para conversarmos:

―Aymée, você nunca fez sexo anal, ja deu para perceber. Quero que entenda; um dono, se apossa de todo o corpo da sua submissa, e hoje te farei minha por completo, será tudo feito com muito prazer, mas temos que ter alguns cuidados. Vou te ensinar agora a fazer um enema porque vou te mostrar que sou o Senhor de todo seu corpo e isto inclui seu buraquinho não explorado. ―  Ele dá uma risada e prossegue ― e eu tenho certeza que você vai adorar a sensação, minha safada!

Dizendo isso, ele me explica o que tenho que fazer; sinto muita vergonha a principio, mas a seriedade que vejo nos seus olhos me dá segurança. Caminho até o banheiro, em cima da bancada encontro o que vou precisar para fazer o tal enema, e apesar de todo o receio, faço como ele explicou. Quero sentir esse homem me possuindo, me invadindo, me consumindo e sentindo que o meu corpo por inteiro lhe pertence.

Saio do chuveiro apás o término do enema, observando meu corpo no espelho. As marcas leves da nossa última vez, eu sei que terei muito mais, o que é perfeitamente normal dentro deste tipo de relacão sexual tão intensa. Mas o que me chama a atenção, é a mudança no meu rosto, no meu olhar, vejo uma mulher muito mais segura de si, muito mais confiante na sua sensualidade e entendo de imediato que tudo o que estou vivendo irá me modificar para sempre. Eu não imaginava algo para toda a vida, mas viver aqueles momentos com ele estava sendo mágicos.

Enxugo meu corpo. Sobre a bancada encontro um perfume, um frasco exclusivo de perfume feito sob encomenda na loja “Bar à Parfums dell’Ofattorio”, localizado na rua Brera a Milão. Não resisto, coloco duas gotas no meu colo, sempre amei os perfumes deste lugar. Eu sinto um aroma de sensualidade me envolver, me sento pronta para ele, coloco meus saltos e saio do banheiro completamente nua, completamente pronta para o prazer.

Ele me encara; assim que apareço na porta do banheiro. Percebo aprovação em seu olhar, sinto que adorou minha ousadia. Ele me examina dos pés a cabeça. Meus cabelos estão molhados e por serem longos caem sobre meus seios. Fazendo um gesto com as mãos, ele me diz para tirá-los de lá, obedeço colocando-os para trás. Enquanto admiro o desejo estampado naquele lindo rosto.

Ele me chama com os dedos, vou até ele de cabeça baixa. Automaticamente, meu corpo já o reconhece como único capaz de comandá-lo com maestria. Aproximo-me. Ele me belisca os mamilos e virando uma de suas mãos para trás, alcança na cama algo que se parece com dois prendedores de roupa unidos por uma corrente. Ele me tranquiliza com um olhar e vagarosamente coloca aqueles prendedores um em cada um dos meus mamilos. No começo receiosamente me afasto de dor, mas logo a dor sai e deixa o tesão no lugar. Então ele me diz:

―Agora Aymée, vamos combinar a sua safeword, ela é a palavra de segurança que você irá dizer se em qualquer momento seu desconforto ou dor for maior que o seu prazer. Se realmente estiver te machucando, seja fisicalmente ou psicologicamente não hesite em usá-la. No início parecerá tudo limitado, mas com o tempo iremos superar suas barreiras e você perceberá que às vezes mesmo com dor ou desconforto, ver o prazer do seu dono lhe permitirá vencê-los. Mas agora que estamos nos conhecendo e intensificando nossa relação, preciso que você me diga até onde posso ir. Essa é uma relação de extrema confiança, eu preciso confiar que você está tendo prazer em me servir. E você precisa confiar que ao dizer sua palavra de segurança (safeword), eu irei parar imediatamente. Estamos entendidos?

―Sim Tyerre, estamos entendidos. ― Respondo.

Ao dizer isso, ele puxa a corrente que pende dos prendedores colocados nos meus mamilos e sinto uma dor insuportável, deixando escapar dos meus lábios um grito de agonia. Ele com voz alterada me diz:

―Cadela, não me tire do sério! Não sou “Tyerre” pra você, sou seu dono, seu senhor, é assim que quero ser chamado. Aceitou ser uma submissa, então se coloque no seu lugar, assuma o que escolheu e me respeite. E antes que me venha com pedidos de desculpas, eu a advirto que a palavra “desculpa” não existe no vocabulário de uma submissa como refúgio de um delize cometido. Saiba que a cada erro o seu corpo irá sentir as consequências da forma que eu o desejar e achar necessário, estamos entendidos?

Ofegante, respondo:

―Sim, Dono.

Ele passa a mão por entre as minhas coxas, tocando meu íntimo. Recolhe o líquido que escorre de mim e esfrega em meu rosto, dizendo:

―Muito bem, menina! Seu corpo já reage às minhas ordens do jeito que deve ser. Agora te quero de quatro em cima daquela cama, e não ouse gozar sem a minha permissão, somente após eu falar que está autorizada. Ai sim, neste momento vou te querer livre, desejarei sentir a puta que existe dentro de você; desejarei vê-la soltar seu gozo delicioso para mim.

Posiciono-me da maneira que me foi ordenada, empino meu corpo, levantando bem as nádegas e abaixo meu tronco até encostar no lençol os meus seios doloridos por aquele artefato preso nos meus mamilos. Abro-me toda, pois o desejo dentro de mim, sem nada para nos atrapalhar, quero sentir seu membro viril me invadindo.

Ele se aproxima, novamente sinto o vidro sendo passado na minha fenda banhada sendo umidecido pelo meu tesão que jorra quente do meu íntimo. Ele o retira, colocando o tal brinquedo no buraquinho entre minhas nádegas. Para a minha surpresa ele o desliza para dentro, sem que nada o atrapalhe, sinto o esfíncter ser pressionado e naquele momento uma leve dor aparece, mas a sensação é deliciosa. Ele tira e coloca novamente.          Diverte-se brincando com aquele objeto dentro de mim; ele gira-o para um lado e para o outro sem nenhuma pressa. Eu estou louca para gozar, encolho-me, rebolo, tento movimentar meu corpo, mas ele me bate: duas, três vezes com a palma da mão aberta, fazendo arder a pele de meu bumbum. Sinto meu corpo estremecer, mas é de puro tesão. Ele para por um momento, gira novamente o brinquedo dentro de mim, fazendo-me gemer ainda mais alto. Ele sorri e me diz, com excitação em sua voz:

―Escolha sua palavra de segurança, Aymee; ela deve ser algo fácil de se memorizar.

Eu tento me concentrar em algo. Mas neste momento e complicado escolher, seria mais fácil ele me dizer alguma que eu pudesse memorizar. Resolvo então pedir a ele:

―Me sentirei mais a vontade se o Senhor a escolher…

Ele continua brincando com meu corpo e novamente para ao falar comigo:

―Tudo bem, Aymee. Entendo que neste momento e também por ser sua primeira vez com um dominador escolherei em seu lugar, se não for fácil memorizar me avise. Certo?

Eu concordo balançando a cabeça e ele continua:

―Sua safe é vermelho. Vermelho sempre será a nossa cor, a cor da paixão, das marcas que deixarei nesse seu corpo delicioso, que me pertence. Somente pronuncie “vermelho” se quiser que eu pare, seja na sessão sadomasoquista em si ou até mesmo durante o sexo, visto que muitas coisas são novas para você. Mas de verdade, sei que não vai querer usar estas palavras, ao menos não agora durante o sexo anal, pois seu corpo me diz que você está ansiosa para ter esse buraquinho usado por mim, penetrado, alargado por meu membro que já está pulsando, crescendo a cada gemido seu. Então, não vamos deixar essa putinha esperando, não é mesmo?

Dizendo isso, ele tira o brinquedo e o sinto entrando em mim, me rasgando, a princípio sinto dor, mas na verdade o “vermelho” nem me passa pela cabeça, pois o tesão suprime minha dor. Eu pensara que ele seria rude, mas me surpreendi, pois ele entra delicadamente e faz movimentos vagarosos, entrando aos poucos, gemendo enquanto sua glande entra completamente em mim. E eu me pergunto o porquê de nunca ter feito sexo anal antes, eu que pensara que isto não me daria prazer! Quando o membro dele está totalmente dentro de mim, ele me agarra com força pelos cabelos dizendo:

―Vamos cavalgar juntos agora minha égua deliciosa, vou te abrir mais e mais, e somente quando eu sentir que seu corpo está desfalecendo de prazer, te libertarei e deixarei que goze para mim.

Meus cabelos são puxados, dedos entram e saem dentro de mim, tapas estalados a toda hora são generosamente distribuídos na minha bunda e coxas. Ele entra e sai, aumenta o ritmo. Sinto-o arfar de prazer, seu corpo todo se retesar, e neste momento depravadamente ele me diz:

―Venha cadela, goze no pau do seu dono.

Sem perder o ritmo das estocadas, toca aceleradamente meu clitóris me fazendo gozar. E eu gozo várias vezes seguidas, pequenas descargas elétricas que iniciam no meu clitóris e se espalha por todo meu corpo. Acredito que sejam orgasmos múltiplos até então coisa absolutamente utópica para mim. Não sei dizer se meu orgasmo é vaginal ou anal, é uma sensação única, estremeço, grito, gemo, urro e por fim choro. Lágrimas de prazer escapam dos meus olhos continuamente. E quando estou naquele êxtase que parece não ter mais fim, sinto ele explodir seu gozo dentro de mim me inundando.

Meus cabelos são soltos, vou deslizando para cama, relaxando meu corpo que está arrebatado, em tremores constantes. Encolho-me, me ajeito e o sinto se aconchegar a mim, me enlaça, acaricia meus cabelos, tira delicadamente os prendedores dos meus seios, agora os sinto muito doloridos, mas confesso que nem me lembrava mais que estavam ali. Meu corpo era apenas um brinquedo nas mãos daquele que venero com todo meu tesão e prazer. Já não o encarava apenas como algo passageiro, não queria que terminasse.

Alguns minutos se passam. Acho que uma hora e ainda estamos ali, enlaçados, palavras não precisam ser ditas naquele momento, apenas o barulho dos nosso corações, nossa respiração unida. Ele se levanta, vai até o banheiro, meia hora depois sai de lá, cheiroso, fresco e totalmente renovado. É novamente um homem de negócios, terno e gravata, bem barbeado e penteado, um Deus grego, lindo e dominador dessa beleza descomunal.

Sento na cama e olhando ele terminar de ajeitar a gravata, eu digo:

―Adoraria ter tomado banho contigo, meu delicioso Dono. Adoraria ter lhe ensaboado e lavado e depois ter te enxugado com minha língua.

Ele se aproxima sorrindo, segura meu rosto com uma das mãos, depois me solta e em seguida dá duas leves bofetadas em meu rosto, uma de cada lado. Estou olhando nos seus olhos e sei que elas foram dadas por prazer e não por castigo. Mordo meus lábios, meu corpo já reage se excitando novamente. Estou realmente viciada neste homem e ele parece saber disto.

Com um belo sorriso nos lábios ele me diz:

―Um tapa na cara da minha safada. Você estava especialmente fogosa hoje! Agora, vista-se! Não te acordei e a levei para o banho comigo porque tenho que ir agora, estou atrasado. E também foi de propósito, pois a caminho vou te levar para o seu hotel e quero que você sinta no seu corpo o meu cheiro, o meu sabor, isto sem falar nas marcas. Desejo-lhe cada vez mais, minha Aymée.

Ele se abaixa me dando um beijo delicado nos lábios. Dizendo ter que reunir documentos no escritório ele sai me deixando à vontade no quarto onde apressadamente me recomponho. E minutos depois nos encontramos na sala. Ele está irresistível, e aquele sorriso me faz ter vontade de beijá-lo e não mais parar. E ele parece estar lendo cada um dos meus devaneios. Caminhamos para o elevador em silêncio. Ao entrar ele aperta o botão para o saguão. Depois me olha ternamente e me beija a testa, segura a minha mão e continua em silêncio. Aquilo estava me matando, mas sabia que devia ficar quieta. Dois andares abaixo, a porta se abre e três homens entram, imediatamente olham para mim sorriem e cumprimentam nós dois. Logo ele me puxa de contra a ele demonstrando possessividade e responde aos mesmos de forma seca. Eu abaixo meus olhos, não quero que nada e nem ninguém atrapalhe o momento que tivemos. Sinto uma de suas mãos beliscarem meu traseiro, e logo ele sussurra ao meu ouvido:

―Muito bem! Comportada. Agiu como eu esperava que fizesse. Vou te dar um prêmio por isto, vou te deixar gozar quando chegar em casa. Quero que goze em frente ao espelho pensando em mim. Mas quero participar do que vai acontecer, quero que grave um vídeo se masturbando, será um deleite assistir um vídeo com você descontrolado, se tocando, desejando-me, lembrando de nós dois. Em seguida, quero este vídeo no meu e-mail.

Arrepio-me dos pés a cabeça, fico pensando se os homens entenderam o que ele disse, apesar de ter sido dito em português. Pois tive a impressão de que o tom dele foi alto o suficiente para ser ouvido por todos naquele elevador. E confesso que a devassa que existe em mim adorou aquela demonstração pública de possessividade. Em poucos dias este homem me mostrou o que sempre desejei há todos estes anos e jamais encontrara.

Caminhamos de mãos dadas até o seu carro, mas na metade do caminho ele solta minha mão, agarra minha bunda, apertando-a, mas não me deixando parar de caminhar. Eu como sempre sigo seu jogo, caminho rebolando para provocá-lo e funciona. A cada rebolado sinto ele me beliscando. E nas minhas coxas escorrem o puro desejo por aquele homem. Neste momento penso comigo: onde estava guardado tanta devassidão dentro de mim?

Ao entrar no carro, ele abre o porta luvas, passando propositalmente o braço nos meus mamilos, que ainda estão doloridos pelos prendedores. Ele pega uma pen drive e coloca no som. Uma deliciosa melodia, que não conheço, mas me envolve por completo. Delicio-me, olhando ele dirigir e já lamento pela separação que teremos nesta tarde. Como o Lucas me explicou no papel de posse, não posso me queixar da distância, mas quero estar o maior tempo perto dele, com meu corpo em suas mãos.

Paramos em frente ao hotel onde estou hospedada. Ele me beija demoradamente como se também não quisesse aquela separação momentânea. Ele pega algo dentro do porta-luvas e me entrega em mãos dizendo:

―Hoje você foi especialmente doce, Aymée. Sua atitude mostra que eu ao olhar para você naquela festa não me enganei em nada. Eu sabia que ali estava uma submissa que precisava de mim para conduzi-la ao meu mundo. Mostrar-lhe o prazer de servir, de se render de ir ao extremo. Tudo está recente, mas estou me deixando levar por meu instinto. Escute bem: hoje à noite vamos a uma festa privada, onde você será apresentada a alguns amigos, como minha posse. Quero que se vista elegante, algo leve, um vestido ou saia, solto e curto, o mais curto possível, um dominador que tem nas mãos um material delicioso como você faz questão de mostrá-lo, apenas exibir nada mais se lembre disto. ― Diz possessivamente e quando percebe que estou concordando, ele prossegue. ― Dentro dessa caixa está sua coleira, mas você não vai abri-la, irá respeitar minha ordem, e vai com isso aprender que só verá ou conhecerá as coisas com a minha permissão. Acho que você já leu sobre o significado de uma coleira, esta é uma coleira social, discreta, mas com bastante significado. Agora preciso ir, te pego às dez. E nem pense em deixar de cumprir o que ordenei, ou seja, você tem um vídeo para fazer como tarefa. E lembre-se: quero vê-la deslumbrante e bem safada esta noite. E não abra a caixa! Saberei se o fizer. Quero que desça com ela quando eu vier te buscar esta noite.

Dito isso ele me beija e me pergunta se entendi; respondo que compreendi tudo que me foi dito. Ele desce do carro e abre a porta para mim. Quando eu desço, ele me enlaça em seus braços, me beija, possuindo minha boca com sua língua com a mesma ferocidade que possuiu meu corpo horas atrás. Ele se afasta e entra no carro, me deixando ali na calçada, trêmula de excitação, com a caixinha nas mãos, uma caixa de veludo vermelha. Claro! Minha curiosidade se aguça, afinal é uma caixa de joias finas, mas o respeitarei e só abrirei na presença dele.

***

Entro no quarto, coloco a caixa sobre a cômoda, relutando com um forte ímpeto para abrir a mesma. Mas me controlo. Concentro-me no toque dele que ainda posso sentir em todo o meu corpo. O seu cheiro está na minha pele. Coloco uma música sensual e aperto o play indo para o chuveiro. Deslizo a esponja pelo meu corpo que dá todos os sinais de pura excitação, mamilos inchados, as marcas que ficaram na minha pele testemunhando que tudo foi real e meu íntimo que pulsa denunciando a vontade que estou de ser penetrada por ele. E as palavras dele giram na minha mente:

            “− Sua safe é vermelho, vermelho sempre será a nossa cor, a cor da paixão.”

            “− Goze para mim…”

Então meu libido vai a mil, a música girando sem parar, e tudo que mais quero é gozar novamente. Acredito que ele tenha apertado um botão ninfomaníaca em algum lugar do meu corpo. Nunca senti tanto tesão e gozei tantas vezes em tão poucas horas. Se eu contar ninguém vai acreditar. Mas que se dane! Não tenho que provar nada a ninguém, quero apenas viver tudo isto.

Enxugo meu corpo, enxugo meus cabelos, mas os deixo soltos. Dirijo-me ao armário, pego minha filmadora, vou para a frente do espelho, posiciono-a no banco ao lado do mesmo e aperto a tecla REC, Gravar.

Sento-me na cama de frente para o espelho com as pernas abertas ao máximo e começo a me tocar lentamente, lembrando toda aquela loucura. Jamais tinha feito um video sensual antes, muito menos, masturbando-me. Mas era tudo tão louco, mas muito delicioso de realizar.

Deslizo as mãos pelo meu rosto, toco meus lábios e sinto os lábios dele me invadido com sua língua habilidosa. Aperto meu mamilos, mas não é bastante.

Belisco com força e gemo alto. Ainda estão doloridos, mas o tesão é grande. Rebolo feito uma cadela no cio, preciso de alívio. Desço uma das minhas mãos entre minhas coxas, toco meu sexo que já está encharcado, sinto meu líquido escorrendo pelas pernas e lembro-me dele dizendo:

            “―Somente quando eu sentir que seu corpo está desfalecendo de prazer, te libertarei, deixarei que goze para mim.”

Toco levemente meu clitóris, minha carne está tremendo. Aumento o ritmo, acelero desesperada alternando em movimento circulares e beliscões no meu clitóris.

Solto o mamilo que aperto desesperada com a outra mão, e enfio dois dedos dentro de mim que entram e saem com facilidade devido a minha excessiva lubrificação. Penso nos tapas que ele deu em minha bunda. Recordo de alguns momentos sentir sua mão me apertando o pescoço. Ah, estou fora de mim, estou rebolando, tremendo, gemendo feito uma gata e na confusão entre a música, meu tesão e as palavras dele na minha mente, vem a frase que me liberta de vez:

            “− Venha, goze no pau do seu Dono!”

Automaticamente meu gozo explode, estou molhando a cama, estou tendo um “squirting” e não consigo parar de me contorcer e me tocar.

Está cada vez mais intenso, estou com os olhos molhados e os gemidos se transformaram em uivos de prazer e automaticamente digo:

―Sou toda sua Tyeree, me use, me possua, me penetre, me marque como quiser Senhor!

Falando isto me jogo na cama, e espero minha respiração acalmar, desligo a câmera e me sinto a mais puta das putas. Tive uma transa quente com ele e este tesão não passou em nenhum momento, mesmo gozando meu desejo por ele só aumenta.

Quando reúno forças, tomo um banho rápido, e corro para notebook para enviar o vídeo no e-mail que ele me passara. Faço ligações rápidas para família. Depois do video carregado e anexado no email, aguardo alguns minutos com o mouse posicionado no “enviar”.

Mil coisas me passam na cabeça: certamente aquela era uma das maiores loucuras sexuais que eu ja fizera em toda minha vida até então. Quando decido apertar no enviar meu coração bate acelaradamente, mas agora já era tarde para arrependimento, estava feito.

Senti-me culpada, maluca e até mesmo suja. Uma vagabunda falando francamente. E se fosse apenas um teste? O que ele pensaria de mim? Que sou uma vagabunda louca por pau, rebolando daquele jeito e gozando como uma vadia, uma cachorra? Decido não enlouquecer. Afinal agora me restava apenas esperar, nada mais. Distraio-me lendo um dos livros sobre sadomasoquismo que o Lucas comprou para mim, “Diário de uma submissa” que foi iniciado naquele resto de tarde. Depois me posiciono na frente do guarda roupas para escolher a roupa para a noite.

Quando estou na frente do armário, escuto o bip do celular, um e-mail recebido.          Respiro fundo, corro e abro o e-mail:

 

Minha menina…

Você é uma cadelinha muito especial! A MINHA Aymée. Você estava deliciosa no vídeo, estou de pau duro.

E é por causa deste vídeo terá que chupar meu pau do seu hotel até o castelo onde será a festa.

Vou gozar na sua boca e você vai beber todo o meu gozo. Pois deixar cair uma gota sujando minha calça terá consequências não tão prazerosas ao menos para você.

Seu Dono Dom Tyeree.

Obs.; Não ouse argumentar ou responder o e-mail, apenas esteja pronta, linda, sem calcinha e molhada para mim.

Molhada para ele? Não precisou muito, pois desde o início do e-mail eu já estava molhada, e no fim já estava cruzando e descruzando as pernas, querendo sentir ele dentro de mim desesperadamente.

Então me decido! Vou me masturbar mais uma vez antes dele chegar, isto me acalmará e me deixará raciocinar novamente. Meu pensamento é interrompido pelo bip do celular novamente, mas desta vez uma mensagem de texto dele com as crueis palavras:

“BASTA GOZAR ATÉ QUE EU CHEGUE. SEGURE-SE, LEMBRE QUE SEU GOZO ME PERTENCE E EU O QUERO INTENSO ESTA NOITE. SEJA BOA MENINA NÃO ME DECEPCIONE GOSTOSA!”

 

Dou um sorriso de nervoso, mas fico alucinada, ele parece estar aqui do meu lado, sabe exatamente o que vou fazer, posso sentir os olhos dele em mim. Dou um suspiro e respondo o SMS com apenas um:

―Sim Senhor.

Volto ao armário, pego o vestido mais curto que tenho: decote avantajado nos meus seios, curto o bastante para valorizar minhas coxas. Respondo alguns e-mails, ligo pra casa novamente e o tempo voa. Quando termino de passar o rímel, olho no relógio e percebo que já estou 10 minutos em atraso da hora que ele marcou comigo.

Meu celular toca, não respondo vejo que é o número dele. Então pego o grosso casaco, jogo nos ombros deixando-o aberto. Eu desço apressada; ao chegar na porta do hotel com aquele vestidinho minúsculo, sem calcinha, maquiada, bota de salto alto, meus peitos pulando pra fora do decote, segurando a pequena bolsa e a caixa de joias que ele me dera e proibira de abrir, ele me olha com um olhar safado e um sorriso nos lábios, que me faz querer beijá-lo mesmo eu me sentindo uma prostituta.

Mas logo que estou na sua frente o seu sorriso desaparece, ele me puxa para seus braços, pega no meu pescoço como se fosse me enforcar, e com a outra mão puxa minha cintura. Neste momento sinto sua ereção entre minhas coxas, enquanto ele sussurra ao meu ouvido:

―Nunca mais faça isto! Preciso que você entenda. Você sabia que era meu número e não atendeu, não gosto nenhum pouco disto!

―Sim, Dono. Nunca mais deixarei de atender sua ligação de propósito ― Respondo engasgada pela pressão dos seus dedos sob meu pescoço; é estranho, mas excitante estar naquela posição. Ele então olha nos meus olhos e soltando meu pescoço, passa lentamente os dedos no lugar onde antes fazia pressão.

Ele me diz:

―Boa menina. Agora, entre! ― Fazendo um gesto ele abre a porta do carro.

Ajuda-me a retirar o casaco e coloca no banco de trás, afinal o carro já era quente o bastante, não somente pelo aquecedor, mas por todo aquele desejo que emanava entre nós.

Quando entro, logo passo a observá-lo; seu terno impecável, aquela cara de macho alfa, me deixava languida. Ele liga o carro e entramos na estrada; ele me toca entre as coxas e quando alcança meu sexo, sorri, mas não diz nada. Não precisava, ele sabia que eu tinha obedecido e estava pronta como ele queria e ordenara.

Então, levemente ele me puxa pelos cabelos e diz:

―Vou ter que parar o carro e te esquentar a bunda? Ou vai logo fazer o que quero?

Penso comigo mesma: ― Hum, tentador, mas tudo o que eu quero é chupar você!

Aproximo-me e já percebo o volume saltando da calça, abro e o liberto direto para a minha boca. Começo com movimentos leves e desço sempre mais, giro a língua em volta da glande inchada de sua ereção. Ele aumenta o respiro, então eu desço até o talo e consigo senti-lo crescendo e inchando dentro da minha garganta. Ele está com uma das mãos nos meus cabelos, puxando, apertando e em alguns momentos se contorce um pouco para que as mãos possar tocar meus seios através do decote. Eu o chupo aumentando a velocidade, com mais fome, com mais desejo. Pensando o quanto tudo naquele homem me enlouquecia eu estava disposta a enlouquecer ele da mesma forma. Determinada, giro minha língua em uma dança louca enquanto saboreio o sabor de seu corpo. Subo até a glande e desço lentamente ou às vezes desesperadamente, bem profundo, até que o sinto explodir seu gozo na minha boca. Eu engulo até a última gota como se fosse o mais doce mel.

Quando ele se acalma, eu solto meu delicioso objeto de desejo e ele dá um sorriso safado dizendo:

―Delícia de chupada, delícia de mulher! Vou te recompensar na hora certa.

Quando ele fala isto, percebo que estamos já na entrada do castelo. Ele pára o carro, abre a porta e me manda descer, enquanto me ajuda com o casaco. Antes de entrar, ele pega a caixa das minhas mãos, e sorri porque obedeci. Somente então ele abre a pequena caixa na minha frente. Finalmente vejo o conteúdo: um colar fino de prata com um pingente em formato de coração com algo escrito. Aproximo-me e leio:

“Aymée de Dom Tyeree”

Ele se aproxima, beija de leve meus lábios, me faz olhar nos olhos dele e me pergunta:

―Você quer me servir, Aymée? Tem certeza disto?

Ele levanta meu rosto e eu vejo a profundidade do seu olhar intenso como suas palavras. Respondo:

―Sim, meu Senhor. .

Então ele a coloca no meu pescoço e diz:

− Você é minha Aymée, minha cadela, minha menina, minha puta, minha submissa. Honre tua coleira e estará sempre aos meus pés, sob meus cuidados. Cuidarei de ti, pois darei tudo o que precisa como submissa, como amante. E quando você merecer, farei uma cerimônia de encoleiramento, coisa que você já deve conhecer o significado. Agora venha, vamos entrar.

Ele pega a minha mão e segue na minha frente. E eu o sigo fielmente como um cãozinho dócil, mas estou feliz porque sou dele.

Entramos no Castelo, a atmosfera é mágica como na primeira vez que fui em uma destas festas, o cheiro das velas perfumadas, decorando os degraus das escadas e todas as paredes com candelabros e tecidos de cetim nas cores vermelho e preto descendo do teto ao chão. Ele retira meu casaco gardando-o junto ao seu no armário da entrada.

Sala adentro, vejo algumas pessoas conhecidas. Lucas como sempre está ali, cheio de sorrisos e cercado por duas garotas semi-nuas com coleiras iguais, as mesmas se encontram de joelhos na frente dele. Imagino que as mesmas são suas fiéis cadelinhas que ele tanto dizia. A música sensual invade o ambiente.

Meu Dono Tyeree segue com as saudações e me faz conhecer muitas pessoas. Todos me elogiam por estar encoleirada por ele e o parabeniza por isto. No fim do nosso giro pelo salão ele me permite juntar a um grupo de submissas que se encontravam em uma mesa ao fundo da sala. Assim, ele ficaria livre para falar com outros dominadores.

Eu obedeço. Mal posso acreditar que estou seguindo e fazendo parte daquele mundo que eu tanto ficara deslumbrada, mas o achava distante de meus ideias. Aproximo-me das mulheres e depois de nos apresentar-mos descubro o quanto são pessoas incríveis e com profissões conceituadas, mulheres bem sucedidas e inteligentes. E eu que pensara que submissa seriam mulheres com personalidade fraca; mero engano, afinal precisa de muita força assumir a posição submissa e deixar que alguém controle até os teus respiros por assim dizer. Elas me fazem rir e também me explicam algumas regras da etiqueta do mundo do sadomasoquismo. Sinto-me muito bem com elas. Falando com elas descubro que todas estão encoleiradas. E quem diria, descubro que uma delas é casada com seu Dominador, nunca imaginara isto! Laiane de Dom Jack, ele é brasileiro, mas vive na Espanha, conheceu ela quando estava de férias no Brasil e a relação seguiu por anos até se casarem.

As outras mulheres Lucy, Meire e Julia são super simpáticas e me contam que vieram exclusivamente para a esta festa, ambas de férias com os Donos e retornariam ao Brasil dentro de alguns dias. A conversa continua bem animada até que as risadas das meninas se silenciam e eu me pergunto o porquê disto. Viro-me e miro em direção ao que elas estão olhando. Vejo uma mulher vestida de vermelho subir na barra de pole dance instalada exclusivamente para a festa posicionada no meio da sala principal. O corpo dela é bem torneado, cabelos escuros, lisos e longos do tipo mulher fatal. Percebo que vários dominadores apreciam ela dançar pole dance de forma sensual.

Ela desliza seu corpo, se movimenta como uma cobra na areia quente. Eu não a conheço, mas já estou odiando-a, pois vejo que ela olha o Tyeree, e ele sorri para ela.      Então eu pergunto a uma das meninas quem era aquela indecente, e a Lucy me diz:

―Aquela é uma das piores pessoas que conheci do nosso meio. Ela já passou na mão de vários dominadores, não se comporta como uma submissa, não se assume como fetichista, switcher. Ela quer somente a farra. Na verdade, ela se comporta como uma cadela no cio, nada mais. Ela não respeita ordens e quando entra em uma relação que já exista alguém, não respeita as outras submissas do Dono. Mesmo assim, logicamente ela é livre, somos uma comunidade livre, cada um segue aquilo que acredita melhor para si, desde que respeite os demais. O problema é que respeito é algo que ela desconhece.

Eu a vejo se aproximar ao Tyeree, faz um sorriso e ele dá-lhe a mão, que logo o puxa para a pista de dança e começa a se esfregar nele. Ele puxa os cabelos dela e ela rebola ainda mais. Sinto-me enjoada, como pode ser?

Ele aperta-a mais ao seu corpo e a beija como se estivesse com fome. Eu não aguento a cena, vou até a pista, ignorando os conselhos das meninas de ficar quieta. Cega de raiva aproximo-me, mal vejo a hora que empurro ela e quando levanto a mão para bater nele ele me segura e me dá um tapa forte no rosto. Ele me segura pelo queixo, vejo a fúria nos seus olhos que esbraveja:

―Você aceitou o jogo, assumiu o seu papel. Leu as regras principais. E agora isto? Vou te esclarecer o que ainda não entendeu: você não é minha mulher, você não é minha namorada, voce é minha submissa e minha cadela e quem manda aqui sou eu! Nunca te prometi exclusividade, aliás, prometi apenas cuidar de ti. Eu poderia tirar sua coleira agora e te deixar, mas não seria o castigo suficiente. Além do mais darei o crédito que tudo está sendo novo para você. Mas acredite: tirar sua coleira e sair da sua vida seria melhor do que estou por fazer! Acredite, será muito pior o seu castigo. Você também é livre para sair agora por aquela porta e nunca mais nos vermos. Mas se ficar, tenha certeza de que hoje te farei aprender a nunca mais cometer ato similar, sua insolente!

Dizendo isso ele me olha com desprezo e diz entre dentes:

―Ajoelhe-se agora, abaixe seu rosto e não ouse se mexer antes que eu ordene.

Faço como fui ordenada. Lágrimas de raiva, vergonha e arrependimento invadem meu rosto. A festa a música continua como antes, e  escuto o cochichar das pessoas. Sei o quanto o envergonhei, mas foi mais forte do que eu, imaginar outra mulher o tocando, ele demonstrando seu desejo por outra me destruiu, me cegou. Mal posso acreditar, afinal eu li e reli varios livros, textos e visitei inúmeros sites sobre o assunto, sabia as regras do jogo, pensara que seria fácil, mas na pele era outra coisa. Eu que imagina apenas uma transa quente, estava ali humilhada daquela forma. Sim, eu poderia levantar, ir embora, o mandar ir sei lá para onde, no entanto eu queria mais. Queria sentir e estranhamente sabia que seria melhor receber tal punição. Sim, era algo dificil de entender até mesmo para mim meses atrás. Mas depois de conhecer mais daquele mundo e de conhecer o Tyeree, descobri que eu gostava de estar ali. Só não sabia como seria, mas estava disposta a pagar para ver.

Alguns minutos se passaram, para mim pareciam horas. Meu olhar continuava voltado para o chão e finalmente consigo ver os sapatos dele se aproximarem, seguidos por um par de pés femininos. Enraiveço-me pensando que ele estava trazendo aquela vadia para que eu pedisse desculpas. E lutava contra a vontade de me levantar e voar nos cabelos dela, mas a minha submissão a “ele”, me fazia permanecer onde estava, quieta esperando as suas vontades.

Ele então me diz:

―Levante-se, siga com a Lucy e só volte a esse salão quando estiver vestida da forma que eu orientei a ela para vestir você. Quando voltar, vou lhe mostrar como desprezo atitudes como estas que você cometeu aqui desrespeitando a mim e a todos nesta festa. E será neste momento que você começará a conhecer quem eu sou.

Dito isso ele se afasta, vejo as mãos de Lucy estendidas para mim, eu me levanto, observo rapidamente ao meu redor, todos me olham com o mesmo desprezo que senti na voz e no olhar de Tyerée. Sinto-me um nada, coloco meu rosto sobre os ombros dela e deixo as lágrimas rolarem. Ela vai me guiando para um corredor, acariciando-me de leve em um dos ombros, como se quisesse consolar-me, mas não há consolo possível, o medo de perdê-lo, de não mais ser sua posse, agora me desespera, faz cair por terra toda e qualquer rebeldia que antes eu sustentava. Passamos por várias portas fechadas, e ao fim desse longo corredor ela abre uma delas.

Estamos em um lindo quarto de época ricamente decorado. Velas perfumadas estão espalhadas por todo o ambiente, um caminho de pétalas de rosas vai do piso até a cama dossel e estendida sobre a mesma encontra-se uma camisola branca de uma fina renda francesa. Neste momento sinto que estou invadindo um lugar todo elaborado para um casal apaixonado passar uma noite passional,regada a muito sexo. Constrangida eu pergunto para a Lucy:

―Os donos desse quarto não ficarão ofendidos de nós estarmos aqui?

Ela me olha com um profundo pesar e me diz:

―Este seria o quarto de vocês, querida. Dom Tyerée mandou que o preparasse com todas essas flores e velas, para trazer a menina maravilhosa dele, para comemorarem o encoleiramento.

Aquelas palavras me acertam como um soco, sinto vontade de vomitar e só agora acho que realmente percebi a gravidade do meu ato. Ela vai me levando para o banheiro, e diz:

―Dom Tyerée ordenou que você se lave, não quer ver em seu rosto nenhum vestígio de maquiagem; ordenou também que tire todas suas jóias, ficando apenas com sua coleira, em cima da bancada de mármore encontrará vários perfumes e emulsões para o corpo, mas não poderá passar nada. Ele a quer humilde aos seus pés dentro de vinte minutos, mas pediu para que te recordasse de que você pode se recusar a tudo e esquecer ele de uma vez por todas.

Meu choro fica mais intenso. Percebendo meu desespero, ela me abraça, e me pergunta se quero desistir. Eu respondo que quero continuar, quer preciso dele. Sendo assim ela continua:

―Vista-se com a bata que encontrará pendurada sobre o vaso sanitário! Volto para te buscar em quinze minutos. E, por favor, minha querida: prepare-se para o que está por vir, sem cara de choro, ou biquinho de arrependimento. Nós submissas temos que demonstrar arrependimento com nossos atos. Lembre-se: somos fortes, mas resignadas sabendo o que aceitamos e cumprindo com o que prometemos. Saiba que eu realmente sinto muito por tudo isso Aymée.

Dizendo isso ela saiu do banheiro e logo escutei a porta do quarto ser fechada. Descontrolo-me, olho para o espelho e não me reconheço, minha maquiagem escorre pelo rosto, meus olhos e nariz estão vermelhos, mas no fundo do meu olhar vejo força, sei que serei punida e aceito o que tiver que acontecer, pois o desejo por ele é muito maior e ao contrário do que eu pensava no início eu necessito ser dele, preciso vivenciar cada instante ao seu lado, sendo bom ou ruim. E foi neste momento que decidi que não seria uma qualquer que conseguiria tirá-lo de mim. Pensando assim, vou até o chuveiro, abro-o, e deixo a água ficar o mais gelada possível. Preciso me despertar do sofrimento contido.

Cerca de dez minutos depois estou lavada, nem sabonete passei no corpo, não quero que ele pense que fui soberba e quis me mostrar cheirosa. Vou oferecer-me humilde e esperar que ele me perdoe. Enxugo-me e pego a tal bata, assusto-me a ver que ela além de curtíssima é completamente transparente, solta com aberturas laterais, que me deixarão praticamente nua. Não vejo calcinha ou soutien e imagino que ele quer me expor para humilhar-me, mas aceito qualquer coisa, menos perdê-lo.

A porta do quarto se abre, Lucy entra, vejo no seu rosto a tristeza que sente por mim. Certamente ela já imagina o que iria me acontecer, mas prefiro não perguntar para não me armar contra, estou decidida a aceitar qualquer coisa, a humilhar-me e implorar pelo seu perdão. Ela se aproxima, sem dizer uma única palavra me abraça com pesar, e ao me soltar, olha-me com carinho e diz:

―Minha querida, eu sei que você é uma iniciante em nosso meio, mas Dom Tyerée é um dominador sério, ele é muito conhecido e conceituado em nosso meio. Se te escolheu é porque reconheceu em você uma submissa com grandes qualidades. Aviso-te que sua punição não será fácil, será um grande teste. Sendo assim, quando se sentir sem forças, pense na paixão que os une e faça sua parte.

Aquilo me assusta um pouco, mas minha decisão não será diferente, vou passar por tudo e todos para continuar vivendo a mágica que minha vida se transformou. Mesmo que isto dure apenas semanas e nunca mais o encontre.

Seguimos até o salão. Ao chegarmos, desligam a música. Todos os olhares do salão se voltam para mim, alguns até mesmo com uma certa piedade, outros com puro desprezo, escárnio. Mas logo avisto Tyerée ali de pé, dizendo algo ao ouvido da tal vadia, com uma das mãos enlaçadas na cintura dela e um sorriso sacana nos lábios. Ele vai aos poucos soltando ela e me olha. Seu olhar se transforma em desprezo misturado com tristeza, sinto que até ele sabe que o meu castigo será cruel, mas necessário.

Ele dirige um olhar de permissão a Lucy, que coloca sua mão em meu ombro e me guia em sua direção. Um corredor vai se formando, as pessoas se afastando como seu eu tivesse uma doença contagiosa, e nesse momento penso mesmo que tenho. A vergonha me consome de tal maneira que mal posso acreditar, mal me reconheço. Sinto um doloroso aperto no peito. Um choro contigo engasgado na garganta, mas não deixo que as lágrimas escapem. Além dos conselhos da Lucy, o Lucas também me dissera há uns dias atrás que uma submissa ao errar, se quer continuar a relação deve aceitar seu castigo com humildade e agradecimento, e assim o farei.

Lucy pára a poucos passos dele. Sinto meu coração se apertar, mas ao mesmo tempo se acelerar. Mesmo sabendo que serei castigada, a presença dele me excita, envolve-me. Abaixo meus olhos e respiro fundo, sinto ele se aproximar, Lucy se afasta e diz:

―Trouxe a submissa Aymée para ser castigada conforme o seu desejo, Dom Tyerée.

Ele se aproxima ainda mais, me pega pelo queixo e fala olhando profundamente em meus olhos:

―Você desrespeitou a mim e a minha casa, Aymée. Apesar de estarmos construindo nossa relação recentemente, já demonstrei que sou um dominador sério, jamais poderia deixar passar em branco um desrespeito tão grave. Dou-lhe agora a oportunidade de se redimir perante todos nessa sala, ou tirar sua coleira e sair, sem olhar para trás, sabendo que jamais estaremos juntos novamente. O que escolhe?

Olho profundamente no seu olhar e sabendo que não conseguirei me afastar dele, respondo:

―Dono, aqui estou para ser castigada pelo meu ato falho.

Vejo um olhar orgulhoso nele, mas seu rosto continua frio, impassível, e ele me diz:

―Ao fazer sua ceninha de ciúmes, interrompeu o prazer e a alegria das pessoas desse salão, irá agora dar-lhes esse prazer de volta. Quero que se ajoelhe e me chupe como uma boa putinha que é. Mas informo que quando eu for gozar me afastarei e quero que estenda sua mão, gozarei nela, você hoje não merece saborear o prazer do seu Dono.

No começo não acredito naquilo, sinto-me um lixo, uma submissa sem valor para o seu Dono. Como ele tinha coragem de me expor assim? Penso indignada, mas minha razão naquele momento passara longe, eu era pura emoção.

Aos poucos vou me ajoelhando, dobrando-me, sabendo que jamais serei a mesma mulher sem esse homem por perto. Levo minhas mãos ao fecho da sua calça, sinto sua ereção, ele está muito duro, pulsando. Entendo que mesmo com raiva ele está excitado, vejo que podemos então ter mais uma chance juntos se ainda causa tamanho desejo.

Abro a calça meio que o tocando, o provocando, agarro seu membro com minhas maos e o liberto. Ele possuia um membro maravilhoso, textura, cheiro, virilidade, tamanho, forma, tudo me agradava.

Passo minha língua por todo o comprimento, começando de onde se une aos testiculos. Com movimentos vagarosos vou lambendo até a ponta, sem tocar na glande, volto, recomeço, deixo o todo úmido, temperado com minha saliva, após passar minha língua assim nele todo, chupando como quem chupa um picolé delicioso. Encaixo-o nos meus lábios entreabertos, e sugo a glande levemente; sinto o corpo de Tyerée se contorcer, sei que ele está tendo prazer e isso me excita. Esqueço-me de todos a minha volta, minhas coxas se encharcam, enfio todo o cacete na boca, sinto sua ereção na minha garganta, faço movimentos de ir e vir, babando, sugando, lambendo. Os meus mamilos estão duros de tesão, Tyerée me agarra pelos cabelos, enfia seu membro latejante na minha boca, estou gemendo. Deixo ele me conduzir, foder a minha boca. Nunca imaginei que teria tanto prazer em ser exposta, mas naquele momento percebi que tudo aquilo me excitava. Era uma experiência deliciosa escutar as pessoas gemerem a minha volta, respirações se alterarem. Tyerée me tira de meus pensamentos, dizendo:

―Te conheço, minha puta, minha vadia! Deve estar dolorida de tanto tesão, quero que se toque, enfie os dedos dentro de você, banhando com teu líquido quente e depois mostre para todos a puta que você é, como fica no cio servindo ao seu Dono.

Passo a mão pelo meu clitóris, que está inchado, duro, latejando. Enfio meus dedos o mais profundo possível o que descubro não ser tão difícil pois estou totalmente encharcada. Levanto a mão deixando todos apreciarem minha lubrificação escorrer por entre meus dedos. Resultado visível da excitação por ter o meu delicioso Tyeree me fodendo a boca. Quando exponho minha libido visível em meus dedos, e sem parar de chupá-lo, sinto que ele cresce ainda mais. Ele geme, entra e sai da minha boca, chupo seu membro ereto como se aquela fosse a última vez que meus lábios fossem chupá-lo.

Ele se afasta e me diz:

―Junte suas mãos, sua vadia, vou gozar.

Coloco minhas mãos unidas em forma de concha, ele goza, quente grosso, enche abundantemente a palma de minhas mãos. Fico imaginando todo aquele gozo preenchendo minha boca,. Eu salivo, desejando sorver até a última gota, mas sei que não posso. Olho pra cima, buscando no olhar dele o que fazer agora. Mas sem uma única palavra, guarda seu membro dentro da calça novamente, pega-me pelos cotovelos, e diz:

―Quem merece meu gozo hoje não é você, cadela! Ele será dado àquela que todo dominador tem vontade de foder. Venha, menina deliciosa! Venha sorver o gozo de Dom Tyerée.

Olho desesperada a minha volta, e aquela vadia se aproxima, completamente nua, ostentando apenas uma corrente dourada que descia entre seus seios e outra fina corrente que interligava os mamilos presos por prendedores de metal dourado. De salto alto apenas, de saltos altos, seu sexo completamente liso, livre de cabelos. Ela vem rebolando sem nenhuma inibição: quando se aproxima ela me olha com deboche.

Minha vontade é esfregar toda a porra na cara dela, mas não faço: abaixo minha cabeça, levanto as mãos e sinto aqueles lábios me encostarem, sua língua me lambendo, vejo os pés do Dono se aproximarem dela, não resisto e levanto meus olhos. Ele está colado a ela por trás, com uma mão acaricia seu cabelo, a outra vejo enfiada no meio das suas pernas, ela se contorcendo e me lambendo. Ele a toca o íntimo, fodendo-a, dando-lhe prazer. Aquilo me desconcerta, me enraivece e estranhamente me excita ao ver o “meu homem” tocando outra mulher. Jamais pensara que eu sentiria prazer em dividir.

Finalmente ela termina, olha-me com desprezo e atrevimento. Encaixa-se mais ainda em Tyerée, abre as pernas, e agora sim tenho visão dos dedos dele entrando e saindo de dentro dela, estão melados do seu tesão. Ele acaricia o clitoris dela, sussurra coisas ao seu ouvido, ela se contorce ainda mais, agarra as coxas dele, arqueia as pernas, ele a enlaça por debaixo dos braços, e vejo-a gozar, na mão do meu dono, recebendo o carinho que deveria ser meu. Assim que ela goza, ele se afasta, chega perto de mim e me enfia dois dedos na boca, dedos melados do prazer de outra, me fazendo chupar ele me diz:

―Veja, Aymée, como seu Dono é capaz de fazer uma vadia gozar! Pode ser você ou qualquer uma, o que importa é a minha vontade e o meu prazer. Agora, siga a Lucy até o quarto, vista-se! Estamos de saída, a festa para você acabou. Sua cena devolveu o prazer a festa, mas agora seremos eu e você, sua punição ainda não acabou.

Estou em pedaços, mas me apoio nos braços de Lucy e quando estamos no corredor, deixo cair as lágrimas, não posso mais contê-las. Ela não me diz nada, apenas me abraça até que eu me acalme, me olha com compaixão e me diz:

―Acredite Lucy! Ele tinha que te corrigir, era necessário, ele quem comanda numa relação D/s nunca prevalece à vontade da submissa. Por mais que doa nele, ele sempre será cruel quando necessário. E lógico que é tudo novo para você, mas se controle. Agora, ao quando chegar ao apartamento faça tudo como ele mandar, ele ainda vai testar você e fará isto várias vezes durante toda a relação, faz parte do teu adestramento. Ele está te moldando, te disciplinando aos desejos dele, está entrando em sintonia com você. Seus desejos mais reprimidos.

Eu entendo tudo o que ela me diz. Mas ver ele com aquela mulher me deixou fora de mim. Será que toda submissa é apática, não tem sentimentos? Então resolvo perguntar:

―E como vocês fazem? E o ciúme? Vocês não têm medo de perder a atenção do Dono de vocês? Do homem de vocês?

Lucy faz um sorriso, e me explica:

―Aymée, a maioria de nós sente ciúmes sim. Somos todas humanas e sim temos sentimentos. Acredite, a maioria é apaixonada por seus Donos até mesmo fora da relação sadomasoquista. O fato é que não demonstramos os ciúmes, transformamos o ciúme em servidão, nos dedicando ainda mais em servir. Afinal, é a felicidade do Dono que nos deixa feliz também. Logo, se a vontade dele é ter outra, cabe a nós resignarmos com isto, mas temos sempre o direito de partirmos quando bem desejarmos, ninguém nos obriga a ficar. Acredite, muitas vezes mesmo sofrendo queremos muito ficar. Sei que é difícil pensar assim, mas com o tempo você aprenderá e o mais importante entenderá.

Agora vista-se, pois ele ainda está irritado, melhor não contrariar.

Visto-me rapidamente, me olho no espelho, meus olhos estão vermelhos e a sensação de tudo aquilo ainda era dolorosa. A sensação de fragilidade e vergonha não passam. Olho a coleira, penso em tirá-la, nunca me senti tão mal com um erro meu, nunca me senti tão confusa. Toco levemente minha correntinha e preparo para tirá-la. Então, lembro-me do seu olhar e não ouso ir além.

Saio do quarto, Lucy está em pé na porta, olho mais uma vez a cama dossel, as pétalas do chão até os lençóis de seda branca, a fragrância das velas perfumadas, e meu choro volta. Lucy vem até mim e me pede para acalmar-me. Saímos pela outra parte do castelo, eu nem perguntei o porquê, afinal devia ser ordem dele.

Lucy me abraça e diz:

―Aymée, tenha em mim uma amiga! Sempre quando precisar, me ligue, não vamos perder o contato. Mesmo morando longe, te orientarei no que preciso for. Mas seu Dono não se enganou com você, ai dentro de toda esta rebeldia e impetuosidade tem uma submissa que fará uma linda entrega ao seu Dono. E principalmente uma linda mulher que vai para sempre ter o homem que tanto desejou. Vocês têm tudo para dar certo, Aymée. Há química, sintonia. Seja o que ele precisa e ele te dará tudo o que você precisa. Acredite em mim, dará tudo certo!

Dizendo isto ela me entrega um cartão de visita com seus dados e se afasta, fazendo-me sinal de silêncio.

Logo entendo o porque do gesto dela. Vejo Tyeree em pé do lado do carro, vou até ele, mas antes que eu diga qualquer coisa ele fala:

―Não ouse falar, tampouco ouse se desculpar. Você foi insolente. Vou te mostrar o que merece uma submissa que não respeita seu Dono. Não quero ouvir nada da sua boca, você fará apenas o que eu mandar. Caso contrário, tire a coleira e vá embora, e não me verá nunca mais. Dizendo isto, ele entra no carro, abre a porta do lado de dentro, não de fora como ele sempre fez desde que nos conhecemos. Eu me senti um lixo, mas obedeci. Ele liga o som do carro e não diz nada até o apartamento, nem sequer vira os olhos pra mim. Chegando ao Apartamento ele me diz:

―Tire sua roupa e me espere de joelhos no quarto, endossando apenas o seu colar.

Faço como ele me ordena. Ele entra, pega meu queixo com força e olha nos meus olhos:

―Nunca mais tente levantar a mão para mim. Nunca mais! Nunca faça “ceninhas” de ciúmes comigo. Você entendeu?

Com choro na garganta respondo:

―Sim, Senhor.

Ele parece estar mais calmo. Mas ainda sinto fúria em sua voz quando me diz:

―Levante-se! Diga-me: qual sua safe Word?

Prontamente respondo:

―Vermelho, Senhor.

―Só vou parar se você disser vermelho, lembre-se disto. ― Adverte-me.

Dizendo isto, ele me leva pelo braço até a porta, amarra meus pulsos e prende-os em um gancho atrás da porta. E então me diz:

―Você agora sentirá meu chicote “cantar”, para a sua disciplina. Você me provocou e agora receberá o que precisa para ser uma boa cadelinha. Aplicarei vinte golpes, e a cada golpe você dirá: “nunca mais farei ceninhas de ciúmes e nem ousarei levantar a mão para o meu Senhor”.

―Sim, senhor._– Me escapa automaticamente dos lábios.

Respondo e olho no espelho próximo a porta. Posso observar seu reflexo. Percebo que seu rosto esta transformado, vejo o chicote de couro em suas mãos e fico olhando fixamente para antecipar o que estava por vir. Ele me alisa as costas como se tocasse uma flor delicada, usa um chicote pequeno com tiras de couro macio, sinto a pele se aquecer e sinto alivio, pensara que ia doer mais. Contudo, poucos segundos depois sinto o primeiro golpe; é bem rápido cada golpe aplicado, mas com o ardor crescente empurro meu corpo pra frente, olho no espelho e vejo seu rosto de ira.

Ele puxa meu cabelo e diz:

―Diga o que mandei, cadela! Ou seu castigo será o dobro!

Eu digo a frase:

―Nunca mais farei “ceninhas” de ciúmes e nem ousarei levantar a mão para o meu Senhor.

Ele mal espera que eu termine de fechar a boca e novamente me golpeia, e eu repito a frase e isto se repete várias e várias vezes. Sinto o suor que escorre na minha pele, estou tremendo, e as lágrimas são inevitáveis. Já perdi a conta e quando termino a vigésima frase, vejo a sua imagem no espelho, olhando meu corpo, como se soubesse o quanto estava sendo duro comigo. Eu sabia que merecia o castigo, então empino ainda mais meu corpo, o fazendo entender que não vou dizer a safe Word. Posso suportar mais, eu mereço sentir esta dor.

Nossos olhares se cruzam no reflexo do espelho, percebo que ele apreciou meu gesto; alisa minhas costas, deslizando até minha bunda e a aperta com força. Percebo que o volume na calça mostra o quanto ele está excitado. Ele acerta mais alguns golpes, e no final não estou aguentando suportar o peso do corpo nas mãos amarradas no gancho da porta. Estou sem forças. Neste momento, ele larga o chicote rapidamente, e me abraça por trás. Sinto sua ereção bem no meio da minha bunda.

Ele me aperta, puxa meu cabelo e sussurra ao meu ouvido:

―Trinta golpes, cadela. Algo a dizer ao seu Senhor?

―Obrigada, senhor, pela disciplina aplicada. Não repetirei este erro. ― Respondo disciplinadamente

Ele suspira, morde minha orelha e diz:

―Agora vou te foder sem algum pudor, será rápido e será para o meu prazer. Se prepare você vai chorar de novo, cadela.

Dizendo isto, ele tira seu membro para fora da calça e alisa minha bunda. Enfia dois dedos dentro de mim e quando percebe o quanto estou molhada, os tira lentamente e os introduzo em minha boca, dizendo:

―Sinta o quanto você se excita.

Ele me empurra ainda mais na porta e ordena:

―Abra as pernas! Vou te arregaçar, Aymée! Ocuparei cada centímetro da sua buceta.

Aquele linguajar vulgar me deixava louca. Dentro de mim eu implorava, pois estava pronta, precisava senti-lo. Ele pareceu perceber minhas preces, enfia seu membro de uma vez dentro de mim, e me fode com uma força incrível. Não posso me mexer com as mãos amarradas ao gancho, o corpo dele me pressionando, e suas pernas entre as minhas me forçando a ficar aberta ao máximo. Ele me puxa contra ele, morde meu pescoço, morde meus ombros, estou gemendo, tentando rebolar, implorando:

―Por favor, Senhor!

– Shhh, cala a boca cadela! ― Sua voz sussurra ao meu ouvido.

Ele pressiona uma de suas mãos na minha boca, e me fode ainda mais forte. Sinto que estou prestes a gozar quando o sinto me preencher com sua porra quente e abundante.

Ele me toca os seios, passa de leve o dedo no meu clitóris e sarcasticamente me diz:

―Quer gozar, Aymée?

―Sim Senhor, por favor! ― Respondo rapidamente.

―Implore! ― Ele diz com um sorriso cruel em seus lindos lábios.

―Por favor, Senhor! Falta pouco, me permita gozar. Imploro ainda mais excitada.

Ele sorri, solta meus pulsos, me manda ajoelhar e diz:

―Se você quer gozar, Aymée, me beije. Comece lambendo os meus pés e continue implorando!

Estou sem palavras. Beijar os pés dele para poder libertar meu gozo? Isto é humilhante. Resmungo para mim mesma. Fico em silêncio e ele ali parado na minha frente esperando.

Eu não acredito no que ele está dizendo. Tudo bem beijar os pés dele, nem é tão grande sacrifício assim. Ele é bem cuidado e tem pés lindos por sinal. Mas não sou amante de pés, não tenho fetiche de podolatria. Respiro pausadamente e o olho para ele, que mantém um sorriso ainda maior nos lábios. Percebo que ele está me provocando, pois está totalmente nu bem a minha frente se masturbando, e na posição que me encontrava seu membro estava bem na altura do meu nariz. Eu me abaixo devagar e beijo de leve seu dedão. Logo, ele diz:

―Não parece que está com tanto tesão assim. Esperava um beijo mais passional. Bom, acho que você vai ficar sem gozar esta noite.

Lembro-me da Lucy me dizendo que ele ainda me testaria muitas vezes. Então eu lambo, sugo, beijo cada dedinho. Passo a língua entre eles mostro toda a minha paixão e tesão neste ato. Seu pé e bem cheiroso por sinal. Não sei por quanto tempo ele se delicia com minha humilhação. Mas para mim minutos parecem parece longas horas, pois ainda estou excitada e quero muito que ele me faça gozar. De repente, ele puxa meus cabelos, aperta o meu maxilar, enquanto sorri bem perto da minha boca. Ele me empurra na cama de barriga para cima, se ajoelha ao meu lado, enfia os dedos em mim, sinto minhas entranhas tremerem. Ele faz movimentos fortes e contínuos, eu rebolo na mão dele, me abro, grito de tanto prazer. Ele faz tudo calado e quando estou no ápice ele me diz:

―Goza para mim, Aymée!

Mas eu já estava gozando quando ele disse isto. Ele me olha contorcer, chorar, tremer com o jorro quente que descia contínuo coxas abaixo, molhando a cama. Impressionante como ter squirting com e por ele estava se tornando algo freqüente. Isto sem dizer que ele sempre tinha uma fantástica performace na cama, nada forçado como nos filmes pornôs, mas ele sempre me enloquecia com seu toque até estar pronto para me penetrar. Naquele momento, ele estava me tocando, enquanto acariciava seu membro ereto. Quando ele percebe que estou me acalmando, ele retira os dedos de dentro de mim, dizendo:

―Está louca para sentir o meu pau fodendo todos os seus buraquinhos que imploram por mais. Mas não o farei! Venha até aqui, de joelhos!

Aproximo-me. Ele afasta meus cabelos, e dá-me um sorriso sensualmente lindo. Ele mantém seu membro à altura da minha boca, enquanto com suas mãos fazem movimentos contínuos. Seu membro está cada vez mais grosso, ele o alisa lentamente, eu abro minha boca e vou de encontro, mas ele com as mãos no meu cabelo puxam-me para trás e diz:

―Implore, cadela! Ou não deixarei que me saboreie. Farei tudo sozinho te deixando apenas como espectadora.

Minha boca saliva, como se estivesse na frente do mais saboroso alimento, e na verdade ele era meu alimento preferido e o mais potente, o único que me saciava. Implorar estava se tornando algo rotineiro. Então imploro:

―Senhor, por favor, me permita saboreá-lo. Use meus lábios, foda a minha boca até minha afundando seu pau até o fundo de minha garganta.

As palavras indescentes sairam da minha boca naturalmente. Ele sorri, me olha nos olhos, mas não diz nenhuma palavra. Apenas se aproxima e passa lentamente o seu membro latejante, banhando meus lábios me permitindo senti-lo tocar a minha boca finalmente. Mas ele mantém a autoridade, pois a sua outra mão está nos meus cabelos, controlando minha fome.

Sua deliciosa tortura continua com movimentos circulares da glande de seu pênis ao meu rosto, me provocando e sempre me deixando esperando suas estocadas. Mas finalmente ele mostra um pouco de piedade e permite que eu engula seu membro. Eu vou com toda a fome que estou de saboreá-lo, chupo lentamente, depois passo a língua da base até a glande, movimentos circulares acelerados depois eu alterno com doces beijos ao longo de toda sua ereção. Ele gira os quadris e aperta os lábios, esta visão me dá um prazer imensurável. Depois eu desço lentamente e vou até a base de seu pênis.

Aguardo por uns segundos, mantendo pressão apenas com a minha boca. Volto lentamente, recuperando o fôlego e lambendo. Aliso, arranho de leve suas coxas, seus testículos. Desço com a língua até seu saco escrotal, coloco as “bolas” em minha boca, enquanto eu masturbo aquele pênis maravilhoso. Ele alisa meus cabelos, ao passo que empurra seu corpo sob minhas mãos. Percebendo seu desejo, eu volto a trabalhar com minha boca em sua ereção. Dou uma lambida da base até a glande e chupo somente neste pedaçinho tentador. Faço tudo bem manhosa, bem delicada, enquanto o encaro nos olhos.

No meu interior, sei que despertei a mais puta das putas, lado que não sabia que existia dentro de mim. Ele aumenta os movimentos, me forçando a engolir cada vez mais. Puxa os meus cabelo e fode minha boca com toda sua força. Quase perco o fôlego porque quando quer ir mais fundo ele aperta meu nariz me impedindo de respirar, assim a garganta dilata e ele vai o mais fundo que pode, mas neste ritimo não demora muito e ele logo se afasta num gemido. Com a voz alterada me diz:

―Abra a boca e olhe pra mim, vou gozar na sua cara, minha puta!

Eu obedeço. Em seguida sinto seu gozo quente, grosso e abundante me atingir a pele, deslizando por todo o meu rosto, escorrendo por meu pescoço e seios. O tesão que sinto neste momento é indescritível. Saber que fiz aquele homem gozar daquela maneira. Saber que fiz o meu Dono gozar sendo usada por ele, era uma sensação maravilhosa. Dar prazer também era tão excitante quanto recebê-lo. Eu jamais conseguia chupar o pênis de um homem sem a cara de nojo, mas com o Tyeree eu queria tudo, era delicioso seu sabor e meu corpo todo sempre implorava por mais e por todo o prazer que me proporcionava. Ele merecia a melhor de todas as gozadas.

Quando termina de jorrar em meu rosto, ele sorri, arqueia seu corpo e levanta seu maxilar apertando os dentes e fechando os olhos. Eu tento me aproximar para chupar seu pênis mais uma vez, a fim de poder limpar o que sobrou de seu gozo com meus lábios, mas ele não permite, dizendo:

―Não! Eu já te dei até mais do que você merecia por hoje. Vá tomar um banho e já te aviso que iremos dormir em seguida, pois amanhã temos muito o que fazer e quero você repousada.

Levanto-me e vou ao banho, estou marcada por ele literalmente, com toda a sua fragrância de macho exalando de seu gozo que está espalhado por todo o meu rosto e seios. Abro o chuveiro e o vejo passar pela porta que deixei entreaberta. Fico com a esperança de que ele venha e me foda no banheiro, debaixo da ducha. Estou realmente me transformando em uma ninfomaníaca. (risos) Logo este meu devaneio se desfaz, pois o vejo passar de volta para a sala e ele não entra. Faço um banho demorado, lavo os cabelos lavo e meu corpo. Sentindo arder minhas marcas, as marcas da disciplina do meu Dono, sentindo todos os meus buraquinhos pulsantes por serem usados por aquele homem, o meu homem.

Termino o banho, enxugo meu corpo, me olhando no espelho, já não sou mais eu. Hoje sou o brinquedo do meu Dono, marcada moldada e sendo disciplinada unicamente para o prazer dele. Vivendo as mais loucas experiências, extasiada de prazer. Recordo do prazer nos seus olhos quando eu demonstrei querer ir mais além, aceitando a disciplina por ele aplicada. Se há algumas semanas atrás alguém me contasse esta situação que estou vivendo agora, eu acharia tudo puro desatino.

Eu saio do banho. Ele já esta na cama, lindo e perfumado, com os cabelos ainda molhados. Pelo visto ele deve ter tomado banho em outro banheiro. Sinto-me péssima, ele nem quis tomar banho comigo. Ele me olha indiferente e me diz:

―Venha, Aymee! A sua cama está pronta para você.

Aproximo-me da cama, mas sou interrompida por ele que me diz:

―Ali não, minha cadela! Venha deste lado.

Em meu inocente pensamento, imagino que ele queira me dar um beijo ou me analisar. E realmente esta parte eu estava certa. Ele analisa as marcas em minhas costas, alisa com suas mãos e quando termina ele me aponta o chão. Assusto-me quando olho do lado da cama. Ali se encontrava uma cama em formato de cesta, forrada com uma fina coberta da cor vermelho, grande o bastante para um Dobermann.

Eu olho atônita para ele, que sorri e me diz:

―Isto mesmo, você vai dormir ali, Aymee. Mas tem a escolha: ou dorme na caminha de cachorro ou no tapete. .

Lembro que isto é um teste de um dominador que adora o sadismo psicológico. E é apenas um jogo entre adultos. Eu aceitei entrar no jogo, agora sabia que teria que seguir as regras ou desistir de tudo. Respiro profundo, abaixo minha cabeça e digo:

―Dormirei como e onde desejares.

Ele sorri e diz:

―Vá para a caminha minha cadela. E tenha uma boa noite.

Estou morrendo por dentro, achei que ele se compadeceria quando eu concordasse, liberando-me disto e dormindo de conchinha comigo. Doce ilusão. Sendo assim, aceito as vontades dele.

―Obrigada, Senhor. Tenha uma linda noite, bons sonhos.

Vou até a cama, me acomodo como posso e tento dormir enrolada àquela fina coberta. Encontro a melhor posição abraçada com meus joelhos. Neste momento, agradeci por não ser tão alta ou seria bem pior. Reviro-me, de um lado ao outro. Já faz algum tempo que ele apagou a luz. Não posso mais vê-lo. Apenas sinto sua respiração profunda e serena, provavelmente dorme tranquilamente. Eu giro e acabo-me adormecendo. Sinto frio, tremo, e acordo em alguns instantes com alguns gemidos pela dor dos machucados e pela má posição que estou. Sinto um toque leve na escuridão, sobre minha pele. É ele. Ele acende a luz e logo se encontra em pé na minha frente. Tremo mais ainda, desta vez receiosa, pois eu o acordei e provavelmente ele vai me dar uma surra por isto.

Olhando meu olhar apavorado ele diz:

―Venha para a cama, Aymee. Tem um comprimido na gaveta da cômoda se você esta sentindo dor bêbada. .

Dizendo isto ele pega minha mão e me conduz até a cama, me dá um copo de água para que eu beba o comprimido. Assim que termino de engolir, ele me faz deitar, me cobre com o edredom e me dá um beijo leve na testa dizendo:

―Durma, minha menina.

Ele sai do quarto apagando a luz. Eu quero perguntar ou dizer algo, questionar o porquê e aonde ele vai, mais sei que não posso e estou tão cansada, que me adormento.

***

O sol me beija a pele lentamente, me aquecendo com os raios que atravessam a janela do quarto. Eu me levanto com preguiça, olho no relógio da cômoda, é quase uma hora da tarde. Há tempos eu não dormia tanto. Então vou ao banheiro, prendo o tempo que necessito, fazendo tudo com calma. Tomo banho e nada, não escuto nenhum som vindo de fora do quarto. Pego a minha bolsa que ele deixara na poltrona ao lado da jenala do quarto, pego a camisola que eu tinha preparado na tarde de ontem depois de ter gravado o video, eu estava tão excitada com a noite, mal sabia que aconteceria tudo. Mas enfim, resolvi esquecer algumas partes da noite anterior, lembrando apenas dos deliciosos momentos. Visto-me com aquela lingerie transparente, pois quero sair do quarto pronta para provocá-lo.

Procuro por todo o apartamento e nada dele. Até que sinto um delicioso aroma vindo da cozinha, vou até lá e ele esta cozinhado.

Quando me olha, posso perceber o desejo em seu olhar, mas sua postura é fria, tirando toda e qualquer autoconfiança que eu carregara até ali.

Ele secamente, diz:

―Bom dia, cadela!

―Bom dia Senhor ― Respondo desanimada, enquanto ele continua frio como gelo:

―Bom, eu deixei você dormir, pois senti que estava muito cansada, baseando-me em teus gemidos contínuos. Se não estava tendo um sonho erótico, sentia dores. Então prefiri que se recuperasse totalmente para que possamos prosseguir com sua disciplina nesta tarde.

Fiquei ali com cara de idiota. Eu estava toda cheirosa, com uma lingerie provocante e ouvindo ele falar em disciplina?! Bom, certamente eu não era a mulher mais sexy do mundo, mas estava me esforçando para seduzi-lo e parecia que eu estava vestida da cabeça aos pés, pois ele ignorava por completo minha lingerie e o pior, o meu corpo debaixo dela. Aquela olhar de desejo era apenas para me iludir. Pelo menos, o cheiro exalado das panelas estava muito bom. Ele percebe minha cara de faminta, lança-me aquele sorriso radiante e diz:

―Está com fome, cadelinha?

Logo, lembrei da outra tarde em que ele me fez comer em uma tigelinha e fiquei apreensiva. Mas observei com alívio quando ele pegou um prato no armário. Continuei ali observando-o se movimentar. Ele estava somente com uma calça de moletom, peito nu, cabelos lavados, um cheiro delicioso exalava de sua pele todas as vezes que passava perto de mim. Naquele momento eu pude reparar em seus músculos, na curvatura da sua coluna quando se abaixava. Ele me trouxe o prato, com uma omelete e torradas, o cheiro era perfeito, mas aquele sorriso me atraia mais do que qualquer comida, me puxava para ele como um imã. E neste turbilhão de sensações, somente ali, entendi o que se passava na minha mente e em todo o meu corpo. Toda esta minha vontade de ser dele, toda esta entrega e aceitação por coisas que antes para mim eram impensáveis. Era tão simples, tão claro como a luz do sol, eu estava apaixonada por este homem. Desejo-o além de toda aquela devassidão, além do sadomasoquismo. Era uma loucura infinita, poucos dias atrás nem sonhava que ele existia, hoje morro de amores. Como pode ser? Mas o fato esclarecedor, a úncia certeza era que o desejava em todos os seus extremos. Desejava o seu sadismo, seu depravamento no sexo, sua forma de me fazer gozar. Mas eu também desejava aquele homem de pés descalços na cozinha, cozinhando para mim, aquele homem que me beijava ternamente meus cabelos, que abria a porta do carro, que gargalhava comigo. E como um filme, revi todas as cenas e momentos que tivemos e pude entender que estava com sérios problemas. Porque por mais que ele me tratasse de forma carinhosa em alguns momentos, que me levasse ao céu em gozos infinitos, não existia paixão no seu olhar, não o tipo de paixão que eu estava sentindo.

Sou interrompida por sua voz:

―Aymée você está ai?

Escuto-o me chamar, como se estivesse longe. E quando olho ele está bem na minha frente. Sim, meus pensamentos me levaram para longe por frações de segundos, onde se passou milhões de coisas em minha mente, deixando-me atordoada. Mas era melhor me conter, sendo assim respondo:

―Sim, Senhor. Estou aqui e faminta. Posso comer?

Ele me olha e diz:

―Boa cadelinha! Sim pode comer. Se alimente bem, vou me arrumar, e quando acabar deixe tudo como está. Deixei sobre a sobre a cama algo que desejo que vista para mim. Vou ser bem direto, Aymee: sei quem em poucos dias você retornará ao Brasil. Até então, não havíamos falado sobre isto, mas quero que fique tranquila, se tudo der certa nossa relação sadomasoquista permanecerá, pois voltarei ao Brasil logo depois de você, tenho uma vida lá. Mas para irmos além eu preciso de mais, preciso te levar a um último lugar, para que fique bem claro para você quem eu sou e o que desejo de Você. Depois disto saberemos iremos prosseguir pela mesma estrada.

Dizendo isso, ele se afasta sem querer saber o que penso, ou que tenho a dizer. Enfim, ele se foi me deixando ali com cara de boba. Mal sabia ele que eu estava sim com cara de boba, uma boba feliz, apaixonada. Como estava faminta devorei o prato que ele me serviu em poucos minutos e fui para o quarto. Louca de curiosidade para ver que roupa sexy eu usaria para ele. Mas adentrando o quarto fiquei horrorizada com o que vi sobre a cama: uma camisa longa, mais parecendo um vestido, horrível, de uma cor entre o bege sujo e o marrom desbotado, sem decotes, mangas compridas, sem corte algum na cintura. Mesmo surpesa, vesti-me com aquela roupa que no meu corpo ficou pior ainda. Tentei dar um jeito, prendi uma fita na cintura, me maquiei, prendi os cabelos num longo rabo de cavalo passei perfume e fui até a sala. Ele já estava lá sentado lendo o jornal, aguardando-me. Quando me aproximo, ele me olha de cima a baixo e sorrindo me disse com ironia:

– Aymée, na verdade quando escolhi aquela roupa, queria você o mais simples possível e isto incluia não se maquiar e nem se enfeitar, achei que você entenderia meu recado. Que para onde iremos não necessitará de tais coisas, pois o que acontecerá nesta tarde será algo sem luxos. Mas enfim, vamos estamos atrasados. Dizendo isso saiu andando a minha frente. Eu fui andando, atrás dele, ainda sem entender nada, mas sabendo que estava num momento de não questionar, apenas obedecer.

Chegando à garagem, ele abre a porta do carro para mim. Entro, encosto no banco e fecho os olhos. Ele entra, aperta o play de sua playlist que reconheço que é de arrancar qualquer mortal que tenha um coração, suspire e viaje sonhando. Desta vez eu conheço a música: “Tango for Evora”. Eu continuo com os olhos fechados, deixando-me levar. Lembro neste instante no que o Lucas dissera uma vez a respeito de sentimentos que são até bem vindos, mas raramente são correspondidos. E quanto ao ciúme, este jamais deveria ser demonstrado.

A melodia da música “Loreena Mc Kennitt – Tango to Evora” me transporta aos pensamentos para nossos momentos de sexo selvagem. Acredito que meu corpo ja esteja me denunciando.

Abro os olhos ele e vejo que ele me olha de lado com sorriso enorme nos lábios. Então, ele quebra o silêncio, dizendo:

―Sei que você gosta, realmente é uma linda música. Posso perceber que te faz voar em pensamentos e são estes sentimentos que me deixam curioso. O que está pensando?

Eu me assusto, pois não posso dizer. Então penso rápido e encontro uma boa desculpa:

―Estou pensando onde me levará e por que.

Assim que termino de perguntar ele me responde:

―Olhe para frente e saberás.

Eu olho e vejo o imponente Castel Grande o Castelo das festas sadomasoquistas. Descemos do carro, mas não entramos pela parte principal, desta vez ele me conduz para o outro lado e abre uma grande porta de lenha de mais ou menos três metros de altura, com grandes fechaduras de ferro em formato de testa de Leão. Ele abre e adentra calmamente, e eu o sigo. O ambiente está iluminado apenas com luzes das tochas nas paredes de pedras. Descemos uma longa escada e tudo vai ficando sombrio e frio. A escada termina na frente de outra grande porta no mesmo estilo da primeira. Mas desta vez, antes de abrir, ele se vira para mim, e pergunta:

―Confia em mim, cadela? Alguma dúvida sobre sua submissão a mim?

―Confio em ti, Senhor. Estou pronta a servi-lo. ― Respondo confiante.

Ele sorri, e novamente estou babando apaixonada naquela boca e naquele sorriso perfeito. Ele tira algo do bolso de trás da calça, vejo um longo lenço preto. Percebendo que estou confiante ele contiua, e venda os meus olhos, dizendo:

―A partir de agora, cadela, meus olhos serão teus olhos, seguirá meus passos. Hoje vou te mostrar algo muito além do que já provou até agora. Algo a dizer?

Receiosa do desconhecido, mas confiando em meu coração, respondo:

―Estou bem, confio no senhor, Dono.

Então, ele me conduz calmamente. Caminhamos um pouco, sinto que está cada vez mais frio. De repente ele respira bem próximo ao meu ouvido e encosta-se em mim. Sinto sua excitação na minha bunda e tento provocá-lo. Ao perceber meu jogo ele diz:

―Silencio! Fique quieta. Ainda não. Neste momento tenho outros planos.

Escuto barulho de metal. Ele pega meus pulsos e sinto algo frio e pesado nos meus braços. Suponho que deve ser uma corrente de ferro. Ele fecha algo e solta. Meus braços estão presos para cima. Ele alisa minhas coxas quase tocando a entrada da minha vagina. Ele afasta minhas pernas e prende também os meus tornozelos.

Ele sobe alisando meu corpo, apertando. Depois invade minha boca em um beijo, onde termina mordendo os meus lábios. Eu sinto algo pontiagudo percorrer meu corpo. E ao perceber o meu desconforto ele diz:

―Não se assuste! E não tente se mexer, pois tenho uma faca nas mãos. Isto, quietinha! Não se mova, vou cortar estas roupas. Você não vai precisar delas e eu prefiro seu corpo nu.

Dizendo isto escuto o barulho dele cortando o tecido e agora estou nua. Ele alisa minhas coxas, toca de leve meu clitóris e com outra mão belisca um de meus mamilos. Neste momento solto um gemido que ele sufoca com um beijo, terminando com uma mordida no meu lábio superior. Ele sussurra em minha boca:

―Silêncio! Melhor ficar caladinha ou te colocarei uma gagball.

Dizendo isto, ele me abandona ali presa e totalmente perdida por não saber o que vem depois. Escuto algum barulho ao longe e depois o silêncio total. Eu fico ali pensando quanta coragem eu tinha de estar naquela situação com um homem que mal conhecia. Mas pelo menos o meu grande amigo Lucas sabia onde eu estava. Depois do longo silêncio ele volta, sinto seu toque nos meus cabelos, ele alisa meu corpo levemente e eu rebolo como posso, implorando para que ele me possuisse logo. De repente sinto o grito dele.

―Tire as mãos do que é meu!

Sinto um arrepio por todo meu corpo. Como assim tirar as mãos do que é dele? Quem me tocou?

Escuto uma risada sarcástica e logo aquela voz que me fez sentir enjôos.

―Desculpe, Tyeree! Mas pensei que era alguma submissa atrás de uma sessão avulsa. Afinal, ela estava aqui sozinha como deixamos todas aquelas que podem ser usadas por todos. E não se ofenda com o elogio que vou fazer, você tem um belo material aqui!

Escuto um barulho de confronto fisico e a voz alterada de Tyeree.

―Dom Atrius, deveria ter mais respeito com minha menina! Ela não sabia quem era já que está vendada. Mesmo que fosse uma submissa atrás de uma sessão avulsa ou alguma submissa para o uso de todos, merece respeito. E antes de tocá-la deve ter a cordialidade de se identificar e obter o consentimento da mesma para ser tocada.

―Solte-me, Tyeree! Eu posso ter errado, mas admita que sua cadela não conhece seu toque, seu cheiro. ― Retruca aquele homem atrevido.

Tyerre responde furioso:

―Saia daqui, Dom Atrius! Ou não respondo por mim! Vou esquecer minhas boas maneiras e as regras que seguimos aqui.

―Tudo bem, Tyeree, não precisa dizer mais nada. Bom divertimento!

Eu escuto tudo e permaneço sem reação, volto em mim quando sinto barulhos metálicos pelo chão. E sua voz ainda nervosa que me diz:

―Eu não vou te culpar, Aymeè, mas em tudo o que ele disse uma coisa é um fato verdadeiro: você não conhece meu toque…

Eu tento me explicar:

– Mas… Senhor, eu não podia saber… Achei…

Sinto um forte tapa na bunda e sua resposta imediata:

―Você, cadela insolente, a partir de hoje vai me conhecer de olhos fechados, porque vou marcar seu corpo e alma. Marcarei cada poro de sua pele que responderá apenas ao meu toque. Sua boca desejará somente os meus beijos. E estará sempre pronta para satisfazer os meus desejos.

Dizendo isto ele se aproxima ainda mais, puxa meus cabelos, morde meu pescoço e tira minha venda.

Olho ao meu redor, tentando satisfazer a minha curiosidade de onde estamos. A sala é cheia de instrumentos estranhos, eles me lembram instrumentos de tortura da Era Medieval. À minha frente, um grande espelho estilo medieval onde vejo o meu reflexo. Eu estava ali exposta, nua e com ele atrás de mim com olhos famintos. Decido assitir tudo que está por acontecer através daquele espelho. Ele já estava sem camisa e tirando o cinto quando olha para mim dizendo:

―Lembre-se: a única palavra que me fará parar é “vermelho”. Você entendeu?

―Sim, meu Senhor. ― Respondo nervosa mas muito excitada.

Ele lança o primeiro golpe de cinto, dos meus olhos descem lágrimas silenciosas. Eu sinto dor, mas ver ele excitado desta forma, com este ar selvagem, servia-me como uma poderosa morfina. Eu perco a noção de quanto ele me golpeia com o cinto. Ainda inebriada percebo ele jogar o cinto no chão, em seguida se afasta e examina minhas costas e minha bunda que estão pegando fogo. Orgulhoso, ele alisa a minha pele apreciando o resultado de sua obra. Ele me faz desviar os olhos para seu corpo quando me diz:

―Te marquei por fora, agora te marcarei por dentro! Possuindo-lhe, usando este seu corpo delicioso.

Ele diz isto tirando sua calça e minutos depois prossegue alisando sua deliciosa ereção. Ele se posiciona atrás de meu corpo. E eu me abro o máximo que as correntes na minha perna e braços permitem. Em uma estocada profunda, sinto-o abrindo-me, me preenchendo. Meu corpo o reconhece e o acolhe em meu íntimo pulsante. Seus  movimentos são rítmicos. Suas mãos nos meus cabelos me dão ainda mais tesão, tento me inclinar mas as algemas das minhas mãos me impedem movimentos maiores. Ele sai de dentro de mim, dou um gemido de abstinência. Mas fico feliz ao ver que ele solta meus pulsos e pés ele dizendo:

―Quietinha, minha cachorra! Quero você solta para rebolar para mim. Você vai mostrar este seu lado de puta que vive no cio. Venha!

Ele se senta no sofá, puxa-me para o seu colo, virando-me de costas para ele. Ele me faz encaixar deliciosamente em seu pênis ereto. Era impressionante como ele se encaixava perfeitamente dentro de mim, parecia feito sob medida.

Ele morde, beija chupa as minhas costas, o meu pescoço falando baixinho ao meu ouvido:

―Diga cadela: A quem você pertence?

Ele me faz sentar com força, me segura a bunda com força, me impedindo de rebolar. Mal posso me mexer, uma vez que ele aperta minha bunda que ainda queima das cintadas que ele me dera minutos antes. A cada aperto, eu solto um gemido ainda mais alto. Mas tudo aquilo o excitava, pois o sinto seu membro pulsar dentro de mim. Meu sexo está encharcado, meu gozo molha a sua carne.  Então ele diz que me preenche por inteiro me fazendo responder em um gemido:

―Sou sua, meu Senhor! Toda sua… Ah!

Ele cresce ainda mais, sinto uma dor deliciosa por suas estocadas fortes e por suas mãos que castigam meus mamilos. Ele ofegante me diz:

―Goze comigo cadela, mostre que você é minha e seu corpo me pertence.

Eu sinto minha cabeça ficar leve, minhas pernas tremem e quando sinto ele pressionar meu clitóris, eu me liberto ao prazer, eu me rendo e sinto ele me inundando com seu gozo quente. Meu orgasmo é intenso e poderoso que não pára, mesmo após ele ter gozado. Eu continuo em delírios e acabo dizendo:

―Sou sua, toda sua! Sou teu brinquedinho, tua puta e eu…eu…eu te amo.

Quando cessam as ondas de calor eu volto em mim e percebo que me deixei levar e falei demais. Ele me abraça depois de tudo, ainda está dentro de mim, mas algo me faz perceber que ele está distante. E que minha declaração não tinha que ser feita.

Nossa respiração se acalma. Ele me acompanha ao banheiro, abre o chuveiro e entramos juntos embaixo da ducha morna. Ele ensaboa meu corpo, meus cabelos, tudo em silêncio e eu também nem sei o que dizer. Naquele momento, sinto-me tão bem cuidada, tão protegida.

Ele quebra o silêncio, dizendo-me para fazer o mesmo com ele. Estou tremendo, pois tocá-lo é um prazer indescritível para mim. Eu passo a esponja por todo aquele corpo que me enlouquece. Mas seu olhar continua tão distante que me faz hesitar por um momento, fazendo-me parar. Ele me olha nos olhos, enquanto enxágua seu corpo, mas não me diz nada. Ele sai do banho voltando minutos depois com minhas roupas. Não diz nada além de me mandar enxugar bem os cabelos e sai do banheiro. Arrumo-me e volto para onde estávamos. Ele já está vestido e como está falando ao celular, ele me faz um gesto para segui-lo. Enquanto fazemos o caminho de volta, tento prestar atenção no conteúdo de sua conversa e logo percebo que é sobre trabalho.

Ele me conduz até o carro. Eu entro e ele em seguida ainda falando no celular. Através da janela fico observando o reflexo do sol na neve, um espetáculo curioso visto que faz muito frio, minhas mãos estão congelando, ele aumenta a temperatura no carro. Depois coloca sua pen drive, coloca seu óculos de sol e finalmente dá partida no carro, desligando o celular em seguida. Ele não me olha em nehum momento, sua concentração é toda na estrada. E a minha concentração é naquela figura imponente, exalando masculinidade. Este homem que é capaz de me dar o céu e o inferno com a mesma intensidade.

Ouvindo aquela música  “Michael Bolton – Said I Loved You But I Lied” . Seguro o fôlego para não chorar. Será que aquelas palavras são para mim, em uma mensagem codificada? Que tola que sou! Ele não pode estar sentindo nada por mim; o Lucas me disse que dominadores raramente demonstram o que sentem e são poucos os que sentem algo além do sentimento dominador por submissa. Mas é que às vezes ele é tão carinhoso, tão divertido e preocupado comigo, ai que confusão! Sinto suas mãos em minhas coxas e sua voz que me faz parar de pensar todas aquelas sandices:

―Pare de tentar decifrar o mundo, Aymée! Não sofra com seus pensamentos!

Sinto-me envergonhada, pois parece que ele leu meus pensamentos. Eu não consigo responder, apenas concordo com a cabeça.

Minutos depois ele chega ao meu hotel. Sinto-me mal quando ele desce, abre a porta do carro e me abraça, dando apenas um leve beijo em minha testa.

Balbucio:

―Mas Senhor, eu…

Ele toca meus lábios com um dedo me dizendo:

―Ssssshhh! Não fale nada, minha pequena. Você precisa disto. Vamos conversar em breve, até lá se acalme.

Dizendo isto ele se afasta e eu fico ali parada olhando-o entrar no carro e sair.

Chego ao quarto tiro minhas roupas e me jogo na cama. As lágrimas estão brotando em meu rosto. Pensei que este fim de semana seria mágico, afinal semana que vem volto ao Brasil. Tudo bem que daqui a uns dias estaremos os dois em solo brasileiro, mas e se ele não me quiser mais como submissa, como ficará o meu coração?! Preciso relaxar, tomo banho e resolvo pegar o meu notebook e me jogar na cama. Eu coloco a música perfeita para este momento: “Baby Can I Hold You – Tracy Chapman”.

Eu começo a viajar nas lembranças do meu corpo no dele. Depois de um tempo alguém me chama no chat e para minha surpresa é ele.

―Olá, minha cadela. O que está fazendo?

Chorando! Grito na alma. Mas me controlo e escrevo:

―Respondendo alguns e-mails, Senhor.

Ele continua:

―Hum… Pensei que iria descansar. Está na cama?

―Sim, senhor.

―Vestida?

―Não, Senhor. Estou nua.

―Ótimo. Quero que ligue o áudio, vai ouvir minha voz, obedecer e responder aos meus comandos.

―Sim Senhor.

Pego os fones de ouvido, ele me chama. Respiro forte por alguns segundos esta voz de choro tem que sumir.

Atendo. Ele diz:

―Não gosto de esperar Aymée. O que estava fazendo?

Tento disfarçar:

―Problemas técnicos, meu Senhor.

– Ok, Aymée. Respire fundo, minha cadela. Enviei-lhe uma música como arquivo, será nosso fundo musical. Abra agora!

Abro o arquivo: “Killing Me Softly With His Song – Roberta Flack”. A música me faz sentir mais nua ainda. Ele diz:

―Feche os olhos, minha menina.

Eu fecho e ele continua:

―Estou ai com você. Suas mãos são minhas mãos. Quero você pronta para mim Aymée.

Estou tocando seu rosto, deslize lentamente pelo seu delicado pescoço, deslize sobre seus deliciosos seios, não pare, deslize por sua barriga, alise suas coxas, diz pra mim:

―Quem é minha cadela?

Estou ofegante parece que ele está aqui. Respondo então:

―Eu sou tua cadela, Senhor.

Ele suspira ,sua voz fica mais intensa:

―Você está molhada pra mim posso sentir teu cheiro. Vc está excitada, Aymée?

―Sim Senhor

―Quer se tocar, cadela?

―Sim, Senhor.

―Mas não é você. Sou eu a te tocar! Abra-se,castigue,brinque com seu grelinho.

Aperte seus mamilos, vou colocar pregadores neles em breve. Você está gemendo minha cadelinha linda?

―Sim, Senhor.

―Por quê?! Diz pra mim…

―Desejo-lhe, Senhor… Ahhh!

―Quer me sentir dentro de você agora?

―Oh! Sim Senhor!

Respondo ofegante. Ele está me enlouquecendo, não é normal ter tanto tesão assim em um homem.

Ele me diz:

―Cuidado com o que deseja Aymée, sonhos se tornam realidade se você deseja forte.

―Ó Senhor, por favor…

A campainha toca. Dou um pulo na cama, mas ainda tenho os fones e ele me diz:

―Escutei a campanhia. Vá até a porta, mas quero que atenda a porta nua. Não me decepcione.

O que nua? Ele está louco?! Mas respondo:

―Sim, Senhor.

Respiro. Visto meu roupão de seda e abro. Para minha surpresa ali está ele, na minha frente. Meu Dono, Tyerée. Estava usando o chat do celular o tempo todo! Seu olhar me queima. Meu coração, dispara, tento controlar minha respiração. Ele entra de uma vez, olha-me nos olhos, enquanto fecha a porta e diz:

―Menina travessa e desobediente! Eu disse sem roupas.

Ele desce meu roupão pelos ombros, e me puxa até a cama onde ele senta e me empurra no seu colo com o bumbum pra cima.

― Já sabe o que merece! E a safeword conheces muito bem. Só a use se quiser realmente que eu pare.

―Sim, Senhor.

Ele me golpeia. Eu gemo. Ele aumenta a freqüência, a intensidade e sua ereção cresce ainda mais dura em baixo de mim. Estou molhada, gemendo. Implorando no meu interior para que ele me possua.

Ele me puxa, se levanta e liberta a sua imponente ereção, fazendo sinal para ajoelhar-me. Obedeço, caio de joelhos abocanho faminta aquele delicioso membro. Oh! Este homem me enlouquece. Ele não me deixa ir muito além, me empurra contra a parede, levanta minhas coxas e entra em mim com uma fúria louca. Quando aperta minha bunda ainda ardendo, ele beija minha boca com delicadeza. Mas me penetra tão profundo que solto um longo gemido e me aperto nele, alisando suas costas. Ele morde meu pescoço, minha boca. E suas estocadas aumentam, eu gemo languidamente:

―Ó Senhor!

Sussurrando ao meu ouvido ele diz:

―Doce menina, minha menina.

Nossos corpos agora são um. Não sei onde ele começa ou onde eu termino.

Nossas respirações entrecortadas e nossos corações parecem bater no mesmo ritmo. Ele me puxa cabelo, enquanto dá chupões no meu pescoço. Ele explode seu gozo, inundando-me com seu intenso prazer. Eu não me seguro e mesmo sem ele autorizar gozo também. Ele se acalma, segura meu rosto, invade minha boca com sua língua hábil, deixando-me louca.

Então ele diz:

―Gosto de você, Aymée, mas não como você espera. Não misture, não confunda as coisas, não quero você machucada. Sou seu Dono, não sou seu namorado, tampouco seu marido, não posso…

Antes que ele terminasse a frase, não contenho as lágrimas e tento sair, mas ele me segura.

A música “The Manhattans – Kiss and say goodbye” toca em meu notebook, piorando ainda mais as suas palavras e eu nem consigo olhá-lo.

―Olhe pra mim, Aymée! Não chore, minha menina.

Dizendo isto ele me abraça forte, enxuga minhas lágrimas, e diz calmamente:

―Seu sentimento é bem vindo desde que não prejudique nossa relação D/s. Psiu! Acalme-me, eu te desejo muito. Gosto de você, pois é minha menina, minha puta, minha cadela. E independente do que for; acima de tudo, você é minha. E como sou teu protetor, não quero que sofra. Sentimentos baunilhas, ciúmes e joguinhos não serão bem vindos! A paixão que sente converta em submissão. Não estou te deixando. Você entendeu, Aymée?

Não posso desviar do olhar dele neste momento, mesmo com as lágrimas que turvavam a minha visão. Pois seus olhos me hipnotizam e mesmo seus lábios dizendo-me palavras diferentes das que eu queria ouvir, eles me enfeitiçam e estranhamente me acalmam. E então eu respondo:

―Sim, Senhor.

Ele então me carrega até o banho e ao som da música “Amor Amor – budha bar”. Ficamos ali abraçados, respirações descompassadas embaixo da ducha.

Perco a noção do tempo. Ainda bem que a água que banha nossos corpos camufla minhas lágrimas. Ah! eu o Amo, mas sei que é errado, não suportaria perdê-lo. Farei tudo para ser perfeita para ele.

Seguimos para a cama ele me faz deitar em seu peito, alisa meu rosto, beija meus cabelos, acalma-me até que adormeço em seus braços.

***

Acordo ele não está comigo. Tem um bilhete ao meu lado:

            Bom dia, minha pequena! Tenho o dia cheio, reunião de trabalho e jantar de negócios. Aproveite o dia de hoje para se despedir da Itália. Divirta-se.

Um arrepio me percorre a espinha. Estar o dia longe dele me fazia sentir vazia e ao mesmo tempo sentir alívio. Sim, pois cada minuto ao lado dele, mais apaixonada eu ficava. Começo a arrumar as minhas roupas que estavam espalhadas aqui e ali, depois

vou ao banho e fico momentos deliciosos relaxando na banheira lembrando do corpo dele no meu. Mas não me masturbo, do jeito que é previsível e controlador é capaz de mandar-me uma video chamada bem no ápice.

(risos) Como submissa sei que ele não permitiria, afinal muitos dominadores fazem isto com suas submissas, privando o prazer, mas quando ele o concede tudo fica mais intenso. Digamos que é uma valorizão do ato em si, quanto mais se deseja algo e não pode tê-lo, mais o desejo aumenta e quando o mesmo se realiza é tudo espetacular.

Tudo começava a fazer sentido na minha cabeça, então as regras dele seriam seguidas passo a passo para o nosso prazer (risos). Pego o celular penso, por um momento que a parte física deste jogo está sendo fácil entender, mas a parte sentimental… (respiro fundo).

O que está acontecendo comigo? Penso nele 24 horas do dia, com um tesão incontrolável. Estou completamente apaixonada, viciada nele e ele é imune a tudo isto. Será o que ele está fazendo agora? E se estiver com outra? ― Francamente! ― brigo comigo mesma. Que ciúme idiota! Eu sou a posse ele me possui. Ele me controla eu não controlo, nem possuo nada. Então me lembro das palavras dele: “converta seu sentimento baunilha em submissão”. Então resolvo escrever um sms para ele:

 

“Bom dia querido Senhor.

Sua menina acordou manhosa e cheia de desejos. Estou tão molhada, tão excitada lembrando de você.

Ó Senhor! Queria estar de joelhos em baixo de sua mesa, enquanto o Senhor trabalha. Dando-lhe o carinho e o prazer que merece.

Sua Aymée”

Aperto o envia e fico ali sorrindo com o celular na mão. Não demora tanto e a resposta chega. O medo toma conta de mim por alguns segundos. E se ele se enfureceu porque está em reunião e eu o atrapalhei? Agora era tarde, o jeito era assumir as consequências e abrir a mensagem:

 

“Bom dia minha menina fogosa.

Me dá prazer saber que está como uma cadelinha no cio,

pensando em mim.

E saber que você está deliciosamente

molhada por mim, deixou-me de pau duro aqui.

O problema, cadelinha, é que estou trabalhando, o dia está cheio. Mas vou encontrá-la mais tarde. E prepare-se; terá uma punição por me provocar assim. Prepare esta bunda deliciosa, minhas mãos anseiam esquentar sua carne! Mordidinha do seu Dono Tyeree. ”

Nossa! Agora estou quase gozando sem me tocar. Se eu continuar lendo e imaginando, vou acabar com os dedos encharcados. Meus pensamentos são interrompidos por outro sms:

“- Imagino que esteja louca para gozar. Mas lembre-se que eu NÃO autorizei. Se quiser aliviar este vazio em suas entranhas pegue um vibrador e brinque livremente com ele, mas NÃO GOZE!”

Oh! Que diabos! Quer me enlouquecer? Não posso fazer isto. Então eu resolvo ligar para o Lucas para atualizar nosso amigo dos acontecimentos dos últimos dias.

***

O Lucas e eu passamos o dia juntos passeando pela cidade e falando de tudo. Ele me deu muitos conselhos e puxões de orelha. À noite, decidimos beber algo em um bar do centro. Altas risadas. Meu stress alivia. Estamos bebendo um Frizz aperol, bebida muito conhecida na Itália feita prosecco, uma dose de aperol, uma fatia de laranja e cubos de gelo. Por ser refrescante e leve, perco a conta de quantas bebi, mas sei que fora o suficiente para me deixar bem alegre. Lucas continua a me dar conselhos:

―Relaxa, Aymée! Você e o Tyerée têm um lindo futuro traçado pelo destino. Pare de se atormentar e coloque esta submissa dedicada em ação. Mostre a sua entrega para ele.

―Você tem razão, Lucas. Vou lutar por ele. Vou afastar meus fantasmas. E encarar o que ele tem para me oferecer. ― Respondo depois de virar de uma vez a taça de bebida.

Ele me diz com tom de deboche:

―Boa menina; sempre soube que você era uma cadelinha adestrada!

Dou um sorriso sarcástico e antes que eu responda o garçom nos interrompe dizendo:

Ecco signora un n’altro frizz aperol offerto del signore che é la giú, seduto nella fina del balcone.

            ―Grazie. ― Respondo sem jeito:

Pelo meu italiano meio boca o homem que está sentado no fim do balcão do bar me ofereceu uma bebida. Eu aceito, estou um pouco sem graça, mas conforme o costume local levanto a taça em direção à ele, dou um sorriso e faço brinde.

Antes que o Lucas podesse fazer uma piadinha, seu celular toca e ele sai para atender lá fora. Aproveito e vou retocar a maquiagem. Penso no Tyerée, será que horas ele vai me ligar?! Saio do banheiro e me esbarro em alguém que me abraça forte. Ao levantar a cabeça vejo o tal italiano que me ofereceu a bebida. Ele dá uma risada, diz algo que não entendo e depois me dá um beijo na boca. Dou-lhe um chute e o empurro para longe. Ele me solta, eu subo as escadas correndo e volto para o bar. E novamente me esbarro em alguém no fim da escada. E uma voz conhecida me repreende:

―Quando eu disse aproveitar a Itália se despedindo, não me referi a você sair distribuindo beijos por ai, cadelinha…

Tento me explicar:

―Eu…, eu não fiz nada eu… Apenas…

Ele me interrompe:

―Psiu!, eu sei que você não fez de propósito. Mas errou quando aceitou a bebida. Mas isto agora é irrelevante. Apenas te gerou um castigo a mais.

Quando ele termina de dizer isto o italiano passa por nós e fala:

Scusa non sapevo que lei c’era un ragazzo…

Tyerée lança um olhar feroz e entre os dentes responde:

Va bene! Pero stai lontano da lei casomai avrai dei problemi. Lei appartiene a me!

Pelo que entendi o italiano se desculpou, alegando não saber que eu tinha alguém, e Tyerée revidou, dizendo para que ele ficasse longe de mim, caso contrário teria problemas, pois sou propriedade dele.

Lucas chega neste exato momento, mas antes de falar algo Tyerée pede que eu espere, se afasta com o Lucas e permanecem conversando por uns minutos. Depois os dois voltam a mim, Lucas se despede, dizendo-me para aproveitar a noite e sai do bar.   Tyeree pega na minha mão com força e me leva para fora do bar.         Ele me conduz até seu carro, mas me empurra contra a porta antes de me abrí-la e me beija de maneira voraz. Invadindo-me, possuindo-me, enlouquecendo-me. Suas mãos passeiam pelo meu corpo e beliscam meus mamilos através do decote. Excito-me tanto que minha lubrificação escorre até as meias 7/8. Ele me solta, deixando-me respirar novamente. Faz-me entrar no carro e assim que começa a dirigir já me avisa:

―Não quero ouvir nenhuma palavra!

Eu concordo movimentando a cabeça. Estou tremendo não de medo; mas de excitação.

Ele liga o rádio e tento me concentrar na letra da música “Birdy – Skinny Love” para acalmar a explosão hormonal.

Enfim, chegamos ao prédio dele. Estar todo este tempo com esse tensão me deixava ainda mais nervosa.

Somente quando o elevador chega ao andar do seu quarto, é que ele resolve falar comigo. Enquanto tira um lenço de seda preto do bolso de seu casaco ele me diz:

– Confie em mim, agora vou vendar teus olhos. Ainda não quero que veja o que preparei para você.

Ele espera aprovação em meus olhos e eu concordo com um movimento de cabeça. Então ele me venda e me conduz quarto adentro. Sinto cheiro exótico no ar. Sinto suas mãos em minhas coxas e logo em seguida seus dedos dentro de mim; estou encharcada. Os seus movimentos me explorando o íntimo e me faz soltar um gemido que é impedido com um beijo. Ele tira minhas roupas, deixando-me apenas com as meias e os saltos.

Ele chupa, morde, e lambe de maneira frenetica os meus mamilos. É tudo tão intenso quando se é privado da visão… Sinto o frio metal apertando meus mamilos. “Oh! os pregadores”. No início sinto uma dor insuportável, mas logo sinto alívio e me abandono ao prazer de sua língua no meu clitóris que por poucos segundos não me leva ao gozo. Ao perceber que estou “quase lá” ele para de me chupar, aproxima-se e beija minha boca com o sabor do meu corpo em sua língua. Ele me encosta de frente à parede, sinto tecido nos meus pulsos e logo ele os prende no que suponho que seja o gancho para cabides.

Ele sussurra ao meu ouvido:

―Chegou a hora do nosso acerto de contas, minha pequena!

O tom da voz dele me toca o corpo como se fosse a mais doce carícia e ao mesmo tempo o mais doloroso espinho. Eu estava apaixonada pelos extremos daquele homem, anjo e demônio em um delicioso corpo. Ele me chama atenção dizendo:

―Você lembra-se da safe Word, cadela? Lembre-se de usar a palavra de segurança apenas se necessário.

Eu concordo, balançando a cabeça. Ouço uma risadinha, enquanto ele alisa minhas costas fazendo todo o meu corpo arrepiar. Ele aperta minha bunda e depois sem dó alguma, enfia um vibrador na minha vagina. Girando aquele objeto grosso dentro de mim para logo em seguida tirá-lo e enfiá-lo de uma só vez em meu cuzinho. Eu solto um gemido. Ele me abraça e sinto sua pele nua e quente colada à minha, que por sua vez está em chamas. Ele some por uns instantes e depois volta apertando minha bunda, massageando minhas costas, e logo entendo o que virá.

Após algum tempo, sinto os golpes do chicote que fazem arder a minha carne. Eu gemo baixinho, mas não reclamo. E ele continua e a minha dor já não existe, ela deu lugar a minha excitação que está a mil por hora. Sinto-me leve e o som do chicote fica cada vez mais longe e agora é só o silêncio e o breu total.

De longe sinto sussurro:

―Aymee, fala comigo. Acorda, minha pequena!

Tenho uma sensação indescritível que me invade corpo e alma. Estou leve, sinto um toque frio na minha pele. Não sei por quanto tempo permaneci neste transe. Lembro-me de abrir os olhos e ver o olhar carinhoso e preocupado do Tyerée.

Não pude me conter, cai em uma crise de choro. Estava no colo dele entre seus braços, e com toda a paciência do mundo. Ele me mimava, enxugava minhas lágrimas e me explicava que tudo o que tinha acontecido era normal. Que entrei em transe, que não respondia as ações que me provocavam. E que este estado era chamado de “Sub Space ou Subespaço” termo usado no meio BDSM para explicar o estado de transe onde seja por dor ou prazer o submisso poderia entrar em determinadas situacões de extrema intensidade.

E que se o Dom não possuir conhecimentos sobre o assunto pode ser perigoso, pois neste transe a submissa não é capaz de responder, portanto não vai pronunciar a safeword nem mesmo sob a mais forte disciplina. E o resultado pode ser trágico!

Mas ele cuidou de mim. Tyerée percebeu quando eu não mais respondia, quando minhas pupilas dilataram, meu corpo deu espasmos e eu não reagi a nenhum estímulo. E agora eu estava ali no seu colo, recebendo todo carinho atenção e explicações que eu precisava para me acalmar.

Quando as lágrimas cessaram, ele carinhosamente me leva à banheira, onde permanecemos um longo tempo imerso num delicioso banho de espumas. Eu estava me sentindo abençoada por ter um homem tão maravilhoso assim, não queria deixar seus braços, pois neles eu encontrava toda a segurança que eu precisava. Depois do banho tomado e muito conversa, fomos para a cama e dormimos abraçados.

***

Sinto o vento frio que entra pela janela, está chovendo muito lá fora. Só não estou tremendo porque o corpo quente do meu amado Tyeree me envolve em seus braços. Este homem definitivamente me fazia sentir uma devassa. Sem ao menos tocar-me, ele me provocava as mais loucas sensações, sinto o volume de seu membro encostado na minha bunda, ele nem está ereto, mas somente de senti-lo encostando-me já fico com tesão.

Meus mamilos ficam intumescidos, aperto as coxas querendo aliviar a pulsação em mim vagina. Faço tudo de forma suave para não acordá-lo, o que foi em vão. Pois ele sussurra ao meu ouvido:

―Hum! Minha cadelinha está no cio?

Agora sim me arrepio, pois ele beija meu pescoço, morde e suga intensamente, enquanto me faz abrir as pernas. Ele toca meu clitóris. Oh! Como é bom sentir os carinhos dele nestes lençóis de seda que alisam nossos corpos nus…

Gemo languidamente. Ele belisca meus mamilos, senta-se na cama e puxa-me para o seu colo, onde em um gemido ele entra em mim com toda sua virilidade e excitação. Aperta minha bunda e sussurra:

―Isso! Não se envergonhe. Rebole, mostre todo o seu desejo por mim.

Eu rebolo e o sinto inchar, crescer endurecer dentro de mim. Ele me gira como uma boneca sob sua ereção, me fazendo gemer ainda mais alto. Até que ele me deita de uma vez na cama e sem sair de dentro de mim, me penetra ainda mais fundo e olhando nos meus olhos diz:

― Minha doce e deliciosa menina! Quero o seu gozo. Venha comigo, te arrasto ao inferno dos nossos desejos e você me dá o paraíso com nosso ápice de prazer.

Somente com suas doces palavras ele me enlouquece ao ponto de me dissolver. Meu corpo reage de imediato eu o abraço ainda mais. Sinto os seus dedos nos meus cabelos, os seus gemidos, meus gritos, minhas lágrimas de prazer, os espasmos, envolvendo, apertando o membro dele dentro de mim. Ele explodindo, me inundando e me levando à loucura. Nossas respirações alteradas e enquanto a boca dele me invade eu penso:

“Sua, totalmente sua, meu Senhor. Quero, preciso do teu inferno e do teu céu.”

E será doloroso entrar naquele avião depois de amanhã.

Ele como sempre, parece adivinhar o que sinto e penso. Abraça-me ainda mais forte e sussurra ao meu ouvido:

―Não tenha medo, minha criança. Curta nossos momentos. Não pense em tempo, pense apenas no hoje. Agora durma meu anjo eu cuido de você não tenha medo.

Lágrimas surgem em meus olhos, mas não quero que ele perceba, tenho que me acalmar e no calor dos braços dele eu adormeço.

***

Acordo me sentindo maravilhosamente bem, mesmo ele não estando na cama ao meu lado.

Vou ao banheiro, abro a ducha e delicio-me, ensaboando meu corpo com o sabonete líquido dele… Ah! Cheiro do Tyeree …. Passo lentamente as mãos no meu corpo, como posso me excitar tanto mesmo depois de tanto sexo, tanto carinho? Fecho os olhos, desço minhas mãos até as coxas e levemente toco meu clitóris, mas antes de qualquer reação sou pega de surpresa pela voz dele:

―SEU GOZO ME PERTENCE, CADELA! NÃO TE AUTORIZEI A GOZAR.

Assusto-me, abro os olhos e o vejo diante da porta do banheiro com um olhar furioso, mas em seus lábios um sorriso de prazer único por ter me flagrado e saber o quanto o desejo. Só um cego não veria quanto ele se tornou um vício para mim. Tento me explicar e ser sincera como o Lucas me ensinou:

―Senhor, eu vivo em um cio contínuo por você. Meu corpo te chama a todo o momento. E tenho sempre a necessidade de senti-lo dentro de mim. Estou ficando louca de desejos e não consigo me controlar…

Ele fecha o chuveiro, aperta meu braço e olhando nos meus olhos diz:

―Isto é perfeitamente normal, todo este seu desejo por mim é que seu corpo já sabe que me pertence, que sou teu Dono. Mas isto não te dá o direito de se aliviar sem meu consentimento. Toda ação tem uma reação menina. E esta sua tentativa de aliviar-se sem minha autorização terá um preço. Não vai ser agora, pois preparei seu café e te quero bem alimentada e cheia de forças para minha disciplina. Enxugue-se e venha tomar café da manhã e não me faça esperar.

Dizendo isto, ele me solta e sai. Fico ainda mais excitada com a fúria dele e o desejo em sua voz. Céus! Estou realmente ficando louca. Enxugo-me e visto um baby-doll que eu tinha deixado ali em outra noite. Vou até a cozinha. Logo ele me manda sentar.             Iniciamos a tomar o café e então ele diz:

―Esta noite você deveria repousar para a sua viagem amanhã. Mas tenho planos com você. Lucas concordou em arrumar suas malas, ficarei com você até o último momento do seu embarque.

Sinto um frio na barriga, emoção pelo carinho dele e também medo, tristeza por deixá-lo.

Ele me olha como se esperando que eu me manifestasse e então respondo:

―Farei como o Senhor desejar.

Terminamos o café em silêncio. Então ele me manda ir esperá-lo no escritório.

Obedeço rapidamente. Ele entra depois de um tempo e me manda ficar em pé, e ordena que eu me apoie em sua cadeira. Um arrepio me percorre a coluna quando suas mãos me tocam a pele enquanto ele me diz:

―Agora chupe isto e abra bem as pernas, cadela!

Dizendo isto, ele me faz lamber um vibrador e quando começo a me excitar ele me penetra a vagina e me faz sentar na cadeira.

Ele coloca algumas folhas em branco na minha frente e uma caneta. E calmamente me dá sua sentença:

―Seu castigo começa aqui, cadela! Quero que preencha dez folhas destas, repetindo a frase: “Nunca mais tocarei meu corpo querendo obter prazer sem a permissão do meu Senhor, pois o meu gozo a ele pertence!”

            ― Isto te manterá ocupada até que eu volte. Tenho negócios para resolver. Quando eu voltar, quero tudo pronto e lembre-se: NÃO GOZE ou as consequências serão graves, Aymée!

―Sim, meu Senhor. ― Respondo à ele.

Ele se gira e vai embora sem olhar para trás, sem me dar um beijo ou demonstrar algum carinho.

Fico ali me contorcendo e começo as primeiras linhas. Começo a chorar e penso em largar tudo. Mas algo dentro de mim me faz continuar. Sou dele, me entreguei, aceitei o jogo, aceitei esta louca paixão, isto quer dizer que tenho que confiar nele.

E com este pensamento me concentro e termino as últimas linhas com um suspiro e o calor entre minhas pernas controlado.

Quando deixo a caneta sobre a mesa, ele entra no escritório e calmamente analisa as folhas escritas, dá um leve sorriso e me puxa contra seu corpo dizendo:

―Muito bem, cadela. Mas ainda não terminou! Venha!

Ele me agarra pelo braço e me leva até o quarto. Caminho com dificuldade, pois ainda tenho o vibrador dentro de mim. Ele me empurra até a porta onde tem o nosso gancho da disciplina (risos). Ele me coloca algemas nos pulsos as prende nele.

Sinto seu corpo atrás de mim, ele beija meus cabelos e sussurra:

―Use a safe Word se precisar.

Novamente spanking? Eu concordo balançando a cabeça. Depois de fazer o aquecimento em minha pele com um flog de couro, sinto o barulho do chicote longo no ar e seus golpes certeiros desenham em mim suas marcas. Eu me concentro no calor que emana das minhas entranhas e os golpes ficam cada vez menos dolorosos até que o sinto por trás novamente, ele tira as algemas carinhosamente, toca as marcas de sua tela viva. E beija levemente meus lábios dizendo:

―Agora, minha menina: vamos tomar um banho e curtir o dia juntos. Tirei folga para ficar com você. Mais tarde vamos jantar e beber um bom vinho eu já encomendei o seu prato preferido.

Quando ele diz sobre meu prato preferido, em segundos lembro-me da cena da tigela de cristal. Será que ele me fará comer no chão novamente? Ele me olha com seus olhos enigmáticos.

Passamos um dia maravilhoso, estranhamente sem sexo, sem sessão sadomasoquista. Conversamos muito, ouvimos música e até jogamos no Xbox. Mas sem perder toda aquela mágia da sedução, pois uma vez ou outra estávamos nos comendo em longos beijos e abraços apertados. E alguns tapinhas rolaram quando ganhei vezes seguidas no xbox e o provoquei. (risos) Fazia tempo que não me sentia tão feliz. À noite ele me chamou para nos prepararmos, dizendo que nossa noite apesar de ser ali no hotel merecia ser especial. Portanto deveríamos nos vestir adequadamente depois do banho.

E assim seguimos para um delicioso banho juntos. Ele sai primeiro e logo vai para outro quarto. Quando saio do banho percebo que em cima da cama ele deixou para mim uma fina lingerie. Preparo-me e quando saio no corredor caminhando lentamente escutando a doce música. “Seal Secret”.

Caminho até a sala me equilibrando nos saltos, ele está ali vestido em seu elegante terno italiano. Meu Deus! Ele está lindo e eu ali praticamente nua; naquela lingerie de renda e nada além do salto alto para complementar o traje. Ele fez de propósito se vestir assim, pois sabe do meu fetiche por homens usando terno. Ele sorri entendendo o meu desconforto, então ele vem até mim me beija e diz:

―Você esta linda! Mas falta algo, minha cadelinha.

Ele pega algo de dentro do casaco e logo vejo uma coleira prateada com as escritas “Aymee de Dom Tyeree”. Ele coloca em meu pescoço e por um instante sinto como se portasse a jóia mais cara do mundo. Ele me pega com um braço me apertando em seu corpo. A outra mão no meu queixo e a sua língua invade minha boca. Ele me empurra na parede e nossas bocas se perdem em um beijo profundo enquanto suas mãos deslizam pelo meu corpo até que seus dedos me invadem o íntimo. Eu rebolo em suas mãos e o aperto em meu corpo. O sinto se enrijecer e imploro:

―Senhor, por favor….

Ele coloca os dedos em minha boca e diz:

―Psiu! Quieta, ainda não…

Ele me solta. Ainda estou ofegante, mas ele me conduz até a mesa, afasta a cadeira, e sento-me devagar. Ele serve nosso jantar. Antes de inciarmos a comer ele abre um vinho e brinda a nós dois, olhando em meus olhos e fazendo meu coração acelerar.

Jantamos tranquilamente e conversamos muito sobre viagens, sobre a vida e sobre nós. Curtimos uma longa conversa depois do jantar. Mas ao servir novamente a minha taça com vinho, ele segura a minha mão e me conduz até o sofá, me senta em seu colo e permanecemos abraçados por um momento até que ele me diz:

―Minha Aymée… Esta noite tocarei teu corpo suavemente, esta noite será apenas delicado prazer. Porque vou acalmar teu coração minha menina.

Não sei por que, mas um soluço me vem na garganta, eu o aperto em um abraço. Enquanto ele me deita no tapete macio da sala e começa a tirar seu terno lentamente a musica fundo é “Bryan Adams – Have your ever really loved a woman?” Esta canção me faz pensar o quanto eu gostaria que ele me amasse, o quanto ele fosse apaixonado por mim como eu sou por ele, que ele sentisse por mim o que a musica diz.

A sensualidade toma conta do ambiente. A visão dele totalmente nu com seu membro ereto e pulsante era algo irresistivel.

Ele me estende e com um sorriso safado nos lábios me diz:

-Venha, minha doce Aymee.  Sua lingerie não se faz necessária neste momento.

Ele beija meus ombros descendo as alças das lingeries até que a mesma cai sobre meus pés. Em seguida me abraça forte.

Beija de leve meus lábios e me deita novamente no tapete me cobrindo com seu corpo nu.

Sua boca me invade e minhas mãos se perdem em seus cabelos. Sua língua me castiga e não contente ele desce sugando meus mamilos até me fazer girar os quadris.

Eu sinto seu membro sempre mais rígido entre minhas coxas. Eu rebolo ainda mais quando o sinto posicionar seu membro entre minhas coxas, e forçar sua entrada em mim.

Mas o fogo é tão grande, eu o desejo tanto que acabo gozando molhando seu membro sem sua autorização, antes mesmo que sua glande me tocasse ao fundo de minhas entranhas.

Eu me liberto e banho nossos corpos e o tapete abaixo de nós. Miro nos olhos dele e sua boca me diz:

―Psiu! Goza, minha menina! Isso, ebola em minha ereção. Hoje é especial, quero todo o teu gozo, quero todo o teu prazer de pertencer a mim. Goze.

Então rebolo e em seguida outro gozo me acompanha e suas estocadas aumentam e me fazem implorar gemer gritar e chorar de prazer.

E esta sinfonia dura momentos deliciosos até que ele me inunda com seu gozo e gemo em sua boca. Já era dia lá fora quando dormimos abraçados.

***

Acordo com suas mãos no meu corpo, então eu o abraço e digo:

―O Senhor me faz tão feliz, tão completa.

Ele me abraça forte e diz:

―Você é especial para mim, minha doce menina.

Depois de alguns minutos ele me ajuda a levantar e diz:.

―Estamos em cima da hora. Vamos nos preparar e beberemos o café no aeroporto.

Preparamos-nos e passamos no hotel para pegar as malas que meu querido Lucas já havia arrumado para mim, faço o checkout do hotel e após nos despedirmos do Lucas seguimos para o aeroporto. Tyeree se concentra na direção e não me olha hora alguma. Mas quando pode coloca sua mão suavemente sobre a minha, mas ele não diz nada.

Ele muda a música do pen drive e a próxima melodia diz exatamente como me sinto naquele momento. “Con te Partiro – Andrea Bocelli”. Uma dor me invade o peito. Realmente com ele partiria para lugares que jamais estive, estou segura, estou ironicamente livre em suas amarras, à ele pertenço. Sou a menina, sou a cadela, sou a submissa, a puta, a mulher devassa cheia de desejos libidinosos. Pronta a dizer “sim” à suas vontades mais sacanas. Eu me concentro na melodia, na letra e tento não chorar.

***

O céu está cinzento, ainda faz muito frio. Chegando ao estacionamento, ele pega a minha mala, desliza a alça e me olhando com pesar estende sua mão, eu estendo a minha e sigo o acompanhando. Existe um silêncio absoluto entre nós. Mas o calor do seu corpo me confortava, era o que eu precisava naquele momento, me sentir segura.

Depois de ter feito o chek-in do vôo vamos para uma cafeteria. E só então ele tira de dentro do casaco um envelope grande e me entrega dizendo:

―Aí dentro tem algumas coisas que você deve fazer e algo para usar neste tempo separados. Mas só abra quando estiver dentro do avião.

A curiosidade toma conta de mim, mas sei que ele não vai falar o que é conformada eu respondo:

―Sim, Senhor.

Passamos momentos agradáveis até o horário do meu embarque. Ele me acompanha até o portão de embarque. Abraça-me, beija-me demoradamente e depois sussurra ao meu ouvido:

―MINHA!

Eu seguro o choro. E caminho para o embarque. Entro no avião e ao sentar na minha poltrona abro rapidamente o envelope que ele me deu.

E para meu espanto ali está minha “coleira”, um mp3 player e um papel dobrado. Então abro o papel, reconheço a letra do Tyerée.

Eu começo a ler lentamente:

Minha menina Aymée

Estes dias foram maravilhosas. Não fique triste, pois em breve estaremos juntos. Daqui a duas semanas estarei no Rio de Janeiro. E sim,  minha doce menina, vamos continuar de onde paramos.

Você aceitou a coleira e eu te acolhi nos meus braços, mas lembre-se sempre que você é livre para partir a qualquer momento retirando-a.

Dentro do envelope está a coleira que você sempre usará em minha presença, principalmente em nossas futuras, e conversas virtuais nas próximas semanas.

O mp3 player tem uma playlist que fiz pensando em você, minha menina. Quero que ouça durante sua viagem e todas as vezes que sentir a necessidade de me sentir por perto.

Tenha uma boa viagem, MINHA Aymee.

 

Seu Dono Tyerée

Estou com os olhos lacrimejados e quando coloco os fones e aperto o play do mp3 player e não posso mais me conter, desmancho chorando ao som de “The Italian Tenors -Piccola e Fragile”

Tradução

 

“Pequena e frágil

 

Você nunca dá uma razão de achar-te

sincera.

Talvez até sinta vontade

e depois diz não.

Quantos banhos juntos de tirar o fôlego

e depois de noite,

perto, perto de mim,

por um pouco.

Não tente negar, que

esta noite

talvez se insisto, eu

eu te terei.

Tão pequena

e frágil

você parece ser

e eu estou errando demais.

Tão pequena

e frágil,

mas no fundo você é

muito mais forte do que eu.

A aparência joga contra mim,

eu vejo.

Imagina se você está aqui

você comigo.

Você não é o que pode

tornar-se minha

realmente.

Porém sou eu

que tento ter você.

Tão pequena

e frágil

me parece você,

e estou errando demais.

Tão pequena

e frágil,

mas no fundo é

muito mais forte do que eu.

E com a voz que você tem,

sensações me dá,

me apaixono.

Frágil você é!

Em voz baixa você me expõe os seus

problemas,

depois ri e me rejeita,

mas eu te amo.

Tão pequena

e frágil

me parece você,

e estou errando demais.

Tão pequena

e frágil

mas no fundo você é

muito mais forte do que eu.

tão pequena

e frágil…

tão pequena

e frágil…”

 

Vou ouvindo as músicas e me derretendo em emoções e sensações. Será que ele quis me dizer algo?

Lembro do toque dele no meu corpo, do cheiro dele na minha pele e a boca dele sussurrando ao meu ouvido:

―Minha! Minha!

 

***

O vôo segue tranquilo, meu coração é que está em constante turbulência. Ele me deixou confusa, bom, isto ele fez desde o primeiro dia. Desembarco e vou direto para casa onde sou recebida por amigos e família. Uma festinha íntima bem gostosa, conto alguns detalhes, mostro fotos e vídeos.

Perco-me nas conversas e perguntas dos curiosos sobre a viagem. Muitos já se foram e eu sinceramente já estou exausta. De repente o telefone de casa toca, minha irmã atende e diiz que é pra mim. Por causa do barulho vou atender no jardim.

―Alô?

Do outro lado aquela voz gostosa:

―E ASSIM QUE VOCÊ FALA COM SEU DONO?

Meu coração dá um salto:

―Desculpe, não sabia quem era …e …

Ele dá uma risada e diz:

―Respira menina, não estou bravo, ainda não! ― Risos. ― Mas agora me responda, está tudo bem?

―Sim Dono, tudo bem. ― Respondo aliviada.

―Sei que esta cansada, que não repousou bem e que precisa relaxar. Mas tenho outros planos. Escute atentamente menina: eu te quero daqui a meia hora na frente da webcam totalmente nua e pronta para me servir.

Eu estava realmente morta, mais de onze horas de viagem e toda aquela conversa com família e amigos. Mas dizer “não” para ele era algo que eu não pretendia fazer. Este homem tinha me dado em poucos dias os melhores orgamos e sensações que eu nem sonhava que existiam.

Então confiante eu respondo:

―Como e onde o senhor quiser,  lá estarei.

Ele sorri do outro lado da linha me manda um beijo e desliga em seguida. Volto à sala e por sorte encontro os poucos que ficaram se arrumando para partir. Ao ficar sozinha, tomo um banho e me preparo. Ligo o notebook e ele já esta on-line. Não demora muito e o som da videochamada corta o silêncio do quarto.

Eu fico sentada na cama e logo vejo meu querido Tyeree sem camisa mostrando seus braços fortes. Meu corpo já dá sinais.

Então sua voz dominante entra em ação:

―Quem te mandou sentar? Hein, menina insolente?

―Perdão!, Dono…

Dizendo isto fico de joelhos e abaixo o olhar. Ele logo fala:

―Boa menina. Agora continue de joelhos e vá até suas malas e traga seu vibrador. Eu sei que você tem um, não negue!

Sinto minha face queimar de vergonha neste momento. Mas obedeço e volto com o vibrador.

Então ele me diz:

―Olhe para mim, lamba este pênis de borracha como se fosse o meu. Isto minha puta. Abra mais a boca, isto até a garganta. Isso…

Eu estou excitada ao extremo, até parece que ele está aqui comigo. Então ouso tocar levemente meu seio enquanto engulo o vibrador molhado da minha saliva.

Ele me adverte:

―Ops! Não autorizei. Mas continue, gostei do que estou vendo. Contudo tenha certeza que pagará pela ousadia muito em breve.

Eu tremo com suas palavras, mas continuo beliscando os mamilos, enquanto babo engolindo aquele vibrador de borracha como se fosse o membro dele. Levo até a garganta e gemo rebolando. Estou muito molhada.

Ele percebe minha excitação e diz:

―Minha putinha está louca de tesão. Minha cadela deliciosa, minha menina sapeca. Está me deixando louco, meu pau está duro entre minhas mãos, estou me tocando, fantasiando estar dentro de você, minha querida. Isso, continua! Molha bastante este vibrador e depois se sente na cadeira encaixando-o em sua buceta gulosa.

Minha pele se arrepia. Ele é um depravado, mas eu adoro quando ele fala palavrões ou termos chulos. Ainda mais excitada por suas palavras eu o obedeço. Olho de relance para a tela do notebook e vejo-o se masturbando e isto me deixou ainda mais alucinada.

Rebolo devagar e o vibrador entra deliciosamente em minhas entranhas banhadas de excitação.

Solto um gemido e rebolo olhando para ele que me diz:

―Minha puta! Minha cadela safada, gostosa. Diz para mim o que você quer?

Dou um gemido mais alto e respondo ofegante:

―Quero te sentir dentro de mim.

Ele aumenta os movimentos de suas mãos em volta de seu membro e posiciona a webcam naquela cena deliciosa e me diz:

―Então rebola para mim.Não goze sem me pedir!

Sinto calafrios e não demora muito, estou chorando implorando para gozar. Ele se levanta e me mostra sua ereção através da webcam, estou a ponto de explodir.

Então ele me diz com uma voz rouca:

―Dê o que é meu, minha menina! Isto! Goze para o seu Dono.

Tenho um orgasmo delicioso e antes que eu recupere o fôlego vejo na tela do notebook meu delicioso Dono girar os quadris e gozar abundantemente em suas mãos, e aquela cena me dá água na boca.

Como pode ser tão gostoso assim mesmo sendo virtual?

Ele realmente me tem nas mãos. Conversamos por um bom tempo, demos boas risadas e fui dormir relaxada como se tivesse bebido o melhor dos calmantes.

Que loucura! Nos dias seguintes os orgasmos virtuais se repetiram e foram ótimos.

Durante o dia no trabalho algumas mensagens e e-mails recíprocos, me faziam cruzar e descruzar as pernas para aliviar o calor que se acumulava entre minhas coxas.

Mas em uma quinta-feira perdemos o contato, visto que na quarta ele me disse que não podia falar comigo porque estava ocupado, pois estava com problemas a resolver no trabalho e depois disto desaparecera.

Segurei-me para não ligar para o Lucas e fazer um longo interrogatório, mas decidi ficar quieta. Afinal, ele me disse isto e sumiu, ficava on-line, mas não me respondia. Poderia ter se enjoado de mim. Chorei ao pensar que talvez ele não quisesse mais falar comigo. Tive uma crise de ciúmes, de insegurança e não consegui me conter depois de longas horas de silêncio e indiferença da parte dele; enchi o e-mail dele e o celular com mensagens desesperadas por um contato. E o que mais me enlouquecia é que ele lia todas elas, eu recebia as notificações de leitura, mas ele não me respondia e isto me deixou ainda mais furiosa. Depois fiquei pensando que ele poderia estar me testando, afinal no fim de semana ele chegaria ao Brasil.

Bom, já havia feito a burrada, só me restava ficar calma, concentrar no que estava fazendo e depois ir para casa tomar um banho frio e beber um bom vinho para esquecer. Tentei ser positiva, mas mesmo assim tive um dia de cão no trabalho, ainda se fosse de “cadela do Dono”! (risos) Trocadilho infame!

E como desgraça pouca é bobagem, eu estava sem carro,pois o mesmo estava na oficina para uma revisão depois de um problema nos freios. Devido a este incidente sai cinco minutos mais cedo para chegar na hora certa no metrô.

Quando chego do lado de fora do prédio, olho o tempo lá fora, a tempestade que caia me fazia realmente feliz (Só que não!).

Quando estou para criar coragem e sair como uma louca, correndo debaixo da chuva, alguém me segura forte o braço, fazendo-me girar. Levanto meu olhar e me assusto, não podia acreditar Tyeree ali na minha frente com aquele sorriso que me deixava trêmula.

Ele docemente me diz:

―Olá, menina rebelde! Vi suas mensagens, mas não respondi de propósito. Estava analisando suas ações. Já sabe que terá consequências! Menti quanto à data do meu retorno ao Brasil. Eu te disse que viria no domingo, mas embarquei ontem, cheguei agora a pouco.

Eu fico boquiaberta sem algum tipo de reação. Ele me puxa para mais perto e me beija suavemente alisando minhas costas. Eu retribuo seu gesto de carinho me jogando em seu abraço. Abraço este, que me acalma a alma.

Ele sussurra no meu ouvido:

―Te quero agora! Preciso imprimir novas marcas do meu desejo em seu corpo.

Como sempre meu corpo reage à voz dele e já estou com a respiração alterada. E com o resto de fôlego que tenho respondo:

―Sim, Senhor. Como desejar.

Ele me solta do abraço, mas pega minha mão e seguimos até o carro dele que estava estacionado ali perto.

Todo o trajeto até o apartamento dele estamos em uma animada e descontraída conversa.

Mas quando entramos em seu apartamento ele me empurra contra parede e me devora em um beijo onde nossas línguas se perdem e se encontram. Ele puxa meu cabelo e sussurra ao meu ouvido.

―Chegou a hora do nosso acerto de contas menina! E para começar te quero nua. Tire suas roupas e me espere aqui mesmo na sala da maneira que me agrada.

Dizendo isto ele se gira e vai porta adentro. Deixando-me ali com calafrios na coluna e “borboletas” no estômago. Respiro fundo e obedeço.

Tiro minhas roupas, me ajoelho, abaixo meu olhar. Escuto seus passos. Eu sinto ele se aproximar. Ele toca de leve meus cabelos e me coloca uma venda dizendo:

―Hoje quero todos os teus sentidos aguçados.

Ele coloca fones em meus ouvidos e a musica Kiss me – Nile me invade a alma.

Ainda posso escutá-lo.:

―Hum, está tão linda assim Aymée. Sabe que só vou parar somente com a safeword então relaxe e me dê o que é meu!

Ele me levanta e me conduz sinto a parede fria, em seguida as algemas, ele levanta meu braço e os prende.

Agora a música está mais forte, aí então sinto seus golpes leves demarcando, aquecendo, traçando lentamente seu território de jogo. E um golpe certeiro me faz gemer alto.

Sinto-o alisando minhas costas, ele aperta com força minha bunda que ainda está queimando, ele não me bateu com um chicote, senti algo mais duro e menos flexível que me deixou queimando. Podia sentir minha pele que inchava de imediato, a dor era insuportável mesmo com os carinhos que ele intercalava com os golpes.

Quando já tinha perdido a conta depois dos quinze primeiros golpes, sinto-me quente e encharcada, mas estava assustada comigo mesma, até então toda dor foi mais por prazer de servir a ele, mas hoje a dor estava me proporcionando mais prazer do que eu esperava.

Ele enfia um dedo dentro de mim e já estou escorrendo. Agora, ele enfia os mesmos dedos na minha boca e eu desesperada os chupo alucinadamente. Ele com a outra mão retira meus fones, a venda e me diz:

―Isto minha menina, sinta o gosto do teu prazer por ser minha. Empina bem esta bunda. Isto! Esta rebolando?! Eu não disse que podia rebolar garotinha assanhada!

Agora sinto fortes tapas na minha bunda, mas seus dedos ainda me castigam alternando entre o clitóris e minhas entranhas.

Totalmente em êxtase eu ofegante imploro:

―Senhor, possua-me… por …favor me possua….

Ele dá uma risada. Dá-me um tapa forte nas minhas coxas e aperta-me em seu corpo, sinto o quanto ele está ereto, seu membro duro pulsa em contato com minha pele.

Ele ainda esta vestido com sua calça social e camisa. Ele me aperta mais, puxa-me os cabelos, fazendo-me virar a cabeça e me invade a boca em um beijo cheio de desejo.

Estou gemendo em sua boca e quase grito quando sinto seu membro invadir-me com força, e agora estou alucinada, perdida nos seus movimentos dentro e fora de mim.

Já não sinto meus pulsos e as pernas que antes se adormeciam pela posição, agora estão tremendo. Não tenho mais meu corpo, pois neste momento sou a extensão do corpo dele, no ritmo desta louca paixão. Ele ruge, range os dentes, eu grito choro e imploro por mais. Nossa dança louca dura por deliciosos momentos perdidos neste “nosso” tempo.

Perdi a conta das vezes que gozei, esperando com ânsia para que ele me marcasse por dentro.

E quando ele gostosamente explodiu seu gozo dentro de mim dos seus lábios sairam:

―MINHA! MINHA!

E de reflexo num gemido misturado com minhas lágrimas e meu prazer, respondo:

―Sua, toda sua. Meu amado Dono!

Nossos corpos cansados do êxtase repousam desacelerando por longos minutos em silencio. Ele levanta, segura minha mão e me conduz ao chuveiro, ele adorava me lavar e eu amava aquele cuidado pós-coito.

Como era bom ficar perdida entre os seus braços debaixo de uma boa ducha. Como habitual ele não disse uma palavra e eu como sempre respeitei seu silêncio. Ele sai antes de mim e eu saio logo depois, e ele já estava enrolado com a toalha. Senta-se calmamente na poltrona de frente para cama e faz-me um sinal de sentar a sua frente. Não sei por que, mas meu coração acelera e sinto que não será boa coisa.

Então ele diz:

―Agora, minha Aymée, teremos uma conversa muito séria…

Ele tem os olhos fixados em mim, na minha cabeça vem logo: ― “o que fiz de errado?”

Tudo bem, não fui paciente, paciência é algo muito importante na submissão, sei que nesta área deixo a desejar. Mas eu tentava me empenhar compensando em outras coisas. Eu o venerava, não podia perder todo aquele carinho, todo aquele sentimento, todo aquele gozo por…

Meus pensamentos são interrompidos com um estalar de dedos dele e sua voz irritada:

―ACORDA CADELA! O que tenho a dizer é de máxima importância.

Envergonho-me de ter fugido nos pensamentos e respondo:

―Perdão, meu Senhor.

Ele respirou fundo e continuou:

―Aymee, você aceitou usar a coleira, apesar de algumas falhas você foi perfeita e a mereceu. Mereceu ser minha. Mas tudo aconteceu rápido e estávamos os dois em outro país longe da vida cotidiana, talvez isto tenha transformado tudo em algo mágico. Não estou dizendo que seja um ponto negativo, mas sim que possa interferir num resultado final que seja proveitoso a ambos. Então vou ser bem claro e quero que entenda o que vou te dizer. Pense bem antes de responder as seguintes perguntas, pois serão de máxima importância para esta conversa. Você entendeu, Aymee?

Seu tom de voz era preocupado, mas não era carregado de ódio ou tristeza.      Procurei responder serenamente:

―Sim, meu Senhor.

Outro suspiro longo e ele continua:

―Não nego que me envolvi com você mais do que eu pretendia no início. Você é maravilhosa, tantp na submissão, quanto na parte “baunilha”. Mas é aqui que mora todo o perigo: a dose do que sentimos um pelo outro prejudicar nossa D/s. Não sou o homem perfeito dos sonhos femininos. Não sou o tipo romântico, mas cuido do que é meu.

Então eu preciso saber se você realmente quer continuar sendo minha, que fará tudo para agradar. Preciso da sua resposta para continuarmos ou terminarmos tudo por aqui.

Estou confusa com todo este discurso dele. E o barulho do temporal lá fora deixa tudo mais sombrio.

Engasgada e segurando as lágrimas eu respondo:

―Senhor, não me imagino não sendo sua. Antes de você eu vivi muitos momentos bons, mas com você tudo é maravilhoso. O Senhor não se acha perfeito, mas para mim o Senhor é. Amo tudo em você: a tua fúria, a tua calma, teus dias de céu e de inferno, teus gritos e teus sussurros ao meu ouvido. Sim, quero ser tua de hoje até quando o Senhor me permitir. Eu o amo de todas as formas e respeito seus pensamentos, Senhor, mas sem você não posso me imaginar. Farei tudo para te agradar sempre, tudo o que quiseres.

Ele sorri, mas sua voz rapidamente me tira novamente a calma quando diz:

―Cuidado com o que me promete, menina!

Ele se levanta, me puxa em seus braços, me beija suavemente e me faz olhar em seus olhos. E diz:

―Apesar do temporal lá fora vamos sair esta noite! Se precisar, avise em casa que dormirá comigo. Mas já te aviso: esta noite terá a oportunidade de me provar o quanto do que você acabou de me dizer é verdade.

Eu sinto um calafrio na coluna e explico que está tudo bem moro sozinha, filhos moram em outra cidade. Mas que estou preocupada, pois não tenho roupas certas para sair de acordo com o tempo que está lá fora. E principalmente estar vestida com algo elegante tanto quanto ele, já que no momento só tenho as roupa do escritório comigo.

Ele dispara aquele sorriso de mistério, faz-me um sinal com a mão apontando o guarda roupas dele e diz:

―Isto não será um problema! Abra a porta direita e escolha algo sexy. Na parte de baixo tem sapatos, seu número é trinta e seis, certo?! Vou preparar uma bebida na sala, visto que mulheres sempre demoram mais que nós homens. Volto daqui a pouco. Ah! na gaveta do armário do banheiro você encontrará make up e outras coisas a mais também na gaveta do guarda roupa.

Ele sorri descaradamente e sai. Eu fico ali parada na frente do guarda roupa cheio de roupas femininas, sapatos, bolsas de marcas caras, tudo bem arrumado!

Minha vontade é de chorar! Ele teve outra submissa que levou ali e fez o mesmo que fez comigo? Ou pior: ele tem outra submissa e me enganou?

Respiro fundo, estou tendo um ataque de ciúmes. Na verdade, o certo é que estou tendo pensamentos homicidas com a suposta submissa, irmã de coleira. Já estou analisando as melhores técnicas de assassinato que aprendi assistindo “CSI” e “Criminal Minds”. Dou uma risada interna, ele está me testando. Percebo que todos são do meu tamanho, todos os sapatos são trinta e seis, o meu número.

Ele encomendou tudo isto para mim ou é muita coincidência que sua “ex/atual suposta submissa” seja igual a mim fisicamente. Respiro mais aliviada, e decido me concentrar na única coisa que interessa: estar sexy para o meu Dono.

Coloco um vestido longo cinza com detalhes pratas, com um decote vertiginoso nos seios, as costas nuas, terminando o decote no início da bunda onde tinha um zíper invisível que abria o resto de vestido que havia atrás. Logo, o imaginei abrindo aquele zíper e me fodendo no elevador. Coloquei uma sandália de salto alto e fui me maquiar.

Ele apareceu alguns minutos depois que terminei a make up. Lindo como sempre com aquele terno de corte reto feito sob medida. Entrou mexendo nos pulsos, colocando as abotoadoras do terno. Naquele momento eu teria molhado a calcinha se estivesse usando uma. “Não, não coloquei calcinha: meu Dono me queria sexy, a calcinha seria só um obstáculo a mais entre nós”… Voltando…

Eu tenho tara no meu Dono por inteiro. Ah! Mas suas mãos me enlouqueciam em vários sentidos. Mãos grandes, dedos longos, pele suave, mas máscula. Acho que meu sorriso bobo denunciou minha excitação naquele momento, causada por sua visão sexy e o meu fetiche por suas mãos. Ele chegou bem perto olhando em meus olhos; lentamente alisa meus lábios com seus dedos, mas quando abro a boca para sentir seu toque, ele sorri e desliza suas mãos por meu corpo parando na fenda do vestido onde lentamente enfiou seus dedos entre minhas coxas.

Após perceber meu ato ousado ele morde os lábios e me diz:

―Que delícia, Aymee! Você está pronta para mim. Lindamente e descaradamente sexy. Provocantemente molhada. Fico tentado em te foder com toda minha força agora mesmo. Mas se eu começar não vamos parar tão cedo. Poderia te fazer me chupar, mas você está tão linda com este batom vermelho. Mas estou tentado…

Eu me contorço e seus dedos me castigam o clitóris, sua outra mão tira um dos meus seios para fora e o castiga beliscando os mamilos. Achando que não era suficiente, ele se abaixa e sua boca quente e macia abocanha meu mamilo, gemo alto, aperto as coxas e fecho os olhos, mas segundos antes de me libertar o gozo, ele pára tudo e a sensação de vazio me dói por dentro. Ele sorri e me diz:

―Psiu! Minha menina, sei o que você precisa, mas não será agora que te darei. Vou te levar ao extremo do prazer, minha doce submissa. Vamos! Ainda faltam duas coisas para que fique perfeita.

Dizendo isto, ele me gira e coloca algo no meu pescoço e vira-me de frente para o espelho enquanto sussurra ao meu ouvido:

―Esta é uma coleira social. Parece um simples colar Swarovski, mas nós dois sabemos que esta é sua coleira social para noites especiais como esta.

―É lindo Senhor. ― Respondo deslumbrada.

Antes que eu diga algo mais, ele me manda ficar reta, tira algo do bolso e me faz colocar as mãos para trás. Logo sinto o frio do metal nos meus pulsos.

Ele me vira olha nos meus olhos e diz:

―Você disse que faria tudo por mim, para o meu prazer! Pois bem, ainda dá tempo de mudar de idéia. Quer desistir?

Eu suspiro, olho para ele desviando o olhar em seguida por medo de uma punição. E então respondo:

―Não desistirei Senhor! Darei todo o prazer que mereces; meu amado Dono!

Ele sorri, leva-me até a porta, mas antes de abri-la, me coloca um casaco por cima dos ombros. Respiro aliviada, por não sair toda sexy e algemada. Outro alívio é que ele sai abraçado comigo, assim ninguém perceberá que estou algemada.

No caminho, ele mantém silêncio como de costume. Dentro do carro a música “Anna Netrebko – Puccini – La Bohème” corta o silêncio no ar, enquanto eu tento adivinhar o que se passa naquela mente pervertida dele.

Chegando ao estacionamento interno, ele me abre a porta e me ajuda a sair do carro. Quando fecha a porta atrás de mim, toca-me levemente os mamilos que estão intumescidos embaixo da seda do vestido. Ele beija meu rosto e me conduz até a entrada do bar. A música ambiente é sensual, porém seu volume é baixo o bastante para me permitir escutar o que as pessoas nas mesas próximas estão falando, mas não permitindo compreender exatamente o conteúdo da conversa.

Sinto um ar abafado, pouca luz e muita gente nas mesas. Uma atmosfera diferente do que imaginei. O garçom vem ao nosso encontro e nos leva ao fundo do bar. Antes de sentar, Tyeree pede um vinho. E assim que o garçom sai, ele tira o casaco dos meus ombros e percebo que em volta estão todos ocupados para prestarem atenção em nós e nosso segredo.·.

Ao sentar-me,  vejo que na mesa da frente tem uma mulher que me olha assustada percebendo que estou algemada.

Tyeree percebe, faz um sorriso e me diz:

―Hum! melhor impossível! Já temos expectadores. Ótimo, nosso show será interessante, menina.

Eu congelo com suas palavras. Que show?

O garçom chega com a garrafa de vinho e alguns frios.

Tyeree coloca o vinho nas taças ele mesmo. Ó Deus! Como ele está sexy, ele bebe de sua taça e sorrindo me diz:

―Está com sede, menina?

―Sim meu Senhor. ― Respondo.

Ele lentamente aproxima a taça me fazendo beber o delicioso vinho.

Aquela mulher já não olha mais o homem que está com ela. Somos o centro de sua atenção e Tyeree provoca, dando-me tudo na boca de forma suave, alisando meu corpo.

Até que quase me faz dar um gritinho de susto quando afasta minhas pernas e me toca o clitóris e sussurra ao meu ouvido:

―Você disse que realizaria meus desejos, Aymee. A hora chegou! Está pronta?

Respiro fundo, a música exótica de “Urban Species – Blanket”, e a pouca luz do lugar me excitam.

E quase gemendo respondo:

―Sim, Senhor! Estou totalmente pronta.

Ele sorri, levanta-se e me conduz até o banheiro. Ele me abre a parte de trás do vestido e minha bunda está de fora, me manda ficar de joelhos e coloca seu membro para fora. Não penso em nada além de engolir, chupar lamber o meu Dono. O fato de talvez sermos flagrados, excitam-me ao extremo. Ele puxa meus cabelos, cresce, engrossa e endurece dentro de mim. Ele fode minha boca como ele quer, já que minhas mãos estão algemadas.

Quando penso que ele vai gozar, faz-me levantar e gira-me, penetrando-me deliciosamente a vagina, eu gemo baixinho. E quando abro os olhos, percebo que tem uma mulher que está nos espiando e neste momento percebo que Tyeree também viu e está tão excitado quanto eu.

Dizendo isto, ele me olha nos olhos para ver minha reação. No fundo, tenho uma pontada de ciúmes, mas lembro de que a submissa deve agradar ao seu Dono, realizá-lo. Então respondo:

―Tudo o que desejares farei para o teu prazer.

Ele sorri. Abraça-me e caminhamos até o banheiro feminino. Ele bate na porta por uns minutos até que uma mulher um pouco mais alta que eu abre a porta. Aquela mulher que nos observou a noite inteira.

Ela está nervosa, mas parece excitada com tudo o que assistiu de nossa transa.

Ele se aproxima, ela abaixa a cabeça e tenta sair. Mas pára e volta-se nos olhando, ele vai até ela e diz algo em seu ouvido. Ela morde os lábios e me olha sorrindo. Ela se aproxima e me diz ao ouvido:

―Me chamo Naony. Você me excita e participar de um ménage com vocês será muito excitante. Mas antes preciso saber: está tudo bem para você?

Ela é bonita, perfumada e estranhamente não estou morrendo de ciúmes neste momento, e sim sinto um desejo crescente de tocar nela. Entendo que será só uma aventura, um fetiche só nosso e relaxo, deixo-me levar.

Faço que sim com a cabeça e ele me apresenta a ela. Em seguida, ele nos algema e nos conduz a uma área privada. Ele puxa as tendas vermelhas fechando aquela alcova. Dentro um grande sofá cheio de almofadas, velas perfumadas.

Ele senta-se e estamos as duas na sua frente. Ele tira a camisa lentamente, como se tivesse todo o tempo do mundo. Depois tira a algema que nos une, mas diz para continuarmos naquela posição. Ele se afasta e começa a girar em volta como uma fera faminta.

Eu fico pensando “que loucura estou prestes a cometer ali?”. Eu começo a olhar para o lado, observo que na mesa de centro tem camisinhas e outros brinquedos eróticos. Neste momento eu entendo que não é um bar normal. A música “I Can’t Get No Satisfaction – Cat Power” deixa o ambiente bem insinuante.

Ele se aproxima, toca o rosto dela e a beija acariciando seus seios. Eu deveria chorar, gritar, bater nos dois, mas não. Excita-me aquela cena. Ele abre os olhos e sem deixar uma das mãos dos seios dela, beija-me e abaixa sugando meu mamilo direito. Fecho os olhos e sinto uma boca macia sugando meu outro mamilo. Eu gemo, ela solta meu seio e invade minha boca. Enquanto Tyerre toca meu clitóris e se delicia com a cena.

Segundos depois ele ordena que tirássemos o vestido uma da outra, enquanto ele lentamente tirava o resto de suas roupas.

Ao mesmo tempo em que nos despimos no meio de carícias, ele se senta no sofá e nos ordena ir até ele. Seu membro pulsa e está mais duro do que o de costume mesmo apertado dentro da camisinha. Ele me puxa, fazendo-me subir sobre ele, faz-me passar as pernas em seus ombros e segura minhas costas junto com Naony que se aproxima e beija minha boca, descendo lentamente até abocanhar meus mamilos e mamar com força, enquanto ele me castiga o clitóris com sua língua descontrolada. Eu gozo forte tenho um squirting em sua boca.

Estou fora de mim com tanto tesão. Agora, ele a coloca de quatro e a penetra. Ordena que eu me sente na frente dela, que por sua vez puxa meus quadris e se delicia com meu clitóris.

Meu Dono dando estocadas nela e olhando eu girar os quadris naquela boca macia. Confesso que ele chupava muito bem, mas ela me enlouquecia. Ele a fode com força, ela goza ao mesmo tempo em que eu gozo em sua boca. Ele sai de dentro dela.

Troca a camisinha e ordena que eu deite; ele vem deitando-se por cima de mim e penetra-me. Naony está sentada onde eu estava e ele a chupa quase não se movendo dentro de mim eu a escuto gritar.

Estou tremendo embaixo dele. Ele a deixa e me fode desesperadamente, ela se ajoelha do meu lado beijando minha boca e meus seios.

Ele me aperta em seu corpo e goza chupando meu pescoço. Quando se acalma sussurra ao meu ouvido:

―Minha menina, Aymee. Você é especial para mim. Você foi maravilhosa.

Eu o abraço, suspiro profundamente e sinto meu mundo todo ali dentro dos braços dele. Sorrindo de tanta felicidade, sentindo o cheiro dele e o seu coração acalmar os batimentos.

Depois de ir ao banho, Naony volta e se despede de nós de uma forma amigável, mas sem querer algo mais. Fiquei aliviada por ela não ter pedido telefones e nem ter dado o seu. Foi tudo maravilhoso, mas quero apenas guardar esta fantasia realizada em meus pensamentos, sem que se transforme em uma rotina.

Depois de nos recompormos, nos dirigimos ao bar. Por ter sido boa menina, não estou usando as algemas e assim posso tocar meu Dono, dar todo carinho que sinto ao meu amado Senhor.

Ele me permite relaxar, extravazar minha alegria; deste modo bebo bastante. Dançamos, sorrimos, conversamos. E eu bebo enquanto ele apenas sorri. Alta madrugada ele me chama para ir embora, estou bem embriagada. Mas ele dá risada do meu estado etílico.

******

Quando chegamos em casa, ele me ajuda a tirar minhas roupas e tomamos banho juntos, desta vez ele ficou comigo até o final do banho, ajudando-me a me enxugar. Depois se aproxima da cama onde estou quase dormindo e me faz levantar para beber um suco e um comprimido. Tento argumentar, mas ele me repreende e eu obedeço. Depois ele se deita na cama e deixa apenas a luz do lado dele acesa.

Neste momento eu o abraço forte e assim permaneço sentindo sua respiração em meus cabelos. Sinto-me maravilhosamente bem em seus braços.

Sinto ao longe a sua voz me dizer:

―Sou louco por você, menina. Amanhã teremos que conversar como te quero na minha vida a partir de hoje. Agora durma minha menina, cuidarei de você.

Adormeço sem ter tempo para absorver suas palavras.

***

Acordo com o barulho da água no chuveiro, sinto uma leve dor de cabeça, nem dá para acreditar em tudo o que aconteceu ontem.

Levanto-me e vou até o banheiro, Tyeree agora esta na frente do espelho passando uma loção pós-barba. Ao ver meu reflexo, gira-se e me puxa em seus braços.

―Bom dia, minha menina! Tome seu banho, te espero para um delicioso café da manhã e uma longa conversa.

Ele me da um beijo carinhoso nos lábios e sorri quando vê que não tenho nenhuma reação. Meu coração está acelerado, tenho sempre medo do que ele tem para me falar. Antes que eu falasse algo ele continua:

―Calma minha criança, quero apenas deixar claro a nossa situação, para continuarmos bem, você sabe disto. Já falei com você antes que tenho me envolvido mais do que esperava com você.

Olho com timidez em seus olhos e desvio em seguida meu olhar. Suspiro e respondo:

―Sim, Senhor. Eu entendo que devemos conversar. Só… Tenho…

As palavras travam na minha garganta e não consigo continuar, ele me abraça forte e diz:

―Não tema, não é uma separação, será apenas um ajuste. Vá tomar seu banho que vou preparar algo para nós.

Tomo um banho revigorante, mas sempre concentrada nas promessas dele, desta conversa ser sobre ajustes e não sobre um fim. Visto uma camiseta dele que está jogada na poltrona e vou ao encontro dele.

Quando me aproximo da conzinha, sinto um delicioso perfume de ovos mexidos. Ele está sentado à mesa, com os nossos pratos preparados e uma grande jarra de suco de laranja. O sol entra preguiçoso pela janela, iluminando o ambiente.

Ele sorri e me diz:

―Sente-se, Aymée. Adorei a camiseta em você.

Fico boba sorrindo e admirando ele. Oh! Como ele está lindo. Como pode um homem depois de ter preparado o café da manhã estar ali sentando com esta cara de mal, e ainda ser incrivelmente sexy? Como pode uma camisa branca, calça social preta, e trajes simples deixá-lo assim tão delicioso.

Ele sorri porque percebe que estou ali o idolatrando, enquanto sento-me lentamente ao seu lado. Ele faz sinal para começarmos a comer e inicia a conversa me dizendo:

―Como te disse em nossa última conversa Aymee, quero continuar contigo, você aflorou meus sentimentos, te desejo como um todo. Submissa aos meus pés, minha cadela, minha puta na cama, e uma dama quando me convêm perante a sociedade. Mas não sou príncipe encantado, não sou dominador de romances eróticos (risos). Você provou estar à altura de me servir e se mostrou interessada em me fazer realizado. Estou disposto a cuidar de você que já me pertence, pois carrega minha coleira. Mas agora quero que passe algum tempo comigo no meu apartamento, não é uma obrigação, não é um casamento, que fique muito bem claro. Será apenas uma intensificação desta relação sadomasoquista, passando a um patamar de D/s 24/7. Você está disposta a isto, Aymee, mesmo sabendo que o que sinto não é amor?

Eu mal engulo a última garfada dos ovos mexidos. Como assim, não é amor? E o que ele quer comigo vivendo com ele? Fico confusa e o choro ameaça a cair. Com pressa de sair dali eu respondo:

―Eu te desejo Senhor, eu quero estar contigo seja como for. Mas estou atrasada para o trabalho, peço sua permissão para me retirar.

Dizendo isto me levanto da cadeira e vou um pouco mais longe, para que ele não me olhe direto nos olhos.

Ele me olha por uns segundos como se tentando ler minha mente e com uma voz segura me diz:

―Vou levar você até o trabalho, é a caminho do meu escritório. Eu tenho uma reunião no fim da manhã, tenho tempo para te levar, assim você não precisa pegar um taxi.

Fico nervosa, porque o que preciso é ficar sozinha, preciso chorar. Então suplico:

―Por favor, Senhor. Prefiro pegar um táxi, tenho que passar em casa, trocar de roupa e depois tenho algumas coisas para fazer a caminho do trabalho e posso demorar, não gostaria que o Senhor chegasse atrasado nesta reunião.

Ele me olha desconfiado, mas concorda. Levanta-se calmamente, caminha em minha direção e me puxa, me empurrando em cima da mesa, me fazendo sentar nela. Abraça-me forte e me beija possessivamente com suas mãos em meus cabelos, quando ele me solta estou trêmula e minha única vontade é que ele me possua ali mesmo na mesa e que dissesse que senti o mesmo por mim. Mas ele sorri e me diz:

―Você não estava com pressa? Vou chamar um táxi para você.

Acalmo minha respiração e concordo, vou até o quarto e me visto. E quando termino, ele me avisa que o táxi chegou, me acompanha até o saguão do prédio, me dá um leve beijo e me deixa ir.

Entro no táxi e após dizer o endereço, respiro aliviada, pois finalmente posso deixar cair as lágrimas que me sufocam. Porque tem que ser assim tão complicado? Porque é tão intenso?

Vou até em casa, troco de roupas e pego alguns documentos que preciso. Ainda tenho tempo, pois a desculpa do atraso era só para ficar longe para pensar. Nunca estive tão confusa como agora.

Pego o metrô até o trabalho e nada vejo ao meu redor, apenas me torturo com aquelas palavras na minha cabeça. “Não é amor o que sinto Aymee”, ele acaba comigo. Chego ao trabalho e para o meu alívio a minha mesa está cheia. Então me afundo nos afazeres para não pensar nele.

Já quase no final do dia recebo uma chamada, atendo o telefone como de costume, até pensei que seria um dos meus filhos que estão fazendo faculdade e trabalhando em Porto Alegre. Eles sempre me ligam no horário de trabalho e no escritório só para variar. Atendo desmotivada:

―Jornal Rio News. Aymee, em que posso ajudar?

E do outro lado da linha escuto:

―Ola MINHA, Aymee.

―Tyeree? ― Respondo assustada.

―Atenda seu celular. Agora!

Dizendo isto, ele desliga na minha cara. Eu mal posso acreditar em como ele tem o dom de conseguir ser um ogro em certos momentos. Eu pego o celular e vejo quem tem chamadas perdidas. Eu sempre trabalho com o celular no silencioso. O visor se acende e quando atendo dizendo oi e logo ele me repreende:

―Menina, você nunca aprende como deve me chamar, isto é ruim, muito ruim. Agora me diz exatamente como você esta vestida.

Sem entender o que ele queria, obedeço respondendo o que ele quer saber. Conto que estou de saia preta justa, saltos altos, camisa branca, minha roupa de quase todos os dias.

Ele continua:

―Você está sem meias. Hum… E com certeza de calcinha de renda porque sei que você adora usá-las e eu adoro rasgá-las. Escute: quero que você vá até a porta da sua sala e tranque. E em seguida tire sua calcinha e coloque na sua bolsa até uma segunda ordem. Vá agora!

Eu obedeço e quando termino volto ao celular e aviso que obedeci. Ele dá uma risadinha que por segundos me faz querer mordê-lo. Ele fala:

―Aymee, minha menina, você está nervosa, precisa relaxar, chupe seu dedo indicador da mão direita e pense em minha boca.

Mesmo achando ridículo eu o obedeço, com um fundo de raiva, mas obedeço. Mas quando coloco o dedo em minha boca e imagino a boca dele tudo muda, parece que se acendeu algo em mim, que loucura, estou na minha sala, trancada obedecendo às ordens do Tyeree. No fim de um dia exaustido e frustrante, após o mesmo dizer que não me ama, mesmo assim eu o desejo. Ele continua seu joguinho:

―Minha cadela, se bem te conheço você está bem irritada, mas muito excitada. Eu quero que se toque, não tema, vou falando e você vai fazendo, exatamente como eu te disser. Sente-se, abra bem suas pernas e com seu dedo molhado faça leves círculos, bem devagar em seu clitóris. É a minha língua ali cadelinha. Não solte o celular em momento algum, continue, desça pelos teus lábios vaginais em círculos, e volte fazendo uma leve pressão. Rebole na minha língua, enfie um dedo dentro de você, mas fique quieta, não faça nenhum movimento, e me descreva como você está se sentindo.

Ofegante e quase gemendo, com grelo já palpitando tento racionalmente descrever minhas sensações. Ele dá uma risadinha e continua orientando-me e vou obedecendo; o gozo está próximo, ouvir ele ofegante do outro lado dizendo que está de pau duro me alucinam e quando ele diz que vai transar comigo com toda sua força esta noite, eu tremo inteira e gozo molhando minha cadeira e soltando um gritinho no celular.

Ele logo responde:

―Oh! Menina, estava gostoso, mas eu não autorizei você a gozar. Desobedeceu-me e isto resultará em castigo. Você termina o trabalho daqui 20 minutos certo?

Com o coração acelerado e com medo das suas promessas de castigo digo que sim e ele continua com seu tom de voz suave e ao mesmo tempo forte:

―Vou te mandar um sms com um endereço, você vai sair daí e vem direto. Este endereço é do meu escritório, já dispensei minha secretária e estarei com muito o que fazer por aqui, então melhor que você venha até mim para que eu te explique sua punição. NÃO DEMORE CADELA!

Dizendo isto, ele simplesmente desliga. Fico ali parada por segundos com o telefone na mão. Ok. Respiro; acalmo-me, visto a calcinha, volto para o PC e organizo minhas coisas. Em seguida, limpo minha bagunça. Eu desço para a garagem e logo meu celular faz um bip, abro a mensagem dele e ali está apenas um endereço e nada mais.

Sigo as indicações e poucos minutos chego ao prédio comercial no centro da cidade; estaciono e quando estou no elevador, penso em avisar ele por sms. Procuro o celular na bolsa, mas quando eu o encontro a porta se abre no sexto andar. Saio do elevador e lá está ele, na porta me esperando. Ele me faz um sorriso e um sinal em meus lábios, advertindo-me para não falar. Passamos pela primeira sala que está vazia, deve ter dispensando todos que trabalham com ele.

Entramos em seu escritório e logo escuto “Mahaut Mondino – Forbiden Kiss” que sai das caixinhas de som do seu notebook. Ele me manda colocar minhas coisas na entrada. Se apoia na mesa e me faz um sinal para eu levantar a minha saia. Obedeço.

Ele me faz um sinal de desaprovação com a cabeça e diz:

―Qual a parte do SEM calcinha você não entendeu, Aymee? Eu disse para você colocar?

Estou tremendo de excitação e medo misturados. Tento não olhá-lo nos olhos, então tento prestar atenção na música enquanto permaneço de cabeça baixa.

Ele me diz pra continuar calada e ordena:

―Tire toda sua roupa e não me deixe furioso por repetir. Ajoelhe-se e venha de quatro até mim.

Eu obedeço, tiro peça por peça, tentando amenizar a vergonha. Sim, vergonha. Por mais que tenha feito um bilhão de putarias com este homem, ele ainda me deixa nervosa, tímida em alguns momentos.

Ajoelho naquela cerâmica fria e engatinhado chego aos seus pés. Ele me diz para beijar seus sapatos. Eu faço lentamente, quase que se neste gesto estivesse implorando para ele perdoar minhas falhas.

Ele alisa meu cabelo e diz:

―Boa menina! Agora você vai ser punida por ter gozado sem minha permissão e ter desobedecido minha ordem de ficar sem calcinha. Meus desejos devem ser cumpridos a risca, de uma simples ordem a mais difícil, salvo seus limites, lembra?

―Sim Senhor. ― Respondo.

Ele me levanta, alisa meu rosto, beija minha testa, mordisca meus lábios e me empurra de barriga para baixo na mesa, me mandando empinar a bunda. Eu me pergunto se ele tem um arsenal sadomasoquista no escritório, só faltava isto. Mas logo minha pergunta interior é respondida pelo gesto dele, que tira o cinto de couro e sem querer eu deixo escapar:

―Oh! não, por favor…

Ele adverte:

―Psiu!, deve ser punida você sabe e quer tanto quanto eu me servir e não me decepcionar e sabe muito bem como me fazer parar.

Dizendo isto, ele se aproxima e depois de apertar minha bunda esquetando a pele, ele levanta o braço e sinto o primeiro golpe, aperto meu rosto na mesa e mordo os lábios. Ele continua a dança com o cinto por inúmeras vezes, lembrando-me o que fiz de errado, a única coisa que sinto são minhas nádegas em chamas e meu líquido que escorre abundante pelas pernas.

Ele pára ofegante, e começa a alisar minha bunda, beija as marcas recém criadas por suas mãos. Ele alisa minhas pernas e quando toca minhas coxas diz:

―Olha como seu corpo reage à minha disciplina, ele me reconhece, Aymee. MINHA Aymee, você não sabe quanto estou excitado ao ver seu corpo assim marcado por mim. Mas estas marcas estão fora, agora chegou a hora de marcar você por dentro, tomarei posse do que é meu. Abra as pernas!

Eu obedeço, afastando minhas pernas que estão bambas. Ele entra de uma vez, rasgando-me, preenchendo-me e logo sinto suas primeiras estocadas. É tão delicioso, ele está tão excitado que eu gemo alto, ele dá tapas na minha bunda que queima, e eu rebolo desesperada. Ele me puxa pelos braços, fazendo-me erguer meu corpo e sem sair de dentro de mim me empurra para grande parede de vidro e me fode ali apoiada. Vejo as janelas dos prédios vizinhos com luzes acesas, a excitação aumenta quando penso que podemos estar sendo observados neste momento.

Ele puxa meu cabelo, beija minha boca, depois segura meus quadris e me fode com toda sua força, cada estocada me faz ficar tonta de tanto tesão que não conseguirei aguentar muito. Então imploro:

―Por favor, Senhor, preciso gozar…

Ele não diz nada e continua com sua respiração forte e estocadas viscerais.

Eu tremo, sentindo seu membro em movimentos frenéticos alcançar meu íntimo bem profundo.

Eu começo a chorar baixinho e imploro mais uma vez:

―Senhor, por favor! Permita-me gozar…

Ele puxa meu cabelo é sussurra ao meu ouvido:

―Quer gozar, cadela? Ótimo, porque também quero. Mas agora não! Segure-se!

Dizendo isto, ele sai de dentro de mim, me puxa pelo cabelo e me empurra no sofá, de maneira que meu bumbum inchado pelas marcas do cinto toque o couro frio. Ele vai até a escrivaninha e volta com um sorriso maléfico no rosto e trazendo em suas mãos alguns clipes de papel.

Antes que eu pudesse soltar um lamento ele faz sinal com os dedos em seus deliciosos lábios me advertindo de ficar quieta. Ele alisa meu corpo, estou quase chorando. Do seu notebook vinha a música “Urselle – Purple Rain” e assim tento me concentrar na música para não gritar de dor ou tesão. Dor e excitão que  já estavam tão misturados que era impossível distingui-los.

Ele se abaixa entre minhas coxas e toca meu clitóris lentamente com sua língua deliciosa. Em poucos segundos esqueço a promessa de dor e rebolo descontrolada em sua boca. Mas a sensação maravilhosa é substituída por uma dor imensa e um urro me escapa da garganta ao sentir o clipe esmagando meu clitóris.

Ele rapidamente sobe em cima de mim e sufoca minha boca com sua mão dizendo:

– Shhh, quieta! Lembre-se: somente a safe Word me fará parar.

Em seguida ele solta minha boca e me fita nos olhos, esperando um sinal de. minha parte. Mas eu não peço arrego, sou forte vou conseguir. Repito para mim mesma “sou forte vou suportar”. Eu apenas me assustei porque pensava que ele os colocaria apenas em meus mamilos. Ele sorri, ao sentir que quero prosseguir.

Ele me beija a boca e desce beijando meu pescoço. Até alcançar meus mamilos e abocanhá-los. Ele os suga, beija, mordisca entre os dentes, e depois de um beijo suave em um dos mamilos sinto a pressão de um dos pregadores esmagando meu mamilo esquerdo, dou um grito, e ele novamente me faz calar com uma de suas mãos em meus lábios. Eu me acalmo, ele se abaixa e abocanha o mamilo direito, o suga devagar, de uma maneira tão doce que meu líquido escorre coxas abaixo, e um gemido logo escapa por minha boca.

Ele sorri e coloca o outro pregador, eu me contorço, mordo os lábios até sentir o gosto de sangue em minha e língua.

Ele toca meus lábios suavemente e de maneira sensual, beija minha testa. Ele se levanta e se posiciona em pé, atrás da minha cabeça, alisa meu rosto, seu membro em cima da minha face, pulsando, virilidade pura. Ele posiciona minha cabeça em uma angulação e sem piedade, enfia seu membro em minha garganta, me fodendo com força e sem dó, da mesma forma que ele faz com minha buceta.

Eu engasgo várias vezes, mas a dor dos pregadores e o desconforto do membro dele me sufocando se misturam com um calor intenso em minhas entranhas.

Ele sai da minha boca, mas quando penso que ele vai me libertar dos pregadores e me deixar goza, ele se afasta vai até a mesa e pega o cinto dele. Fico desesperada com a cena, ele caminha lentamente sempre com aquele sorriso malvado nos lábios.

Ele volta, posiciona seu membro em meus lábios e me invade a boca com suas estocadas, agora mais rápidas que antes. Fico tensa, esperado os golpes de cinto nos meus seios ou nas pernas, mas ele me surpreende, pois envolve o cinto no meu pescoço e aperta, me fazendo entrar num êxtase jamais provado até aquele momento. Suas estocadas viscerais, entram num ritmo descontrolado e seu gozo quente me invade a garganta, me engasgando e saindo dos ângulos da minha boca caindo pelo chão.

Ele geme, gira os quadris, alisa meu cabelo e me puxa, fazendo-me levantar; ele se aproxima, tira o pregador do meu clitóris que neste momento está pulsante e ultrassensível, após todo este tempo sob esta deliciosa tortura.

Estremeço ao toque leve de seus dedos em movimentos circulares e logo sua voz me sussurra ao ouvido.

―Minha doce cadelinha Aymee, vou permitir teu gozo. Mas você só poderá se aliviar usando seus dedos, enquanto lambe o meu gozo que está no chão, o resto que você não foi capaz de engolir. Faça de uma maneira lenta, estarei sentando ali na poltrona na sua frente e quero vê-la fazer isto de forma sensual e gozando deliciosamente para o teu Dono.

Eu nem penso em bloqueio de vergonha ou pudor neste momento. Estou tão desesperada para gozar que me sinto uma grande vadia safada. Eu concordo com o que ele diz, fazendo um movimento de cabeça. Em seguida eu me ajoelho, já com os dedos entre os meus lábios inferiores em movimentos frenéticos acompanhando minha respiração descontrolada.

Abaixo-me lentamente até tocar o gozo dele na cerâmica fria, e começo a lamber lentamente como se fosse o mais delicioso doce. Eu levanto meu olhar e vejo-o ali, imponente, sensual, com seu corpo semi-nu e seu membro semiereto ainda pulsando.

Não demora muito, e meu gozo finalmente explode em meus dedos, quente, intenso, minha carne trêmula em meus dedos, o sabor dele em meus lábios, e a certeza em minha mente, “sou completamente dele”.

Eu respiro fundo quando ele me abraça, seu corpo colado ao meu, nossos corações desacelerando. O perfume dele misturado ao nosso suor, tudo é mágico. Ficamos inertes por alguns minutos. Logo ele diz que posso recompor-me, e indica-me onde fica o banheiro.

Eu o deixo ali organizando a nossa bagunça e vou até o banheiro. Quando me olho no espelho, me pergunto onde está aquela “Aymée” que chegou à Itália para uma simples viagem com amigos.

Quando adentrei aquele castelo ela ficou presa por lá. Este mundo do sadomasoquismo é viciante, estou nele há pouco tempo e por mais complexo que seja não imagino minha vida sem ele, e muito menos sem meu Dono.

Mas o fato dele não me amar ainda me preocupa, estudei sobre o BDSM, o Lucas o meu grande amigo me ajudou muito a entender certas coisas. Tyerée não é casado, é solteiro e eu também e mesmo assim já é complicado. Fico imaginando o quanto é difícil para os que são casados e viverem uma D/s paralelamente à relação “baunilha” mesmo seus parceiros sendo conscientes ou não do sadomasoquismo. Acho que tem sempre um conflito, mas enfim, todos nós temos apenas um objetivo: realizar nossos desejos na submissão ou dominação.

Eu dou um último retoque na minha make up e saio do banheiro e como se fosse um passe de mágica. Ali está ele, lindo imponente, e com seu terno alinhado impecavelmente. Encostado em sua mesa, elegantemente pronto e com aquele sorriso safado no rosto, mas com um olhar extremamente cruel que faz meu coração acelerar.

Aproximo-me dele com a cabeça baixa. Ele me puxa em seus braços e me beija lentamente. E depois me diz:

―Minha menina Aymée. Aceita jantar comigo?

Eu o olho perplexa. Ele percebe meu desconcerto e sorri dizendo:

―Isto mesmo que você ouviu, Aymée. Fiz uma pergunta, te dei a chance de escolha.  Vamos responda! Não gosto de esperar. Ou será que está querendo uma boa sessão de spanking para aprender a não me deixar esperando quando eu fizer uma pergunta?

Ele fica lindo quando é divertido e sarcástico. Eu dou um sorriso de alívio e respondo:

―Senhor, adoraria uma sessão de spanking (risos). Adoro tudo que me concedes, mas neste momento aceito seu convite, será uma honra poder estar com o Senhor um pouco mais.

Ele dá um tapa em minha bunda e diz:

―Boa resposta cadelinha. Minha menina.

Ao caminho do restaurante, falamos sobre diversos assuntos. Ele estava leve, divertido, parecia feliz. E isto me alegrava de uma forma intensa. Sentia-me como se minha felicidade estivesse ligada a dele. Meu coração estava tão leve quanto aquele sorriso nos seus lábios.

A minha risada era extensão da risada dele e em seu olhar eu me encontrava segura, protegida, me sentia DELE. O jantar foi maravilhoso. Ele me levou à minha casa, já que me fez deixar o carro no prédio do seu escritório, alegando que não queria que eu dirigisse àquela hora da noite, e que os seus planos comigo eram outros. Não questionei, ele sabe o que faz.

Ao chegarmos à porta do meu prédio, comecei a me questionar o que ele tinha em mente. Ao desligar o carro ele me olha sorrindo me diz:

―Pronto, moçinha! Você está em casa. Durma bem e amanhã será um novo dia para nós dois.

Eu fico ali paralisada, sem entender que raios de planos eram estes. Fico sem saber o que dizer, fazer ou perguntar. Eu pensei que ele dormiria comigo, que tivesse interesse em conhecer minha casa. Mas pelo jeito ele não se importa. Apenas as vontades e desejo dele que contam.

Eu concordo com a cabeça em movimento de afirmativo, dou um beijo de leve em seu rosto e respondo:

―Obrigada! Boa noite, Senhor.

E saio do carro sem olhar para trás. As lágrimas estão para descer, mas me controlo, não vou dar este show na portaria do meu prédio.

Ao entrar em casa é impossível conter minhas lágrimas. Como pode uma pessoa mudar da água para o vinho, do fogo ao gelo em questão de segundos? Eu não entendo. Ele estava tão carinhoso, tão alegre e divertido, tão humano. E nos últimos minutos voltou a ser o Senhor gelo, totalmente insensível.

Tiro minha roupa e encho a banheira, vou até o bar e pego uma garrafa de whisky. Não, não preciso de copo ou gelo. Vou beber direto da garrafa, quero afogar esta minha dor, este meu sentimento que não me é permitido, sentimento que não posso demonstrá-lo. Não posso ter, sou apenas uma posse, um objeto, um brinquedo. Dou um grande gole da garrafa, pego meu telefone e penso em passar uma mensagem para ele para dizer como me sinto, eu prossigo até a banheira. Entro na água morna e relaxante, mas que não me acalma por nada.

Continuo bebendo e olhando o celular para ver se tenho coragem de dizer o que tenho engasgado na garganta. Mas a verdade é que tenho medo de perder o que tanto amo. As lágrimas não param de rolar. É tudo tão intenso, tão lindo, tão perfeito, tão doloroso, tão cruel. Uma mistura complexa entre dor e prazer, amor e desprezo. Como posso sobreviver a este furacão chamado Tyeree e sair ilesa?

A música “Beyoncé – Poison” que está passando na rádio parece que foi feita para mim. Ele é tóxico, um veneno, uma droga que eu era totalmente dependente. Alguns minutos tentando entender, compreender-me, o meu celular toca; é ele. Não atendo. Quer saber?! Que se foda! Eu o amo, mas tenho que aprender a não amar tanto. Tenho que mostrar que também não me importo e nem sempre ele pode ter o que quer de mim. Não é assim tão fácil. Ele insiste por um longo tempo e eu não mudo de idéia.

Depois de algum tempo, dou por mim que já bebi metade da garrafa. Minha cabeça gira, a água já está fria, assim como o meu Senhor do gelo, odiosamente apaixonante. A sonolência alcoólica me faz derrubar a garrafa que se quebra ao bater na banheira, espalhando os cacos de vidro pelo chão. Falo um puta palavrão, (risos) e tento sair da banheira, escorregando algumas vezes, mas saio inteira e em pé. Mas como todo azar é pouco, piso nos pedaços de vidro espalhados pelo chão e agora todo o tapete do banho e azulejos estão ensanguentados, que droga!

E para completar meu desespero a campainha toca. Pego a toalha, enrolo-me rapidamente, vou mancando até a porta e quando olho no olho mágico vejo Tyeree.

―Droga! ― Exclamo comigo mesma. Fico quieta, com esperança que ele vá embora. Mas ele pega o celular e me liga. Não consigo chegar a tempo ao meu celular para colocar no silencioso.

Então ele bate na porta e me diz:

―Aymee, abra a porta. Precisamos conversar. Escute, sei que você esta aí. Então me ouça. É tudo novo para você, toda esta confusão de sentimentos é normal. Eu não estou aborrecido ao menos não com isto. Abra a porta menina.

Eu não sei o que me dá. Eu não sei se abro a porta ou se me escondo. Mas algo mais forte que eu me faz abrir a porta. Ele se assusta ao ver meu estado, descabelada, descomposta, sangrando literalmente dentro e fora. Ele entra, abraça-me, aperta-me forte o queixo e beija-me tirando meu ar. Mas me solta em seguida com um urro:

―Mas que porra! Você encheu a cara, Aymee! Odeio que minha posse se embriague e fique neste estado deplorável principalmente estando longe de mim. Olhe como você está! Você se cortou! Mas que droga…

Eu continuo o choro baixinho e respondo:

―Senhor, eu estava triste, confusa, com medo e…

Ele enfurecido me interrompe dizendo:

―Cale-se! Isto não justifica, no momento certo será punida por isto. Agora vou cuidar de você. Onde é banheiro?

Eu aponto a direção com o dedo, ele me segura forte em seus braços e me leva ate lá. Olha com sinal de desaprovação a bagunça da garrafa de whisky quebrada e todo aquele sangue. Ele esvazia a banheira e me faz sentar de baixo do chuveiro, ele tira sua camisa e começa a me ensaboar toda. Eu escuto a música “Angel – Sarah Brightman” no rádio

 

“Eu sou sua chuva

Eu sou o seu desejo

Um pouco da sua dor

Eu sou o seu vermelho

Eu sou azul

Eu sou o seu anjo

eu estou em ti”

 

E meu choro continua silenciosamente, as lágrimas descem se misturando à água do chuveiro. Exatamente assim que ele é em minha vida, ele é o meu desejo, a minha dor, é o meu anjo e mesmo que eu tente fugir é em vão, ele está em mim.

Ele termina de me dar banho, me ajuda a sair da banheira, colocando-me sentada fora dela. Pergunta em seguida:

―Você tem um kit de primeiros socorros?

Eu mostro o armário da pia do banheiro. Ele se ajoelha na minha frente. Coloca minha perna em seu colo e começa a desinfetar e limpar. Faz o curativo no corte como se fosse um profissional. Acho que existem habilidades nele que eu nem faço idéia que ele possua.

Ele está furioso, posso sentir em sua respiração, mas seu autocontrole é incrível. Ele me pergunta onde é o quarto e eu digo que fica no corredor. Ele me ajuda a caminhar até lá. Ele me coloca sentada na cama. E me diz para esperar.

Eu não me lembro de muito daquele momento, mas sei que liguei a TV. E depois a escuridão. Acordo com ele me levantando da cama e chamando-me:

―Acorde Aymée! Tome este remédio! É um analgésico, vai ajudar a diminuir os efeitos de sua ressaca amanhã.

Ele coloca o comprimido em minhas mãos e me ajuda a levar o copo até a boca. Eu obedeço sem questionar. Ele coloca o copo na cômoda, tira sua roupa, ficando apenas de cueca. Mesmo estando bêbada adoro aquela imagem, acho que deixo escapar meus pensamentos safados, porque logo ele me diz:

―Não ouse sorrir novamente. Ou realmente vou perder o mínimo de piedade que estou agora e te farei dormir no chão.

Ele deita ao meu lado, mas vira as costas apagando a luz. Ele deixa a TV ligada, lembro-me disto por causa da música tocando baixinho.

Uma tristeza me invade, uma sensação estranha. Começo a chorar. Ele se aproxima. E me abraçando me diz:

―Ah! Menina saiba que AMANHÃ vai me pagar por eu estar sendo sua babá ao invés de… durma!

Ele cessa a frase com a voz alterada.

Adormeço sabendo que pagarei o preço amanhã.

***

Acordo, rezando para ter sido tudo um sonho ruim. Mas os seus sapatos do outro lado da cama são a prova de que tudo foi bem real.

Estou nua como ele me deixou na noite passada, depois do banho. E é assim mesmo que vou procurá-lo.

Encontro-o na sala de jantar. Duas xícaras na mesa. Ele está bebendo o seu café, mas ao sentir meus passos, rapidamente levanta seu olhar. Olhar este que me faz parar de caminhar por uns segundos, esperando a sua reação.

Eu estou imensamente envergonhada. Aquele olhar de desaprovação dele é desconcertante.

Ele me faz um sinal para que eu me sente na cadeira a sua frente. Ele me encara e diz:

―Suponho que a senhorita não consiga comer nada. Depois do seu estado etílico de ontem, acredito que o café te bastará por enquanto. Dizendo isto, ele me serve café.

Eu respiro lentamente e seguro o choro. Porque sei que a bronca será das grandes.

Eu bebo o café enquanto ele fala:

―EXPLIQUE-SE SOBRE ONTEM!

Eu penso em toda confusão de sentimentos e começo a falar:

―Eu fiquei insegura, achei que o Senhor tivesse planos para nós dois e aí do nada, me deixou aqui, sem dizer uma palavra… E…

Eu paro e levanto o olhar por alguns segundos; ele está me encarando paciente por fora, mas aquele olhar frio me assusta, pois não sei o que se passa por de trás dele. Mas eu o conheço tempo bastante para identificar que serei punida com a sua crueldade.

Ele estala os dedos e me diz:

―Prossiga com o que estava falando, CADELA!

―P-Perdão Senhor. ― Respondo gaguejando. Tento continuar. Abaixo meu olhar e digo:

―Eu queria o Senhor aqui comigo, eu queria ter sido usada e amada pelo Senhor nesta noite que passou. E ao invés disto, comportei-me feito uma garotinha inexperiente, reagi da maneira errada, comportei-me mal, envergonho-me dos meus atos.

Ele respira lentamente. Escuto seus passos mais não ouso levantar o olhar. Ele toca meus cabelos de maneira lenta, caminha ao meu redor como um leão faminto prestes a atacar. Estou tremendo, mãos suando e sim aquela excitação entre as coxas, como uma cadela no cio. Suas mãos fortes envolvem meu pescoço, e de uma maneira rápida ele me faz levantar, empurrando-me na parede, segurando o meu queixo. Vejo a fúria em seu olhar, meus olhos lacrimejam não somente do susto e desconforto por estar naquela posição, mas de medo.

Ele aperta ainda mais o meu pescoço, e meu maxilar. Aproxima seu o rosto do meu. E entre os dentes me diz:

―Cadela! Se me queria contigo, IMPLORASSE! Você tem que implorar, me desejar de maneira indecente, mas tem que me demonstrar isto. Se tivesse implorado eu teria entrado, teria-te fodido em cada canto desta casa, marcando meu território. Mas por mais que eu seja o seu dono, teu senhor, não vou invadir sua casa. Você não me convidou para entrar, como fizera no quarto do hotel em nossa primeira noite na Itália, Aymée.

Ele alivia a pressão no meu queixo. Mas intensifica a pressão no meu pescoço. Sinto o sangue nos meus olhos, a sensação de quase desmaiar é intensa, mas ele pressiona e solta no momento certo. E então com a voz abafada digo:

―Imploro por seu perdão Senhor. Eu errei… E…

Ele dá um sorriso sínico, alisa meu rosto e me beija de forma violenta, sem deixar a sua mão do meu pescoço. Seu corpo esta colado ao meu, sinto seu membro pulsar de excitação. Gemo baixinho em sua boca, e ele aguça o beijo, eu sinto seus dentes nos meus lábios e em seguida a mordida que me faz gritar. Ele se afasta deixando em minha boca o gosto de sangue misturado à sua devassidão.

Meu íntimo está em contrações, meu corpo precisa senti-lo dentro de mim. Lembro-me das palavras dele, dizendo-me para implorar e eu de ímpeto falo:

―Por favor, Senhor. Permita-me servi-lo, eu…

Ele dá uma risada e diz:

―Não será tão fácil cadela! Estou excitado pela situação, mas vou me divertir muito em castigar-lhe. Prometo… Ou melhor, não prometo nada, você tem a safe Word, eu poderia esperar você estar mais forte, melhorar. Mas não farei isto! Você está de ressaca, não está doente, fez ceninha e agiu de impulso e isto terá suas consequências. Pagará por seu erro. Como não tenho nada aqui comigo dos meus brinquedinhos, não pense que cansarei minha mão em sua carne. Encontre algo que me sirva.

Dizendo isto, ele caminha até a cozinha, suponho que ele tenha visitado todo meu apartamento enquanto eu ainda dormia. Ele volta de lá com a tábua de madeira de cortar carne. Ele para na minha frente e me diz:

―Fita adesiva. Você tem alguma aqui cadela?

Ainda em uma confusão mental, eu aponto a gaveta do armário do corredor. Ele sorri, vai ate lá e me faz um sinal para acompanhá-lo. Começo a caminhar, ele me adverte:

―De quatro! Venha de quatro até mim.

Eu ajoelho lentamente, engatinho-me até aos seus pés. Ele alisa meu cabelo e me diz:

―Não te vejo tão desesperada por perdão.

Eu respondo:

―Por favor, Senhor! Perdão! Estou arrependida, reconheço minhas falhas.

Ele puxa meus cabelos com força, fazendo-me engatinhar rapidamente até a cozinha, dizendo:

―Aceito seu pedido de desculpas, mas somente isto não me basta!

Ele me faz levantar e me empurra na mesa da conzinha. Minha barriga tocando o mármore frio, eu ali exposta, aberta e mesmo assim não era o bastante, ele me faz abrir ainda mais as coxas e imobiliza-as nas pernas da mesa. Ele me imobiliza as mãos uma com a outra, em posição de prece. Depois se aproxima do meu rosto, dizendo:

―Eu poderia te amordaçar com a fita adesiva, calando sua boca, porque não quero seus gritos, até para não acharem que estou te matando, mas pensando bem. Quero que você se contenha! Nada de gritos, urros! Apenas gemidos baixinhos. Você soube ficar calada ontem ao invés de implorar, mostrar o que sentia pelo seu Senhor, então agora também ficará caladinha. Aceito que fale apenas se precisar da sua Safe Word. E acredite Aymée, de todo este tempo juntos, creio que hoje você vá precisar dela.

Eu escuto atentamente suas palavras sádicas. O suor escorre pelo meu corpo, ele coloca a tábua de madeira na minha frente e se afasta com um sorriso nos lábios e a fúria em seu olhar.

Ele tira sua camisa e sua calça, ficando apenas de cueca. Seu membro está praticamente pulando para fora. E minha excitação só aumenta vendo aquela cena. Ele se aproxima, pega a tábua, e some do meu campo de visão. Sinto o calor de suas mãos alisando meu corpo, e logo seus tapas estalando em minha bunda, fazendo-me perceber que aquilo era apenas o aquecimento, a preparação de minha carne para seus golpes.

Minutos depois sinto a primeira pancada que me faz fechar os olhos em meios às lágrimas. O gosto de sangue da mordida em meus lábios aumenta ainda mais, pois pressiono os lábios entre os dentes para não gritar nos golpes sucessivos. Eu perco as forças, e só não caio ao chão por estar presa de bruços na mesa. Ele pára em alguns momentos, dando-me a ilusão de que está satisfeito. Mas meu doce engano não demora muito e ele recomeça, sinto a carne da minha bunda queimar, estou quase perdendo a sensibilidade no local. Eu não sei se por piedade do meu estado ou por ele estar cansado, os golpes são cessados.

Ele se afasta. Escuto o barulho de copos na sala. Ele liga o aparelho de som e a musica “Ultraviolence – Lana del Rey” realmente é perfeita para nós.

 

“Ele me bateu e foi como um beijo

Me machucou mas foi como o amor verdadeiro

me ensinou

Que amá-lo nunca foi suficiente

Me dê toda essa ultraviolência”

Minutos depois, ele está na minha frente, com um copo de Wishky puro em suas mãos e outro copo com água que deixa ali na minha frente. Contudo na posição que estou, mesmo se ele autorizasse, eu não conseguiria matar minha sede.

Ele se senta na cadeira a minha frente, e degustando lentamente sua bebida ele me diz:

―Você está com sede?

Respondo rapidamente:

―Sim, Senhor. Muita sede.

Ele se levanta, vai até a pia e volta com uma faca nas mãos. Meu coração dispara, mas sei que é por causa da fita adesiva, ao menos é nisto que quero acreditar.

Ele alisa minhas pernas, minhas costas e logo brinca com a faca em minha pele. Sinto calafrios, ao sentir o metal frio, arranhando-me. Nunca falamos sobre o uso de objetos cortantes em nossas sessões, acredito que não será hoje. Ele corta a fita adesiva, liberando-me, massageando minhas pernas, me ajuda a ficar em pé e libera meus pulsos, fazendo massagem até que o desconforto maior passe.

Ele pega o copo de água. E eu logo tento pegar de suas mãos. Ele faz um olhar de advertência e se afasta com o copo. Eu em desespero e imploro:

―Perdão Senhor. Por favor, tenho muita sede.

Ele sorri e se aproximando me diz:

―Isto, boa menina. Venha beber água.

Ele posiciona o copo de água em meus lábios e me permite beber. Sorvo lentamente e olho para ele. Vejo ternura, orgulho em seus olhos. E isto acalma meu coração.

Quando estou satisfeita com a água, ele deixa o copo na mesa e se aproxima puxando meu corpo contra o seu. Ele belisca meus mamilos com força e quando começo a gemer, ele me beija, eu quero tocar o seu corpo, mas tenho medo de uma desaprovação, então mantenho minhas mãos para trás.

Ele desce uma de suas mãos entre minhas coxas, me faz afastar as pernas, e brinca com meu clitóris, eu não consigo pensar em me conter, e tenho um orgasmo em suas mãos.

Ele espera que eu me acalme e me faz sentar na cadeira, sem dizer nenhuma palavra. Mas nem precisa, já sei que ele ainda não vai me penetrar. Ele chega por trás, prende minhas mãos para trás com a fita adesiva e minhas pernas abertas na cadeira, deixando-me exposta, molhada e frágil às suas vontades.

Eu não digo uma palavra, pois não quero despertar a fúria dele. Ele se afasta, tira lentamente sua cueca, seu membro pulsa involuntariamente, bem ereto. Eu engulo seco, e o tesão toma conta de mim; ele alisa seu membro, em movimentos lentos e ritmados me fazendo salivar. Ele sorri porque percebe a vontade me invadindo, então ele diz:

―Quer sentir o meu sabor em teus lábios, cadela?

Eu engolindo a saliva digo:

―Sim, Senhor. Por favor, permita-me sentir seu sabor…

Ele sorri amplamente e se aproxima. Eu estou tão alucinada em sua ereção que não dou importância para a colher de madeira em suas mãos. Pois não tenho tempo para o medo. Ele invade minha boca com seu membro, fazendo-me engasgar, e à medida que seu movimento de “vai e vem” segue alucinado em minha boca, as batidas com o cabo da colher de pau seguem sincronizadas no meu clitóris. A dor me faz querer gritar, mas cada vez que tento gritar ele entra ainda mais fundo em minha boca. As suas mãos puxam meu cabelo, controlando os movimentos até explodir seu gozo quente em minha garganta, fazendo-me engasgar, onde ele permanece por instantes até que eu limpe cada gotinha em sua pele quente e pulsante em minha boca.

E quando se afasta soltando meus cabelos, ele está com um sorriso maravilhoso. Aquele sim era o meu Tyeree. Lindo, sorridente e com aquela boca sensual pronta a me dizer coisas belas, assim eu pensava até ele dizer:

―Muito bem cadelinha, me serviu maravilhosamente bem. Tudo que eu preciso agora é um banho relaxante. Mas você vai continuar aí do jeitinho que está, esperando-me. Ainda não terminei com você!

Eu não consigo acreditar que ele vai me deixar amarrada, nua, toda aberta na cozinha, enquanto ele vai tomar banho relaxante… Isto e…

Nem tenho tempo para pensar quando escuto os seus passos sumirem no corredor.

E eu fico ali excitada e ouvindo a música “Bad Sometimes- Randall Breneman”, melodia sensual na minha mente.

Eu escuto o barulho da água e fico imaginando meu Tyeree ensaboando lentamente seu corpo com o meu sabonete preferido. Dava tudo para ver esta cena maravilhosa, pois mal sabe ele quantas foram às vezes que eu me toquei pensando nele, quantas vezes eu o desejei durante meus banhos.

Eu fico ali por algum tempo. O suor escorre por todo meu corpo. Abaixo o meu olhar, escuto seus passos aproximarem-se, meu coração acelera ao vê-lo na minha frente, fresco do banho, com meu cheiro em sua pele. Ele sorri. Aproxima-se, e só então vejo novamente a faca em sua mão.

Com um ar sádico de garoto malvado, ele corta as fitas adesivas do meu pulso e pernas e antes de me fazer levantar, alisa os mesmos, massageando-os, fazendo-me voltar à circulação naquelas lugares. Como se fosse preciso, só a presença dele era o bastante para o meu sangue ferver.

Ele me levanta de forma carinhosa, me apoia em seu braço e sussurra ao meu ouvido:

―Hora de tomar banho, menina!

Uma parte de mim deseja muito um banho, mas a outra deseja terminar o que estávamos fazendo antes. Mas a idéia de tomar banho com ele também me excita. Ele me desperta dos meus pensamentos quando abre a porta do banheiro e liga a ducha da banheira, fazendo-me sinal para entrar. Eu entro debaixo da água e giro-me de frente para a parede, imaginando que ele vai entrar comigo. Mas logo sua voz entra em comando:

―Vire-se lentamente! Quero admirar seu corpo que me pertence. Isso, boa menina! Ensaboe-se como se eu estivesse ai contigo.

Eu me viro e ele está sentado em uma cadeira, observando-me. A visão dele nu sentando, assistindo ao meu banho, deixava-me sem graça, tímida. Eu ficava imaginando como ele era capaz de me causar estes extremos. Ora me faz sentir como uma puta devassa, ora me faz parecer uma garotinha inexperiente e cheia de medos?!

Eu começo a ensaboar o meu corpo e tento olhar ele nos olhos, mas a timidez é maior que eu. Ele percebe e entre sorrisos ele me diz:

―Esta com vergonha de mim, menina?

Eu respondo com um “sim” que quase não me sai da garganta ao vê-lo se aproximando. Então ele diz:

―Pois não seja tímida. Vou colocar uma música para te ajudar a relaxar, mas quero que você se toque como se fosse eu a fazer isto.

Ele se afasta, vai até a Docking station coloca o seu celular fazendo tocar “Awolnation – Sail” que se inicia quente e sensual. Eu fecho os olhos e começo a tocar meu corpo como ele deseja. A água escorre pelo meu corpo, mas não acalma o fogo que sinto, estou ardendo, pois cada vez que abro os olhos eu o vejo sentado na cadeira a minha frente, com seu membro pulsando, exalando masculinidade.

Então resolvo ser mais ousada. Giro meus quadris lentamente, e deslizo uma de minhas mãos entre minhas pernas. E lentamente castigo o meu clitóris, enquanto a outra mão aperta desesperadamente meus mamilos.

Estou extremamente excitada, já não sinto a dor das marcas deixadas por sua disciplina. Eu abro os olhos e ele esta na minha frente. Ele entra na ducha junto comigo, seus olhos são fogo e ele tem um ar selvagem.

Ele puxa meus cabelos e invade minha boca, mantendo seu corpo colado ao meu, seu membro encostado em meu ventre enrijece à medida que nossas línguas dançam em nossas bocas.

Ele me empurra à parede, e com suas mãos ele levanta minhas coxas, fazendo-me enlaçar sua cintura e abraçar seu pescoço. Ele entra em mim, sem aviso, em um só golpe, invadindo-me, preenchendo-me com suas estocadas. Sua boca agora passeia por meu pescoço, sugando-me a pele, enquanto gemidos me escapam da boca. Gemidos estes que logo são urros de prazer, gritos de luxúria, seus movimentos se intensificam, e ele sussurra ao meu ouvido:

―Te Amo!

Eu não sei se por sua frase sussurrada ao meu ouvido ou as estocadas do seu membro dentro de mim, mas o meu orgasmo explode de uma maneira surreal. Estou tremendo, apertando de forma descontrolada sua virilidade com toda minha libido deste desejo insano e passional.

Nossa respiração se acalma, mas ele continua dentro de mim. Respirando fundo, ele me olha nos olhos, eu tento abaixar o olhar, mas ele segura o meu queixo e me beija novamente.

Não consigo segurar a emoção, lágrimas rolam no meu rosto, misturando-se à água do chuveiro. Eu esperei tanto por isto, parece um sonho, mas aquela frase sussurrada ao meu ouvido está bem viva em minha mente.

Eu deixo escapar um soluço, ele se afasta, saindo lentamente de mim, de uma forma tão sensual que eu gemo baixinho sentindo já sua abstinência. Ele me olha nos olhos, sem entender. E eu abaixo o olhar porque não tenho palavras para explicar a emoção que estou sentindo.

Ele como sempre parece me entender, me puxa para os seus braços e resta ali quieto comigo, apenas o barulho da água e nossos corações batendo ritmados. Terminamos o banho em silencio, ele me ajuda a sair. Ele se enxuga primeiro, se enrola em uma toalha e sai do banheiro.

Eu fico ali secando meu cabelo e olhando meu reflexo no espelho. A música seguinte do seu celular na Docking station me faz viajar: “Ed Sheeran – Kiss Me”. Eu saio do banho e vou direto ao quarto; ele está sentado na minha cama. Faz-me um sinal para que eu vá ate ele. Obedeço. Faz-me virar lentamente, desliza suas mãos pelas marcas em meu corpo.

Sinto sua respiração em minha pele, e o mínimo toque de suas mãos em mim, fazendo-me arrepiar e me lembrar de sua declaração minutos antes. Ele me puxa para sentar em seu colo, e me diz:

―Sei que ficou confusa pelo que eu te disse. Mas precisaremos conversar sério sobre isto.

Eu respiro fundo e já me preparo para o pior. Ele dirá  que se empolgou que não queria dizer isto ou dirá algo sobre a relação D/s que me fará desmoronar em choro.         Então digo:

―Eu entendo. Sei que talvez…

Ele me silencia, colocando seus dedos em meus lábios e dizendo:

―Eu disse que vamos falar sobre isto. Mas não disse que seria agora. Antes precisamos repousar menina. Venha, deite aqui comigo.

Ele se deita e me faz apoiar a cabeça em seu peito. Eu faço como ele me diz, e adormeço em seus braços, aproveitando cada segundo. Porque o depois, o depois não sei como será. Eu o temo o amanhã infinitamente.

***

Acordei com o toque suave de suas mãos em meu rosto. Seu olhar sempre foi intenso e enigmático, mas desta vez existia um algo mais.

Ele alisa meus lábios e sem tirar o seu olhar do meu, diz:

―Agora, precisamos terminar nossa conversa.

Ele apoia o corpo nas almofadas e travesseiros, ficando em uma posição mais confortável. E eu faço o mesmo. Meu coração está acelerado, estou realmente com medo do que ele quer me falar. Ele começa dizendo:

―Aymee, nossa relação cresceu de uma forma inesperada. Encontrei em você mais que a submissa, a amante, a amiga, a namorada. Eu encontrei a mulher que amo. Sim! Eu me apaixonei por você e isto não é nenhum pecado, eu sou humano e tenho sentimentos como qualquer outro mortal. (ele sorri) Isto não muda nada o que já construímos, isto é algo que veio para acrescentar. Você sabe que amo ser dominador, prezo pelo sadomasoquismo. E não abro mão disto! Nunca te prometi e nem prometo-lhe contos de fadas. Não sou príncipe encantado, estou mais para “lobo mau”.(risos). Eu não posso dar-lhe o mundo, mas farei o até o impossível para cuidar de você. Eu tentei negar a mim mesmo o que estava sentindo, não porque sou um dominador, mas porque aconteceu muito em tão pouco tempo. Mas podemos não ter outra chance para vivermos este amor. Aymee, eu sou apenas um homem apaixonado, que não têm medo de assumir este sentimento, pois quero vivê-lo intensamente…

Todas aquelas palavras me causaram sensações desconhecidas. Lágrimas me banharam o rosto e aliviaram meu coração. Aquele choro, aquelas palavras que saíram da boca dele eram libertadoras. Em meio a um respiro profundo eu o interrompo:

―Tyeree, nunca busquei perfeição, nunca esperei além do que me foi concedido. Quando nos encontramos eu nem imaginava viver tudo isto. Eu era apenas uma curiosa e confesso que também pensei que seria apenas sexo, realização de desejos libertinos e pura luxúria. Você me apresentou seu estilo de vida, e naquela noite no Castelo na Itália eu estava deslumbrada, queria apenas divertir-me, apenas conhecer um pouco mais deste mundo (sadomasoquismo) que para mim sempre foi fascinante. Mas descobri que faço parte deste mundo tanto quanto você. Você me fez ir além dos meus fantasmas, das minhas barreiras. Eu te amei desde o início, você me fez perder o controle, e…

Eu nem termino a frase, ele toma a minha boca em um beijo selvagem com todo o seu poder de sedução. E quem resistiria a um beijo assim? Podia sentir a química entre nós. Nosso sentimento naquele momento era palpável. Não demorou muito para que suas mãos me apertassem, abrisse, preparasse para recebê-lo. Mas a verdade é que eu já estava pronta, embriagada, consumida, dominada por aquele louco amor. Ainda conseguia escutar a música “All of Me – John Legend” que fazia o som ambiente vindo do celular dele. Eu mal podia acreditar, se era um sonho eu não queria mais acordar. Neste momento senti seu membro ereto invadindo-me, abrindo meu íntimo molhado de tesão. O peso do seu corpo sobre o meu, sua boca ainda colada na minha, a profundidade daquela música, tudo aconteceu tão rapidamente que estava difícil acreditar que não era um devaneio. Mas ele me trouxe à realidade, sussurrando ao meu ouvido:

―Fazer-lhe perder o controle é um vício para mim!

Arrepios me percorriam o corpo pelo roçar de nossas peles, fazendo-me gemer cada vez mais alto. E suas estocadas dentro de mim aumentavam. O seu membro estava cada vez mais duro, quente e pulsava dentro de mim, fazendo com que meu íntimo se contorcesse em contrações ritimadas o envolvendo por inteiro, o apertando ainda mais dentro de mim. Seus gemidos eram descumunais. Eu já não alisava as suas costas e sim o arranhava desesperadamente. Tudo estava tão intenso, passional. Havia uma nessecidade de senti-lo cada vez mais profundo dentro de mim. Consumindo-me, devorando-me. Nada parecia o bastante para saciar nossa fome, para consumir o nosso desejo. Após mais um longo beijo, o gozo foi inevitável, nossa sincronia foi perfeita, algo que jamais conseguirei transmitir em um papel, não existem palavras para expressar o que sentimos.

Ofegantes, permanecemos por algum momento recuperando forças e fôlego. Depois tomamos banho juntos, mas nenhuma palavra foi dita entre nós. Nosso banho foi regado de muitos beijos, carinhos debaixo daquela água refrescante e espuma perfumada. Curtimos cada segundo daquele momento mágico, nos entendendo apenas com olhares e toques. Mas sabíamos que existia muito mais a ser dito desta louca história entre nós dois.

E foi degustando um bom vinho, sentados à sala horas depois que encontramos o momento justo para falarmos o que ainda existia para ser dito. Ele, como de costume coloca o som ambiente. As playlists eram sempre maravilhosas, ele sempre tinha a música perfeita para o momento perfeito. E ouvindo “You could be happy – Snow Patrol” tive a certeza que tudo nele era realmente apaixonante, pois até nossos gostos musicais eram muito parecidos.

Ele outra vez enche nossas taças de vinho. Ajeita o seu roupão e senta-se na poltrona à minha frente. Da mesma maneira que ele fazia quando queria discutir a nossa relação.

Depois de respirar fundo ele começa:

―Aymee, quero que entenda apenas uma coisa: ainda viveremos nossa relação D/s, até mesmo porque inicialmente nosso acordo de passar a viver juntos era para dar um passo maior em nossa relação sadomasoquista. A grande diferença agora é que temos nossos sentimentos expostos, assumidos…

Sem pensar duas vezes eu o interrompo:

―Tyeree, eu quero viver tudo com você. Quero e amo todos os teus extremos, todos os teus lados. A relação sadomasoquista é muito prazerosa para mim e acredito que temos muito a ser vivido nela. Mas o seu amor… Seu amor é uma dádiva para mim. Eu me sinto completa contigo.

Ele sorri serenamente e me diz:

―Aymee, minha doce menina, minha amda mulher! Então deixemos claro que a partir de hoje tentaremos viver juntos não somente pelo nosso desejo crescente, mas acima de tudo por nosso amor. Acredito que ficarmos no meu apartamento seria mais prático, mas podemos decidir isto nos próximos dias. Contudo saiba que estou imensamente feliz contigo. Você é a minha submissa, a minha doce amante e a partir de hoje minha mulher. Hoje, iniciamos uma nova etapa que será bem tumultuada com nossas profissões, horário de trabalho, nossa relação sadomasoquista, nosso desejo fulminante misturado ao nosso doce amor. E isto sem falar em nossa família que mal sabem de nossos planos. (risos)…

Eu vou até ele, aconchego-me em seus braços e digo:

―Eu esperei muito para viver um sentimento assim. Sonhei muito em ser correspondida por você neste sentimento que o que está por vir não me assusta nem um pouco. Pelo contrário, enche-me de alegria poder ser sua por completo.

Ele beija docemente o meu decote, mas logo seu gesto tão calmo se transforma;  ele me beija tirando meu fôlego. Nem percebo quando ele desamarra meu roupão. Ele sorri e me manda ficar de pé. Meu roupão de seda cai aos meus pés, ele me faz erguer as mão para cima da cabeça e me imobiliza. Amarra meus pulsos com o cinto do meu roupão e lentamente começa a sugar meus seios. Lambendo, mordendo como se este gesto fosse aplacar a sua fome. A posição que estou não me ajuda muito. Estar ali de pulsos atados, em pé à sua frente, sentindo sua boca me devorando inteira, enquanto suas mãos percorrem cada centímetro de minha pele, fazia com que escorresse por entre as coxas o meu prazer em forma de fluído quente brotado do meu íntimo. Ao perceber o meu tesão descontrolado e sentir o cheiro de sexo no ar, ele não pensa duas vezes: joga as almofadas no tapete macio da sala e me posiciona ali mesmo, abrindo minhas pernas ao máximo, deixando-me exposta, vulnerável aos desejos sacanas que nele habitavam.

Ele iniciou com delicados beijos em minhas coxas, pegando-me de surpresa quando me invadiu com sua língua descontrolada e sedenta. Contorço os quadris, gemidos escapam dos meus lábios e poucos minutos depois ele bebe tudo de mim, deixando-me alucinada. E antes que eu possa recuperar o meu fôlego, ele me penetra sem prévio aviso. Ao ver meu espanto com o seu gesto, ele sorri e sola uma de suas piadinhas sarcásticas:

―Quer que eu pare, moçinha?

Neste momento não tenho condições de falar, mas com um olhar suplicante imploro para que continue. E então seu ritmo começa rápido e certeiro, fazendo-me gritar. Ao ver que estou quase gozando ele sai de dentro de mim já se ajoelhando ao meu lado. E puxando meus cabelos murmura:

―Me chupe!

Eu sempre amava chupá-lo e naquele momento eu estava faminta. Eu lambo sua glande, desço engolindo ele totalmente para no fim, tocar seus testículos com a minha língua. Estava muito excitada e fora de mim, mas pude ouvir um palavrão da boca dele entre seus gemidos continuos, durante o “vai e vem” de suas estocadas na minha boca. Quando iniciou a socar cada vez mais fundo em minha garganta, fazendo-me engasgar, ele retira da minha boca e volta a fuder meu sexo como se fosse a última transa da vida dele. Eu perdi a conta dos orgasmos múltiplos que senti, até seu membro pulsar descompassado, inundando-me o íntimo, fazendo escorrer seu gozo para fora de minhas entranhas, tamanha era a quantidade do seu prazer atingido.

Estávamos suados, ofegantes, e descabelados. Não obstante nossos olhares eram mais cúmplices que nunca. Ele desamarra meus pulsos, beija cada um deles e depois enquanto os massageia, diz:

―Te amo, MINHA Aymee!

Eu beijo as suas lindas mãos e com a voz engasgada de felicidade respondo:

―Te amo muito, Tyeree!

Apaixonados, cúmplices na cama e na vida, amantes insaciáveis éramos nós. Eu vivia os momentos mais felizes de minha vida sexual e emocional. Não era um conto de fadas, nada seria fácil, mas na verdade, nada nunca havia sido fácil. Mas aquela era a primeira vez que eu acreditava muito em um sentimento como o nosso. Era um sonho se tornando real.

Onde se encontra o amor? Onde menos se espera! Se eu não houvesse entrado neste jogo de sedução e de prazer, se eu não me arriscara indo naquele Castelo quando estava na Itália, se eu não houvesse convidado-o para entrar naquela noite, talvez hoje, seria apenas um dia comum cheio da velha rotina.

Contudo eu, Aymee, decidi ser corajosa, arriscar-me, experimentar o desconhecido. E foi assim que encontrei o prazer, o amor e a felicidade. Entre o desejo e a crueldade.

Fim.

Afrodite Dolce Submissa

GLOSSÁRIO BDSM

Abrasão ou Escarificação: é estimulação da superfície da pele por materiais abrasivos, como: couro cru, lixa fina, escovas com cerdas metálicas ou não, etc. com a intenção de provocar sensações intensas no(a) masoquista(a).Pode ou não deixar marcas temporárias.

Acomoclitic: Aquele que tem uma preferência para os sem pêlos genitais. Também usado no mundo dos naturalistas Smoothie – Smoothy

Adestrar (Adestramento): Impor regras e normas de comportamento, bem como padronizar algumas respostas para determinadas ordens ou estímulos.

Agulhas: são utilizadas em jogos e cenas, tem forte efeito psicológico, superior ao da dor. Não é recomendada para praticantes ativos com pouca experiência.

Algemas: sendo de metal ou de couro, ou com clips servem para prender e soltar facilmente o submisso

Alpha slave/sub: Eles têm autoridade e técnica a última palavra sobre os outros na casa da sub/slave’s e caso dom nao estiver presente no recinto. Em “Gorean vida” são chamados primeira garota.

Analingus: é o termo “científico” para o sexo oral-anal, ou popularmente Beijo Negro.

Anal Training (Treinamento Anal): Toda e qualquer atividade que vise à preparação do ânus para o “Anal Play”. Podem durar dias ou semanas, como um exercício de dilatação do ânus, preparando-o para ser usado, o que demora pelo menos duas semanas.

Arnica: substância utilizada para aliviar a dor e as marcas resultantes de torturas.

Asfixia ou asfixiofilia: é a prática onde é reduzida intencionalmente a emissão de oxigênio para o cérebro durante uma estimulação sexual com o intuito de aumentar o prazer do orgasmo.

Autoflagelo: Prática que consiste em impor e efetuar torturas em si próprio. Na Dominação Virtual acaba sendo amplamente utilizado o autoflagelo sob ordens expressas do Dono à distância.

Avaliação: É usual a escrava passar por uma avaliação visual e táctil de seu corpo, seja para sua aprovação inicial como escrava, seja para revisão prévia a cada sessão.

Bastinado: é o ato de bater nas solas dos pés.

Baunilha: é o termo usado para indicar o sexo convencional. Pessoas que não estão envolvidas em BDSM. Vanilla (do Inglês) “Baunilha”.

BBW: são as iniciais de “Big Beautiful Woman”, ou seja, mulheres gordas e bonitas ou atraentes. Essas mulheres estão se tornando cada vez mais “objeto” de desejo de milhares de homens ao redor do mundo. Os admiradores de mulheres com esse tipo físico se chamam Fat Admirer ou simplesmente “FA”.

BDSM: é a sigla para a expressão Bondage, Disciplina, Sadismo e Masoquismo um grupo de padrões de comportamento sexual humano. A sigla descreve os maiores subgrupos: Bondage e Disciplina (BD); Dominação e Submissão (DS); Sadismo e Masoquismo/ou Sadomasoquismo (SM)

Biting: O Dom morde em várias partes do corpo.

Blindfold: Utilizado para bloquear o sentido da visão e aumentar a vulnerabilidade da sub.

Bukkake: (Japonês) Receber uma chuva de esperma. Pode ser de um ou vários homens.

Body Art: corpo nu, exceto por adornos como piercings, tattoos, tinta.

Bondage: é um fetiche e consiste em amarrar e imobilizar seu parceiro ou pessoa envolvida,usando cordas,adesivos ou algemas.

Bottom: (inglês) o mesmo que Passivo.

Branding: é feita normalmente com ferros aquecidos ao rubro, para produzir escarificação, marcanda como propriedade a escrava.

Breast Bondage: é o ato de amarrar os seios femininos com corda, cadarço, bandagens, etc. Como parte de um jogo erótico BDSM. Pode incluir “nipple bondage”, onde se amarram os mamilos dos seios.

Calabouço (Dungeon): Aposento projetado e especificamente decorado e equipado para sessões BDSM. Também conhecido como masmorra.

Cane: é uma vara de bambu ou rattan, usada para spanking.

Cena: é uma atividade/jogo específico dentro de uma sessão ou relacionamento. Uma cena de spanking, uma cena de chuvas, de sexo, de disciplinamento, etc.

Chibata: é uma peça composta de um cabo e uma haste semi-flexível, normalmente utilizada para montaria. Consegue-se bastante precisão no spanking.

Chicote: é composto de um cabo, uma única longa tira de couro, podendo ter na ponta um pedaço triangular de couro. É o instrumento usado pelos domadores de feras nos circos.

Chuva Dourada (Piss-Urofilia): é a excitação no ato de urinar ou receber o jato urinário, em alguns casos beber a urina(Urofagia). A urina pode ser depositada no ânus ou vagina.

Chuva Prateada: Jogos e fantasias envolvendo suor, saliva, gozo e(ou) esperma.

Clamp: são usados para prender em mamilos, lábios vaginais, escroto, etc.

Cock and Ball Torture (tortura do pênis e dos testículos): é uma atividade sexual BDSM sadomasoquista envolvendo os genitais masculinas.Mantém a ereção.

Cock Ring: (inglês) Anel em metal, couro ou borracha utilizado na base do pênis para prolongar a ereção.

Coleira: é um símbolo de entrega usada por um(a) submisso(a). Uma coleira é posta ou dada em um relacionamento como um profundo símbolo de entrega.

Coleira Virtual: é uma representação no nick de uma escrava da coleira que ela usa, podendo ser real ou puramente virtual. Para representar geralmente envolve o uso de chaves ( { e } ) para denotar a coleira e um ( _ ) para a guia da coleira. Ex. {selynah}_SirLG.

Contrato: é um acordo escrito e formal entre as partes (dom e sub),definindo direitos e obrigações de cada um.

Crossdressing: é o ato de se vestir um homem de mulher ou mulher de homem.

Crush (esmagar): Geralmente usado no trampling,é o ato de pisar na genitália.

Cruz de Santo André: é uma cruz em forma de X, com argolas em todas as extremidades. Utilizada dentro do BDSM para imobilizar o escravo(a).

Cumming em Command (Psycholagny): orgasmos induzido por estímulo mental ou acionado por palavras ditas pelo Dom ao sub.

Cunnilingus: Lamber ou chupar o clítoris, vulva e lábios.

Cunt tortura: Intensa estimulação ou dor ao genitais femininos.

Disciplina: é o uso de regras e punições para controlar o comportamento.

Doação: é o ato de emprestar, leiloar ou ate vender escravos. Não pode definir nem impor a entrega permanente da escrava, que é algo pessoal e subjetivo, esta se restringe à apenas uma cena ou sessão com o novo Dono.

Dogplay: Práticas e cenas que consistem em transformar a escrava em cadela.

Dominação Psicológica: Prática que consiste em jogos de humilhação e subjugo verbal e psicológico, muitas vezes mediante disciplinamento rígido.

Dominador (fem. Domme) em BDSM: é uma pessoa que tem o papel dominante pela duração de uma cena ou é o o parceiro dominante dentro de um relação de troca de poder.

Dominatrix: Normalmente uma profissional que exige encargos para o seu serviço.

Dorei: é o nome dado á mulher submetida ao Shibari.

Dresscode: (Vestido Código) Onde a roupa identifica a (tribo), e/ou a preferência por certo tipo de parafilia.

D/s: Dominação e submissão.

Edge Play: Algo que está à beira de um limite.

Eletroestimulação: se difere de Eletrochoque por não ter a aplicação de choques elétricos de alta voltagem, e sim de pequenas voltagens controladas através de aparelhos próprios para estimulação involuntária de nervos e músculos do corpo, gerando reações diversas, não havendo a presença de amperagem pelo risco de vida.Requer diversos cuidados com a forma, local de aplicação e estado de saúde da escrava.Não é aconselhável a pessoas sem formação eletrotécnica.

Empréstimo: é a prática que consiste no empréstimo da escrava a outro Dominador, com ou sem a presença do Dono ou reciprocidade.

Enema ou clister ou ainda chuca: é a introdução de água ou qualquer outro líquido no intestino através do anus, por higiene ou ainda por estímulo sexual.

Escárnio: Cena BDSM que consiste em escrever nomes injuriosos, humilhantes e agressivos no corpo da escrava,com uso de tinta,geralmente antes de sua exposição ou empréstimo.

Escravo (slave): refere-se a uma pessoa que cedeu sua propriedade pessoal e suas liberdades e tornou-se propriedade de seu Dono ou Mestre.

Espéculo Vaginal/Anal: Instrumento médico usado para se examinar a vagina, dilatando-a mecanicamente. Usado em práticas de exposição e jogos médicos.

Estrangulamento (Agonofilia): Prática que consiste em fantasiar o estrangulamento, visando “hipoxifilia”.

Estupro Concedido: é uma teatralização onde o intuito está em dar prazer, fingindo uma prática que é contra lei, podendo usar de força e humilhação para o ato.

Etiqueta: regras principais, são que tocar em qualquer um sem permissão, ou qualquer forma de abuso são completamente proibidos.

Exame Íntimo: pode ser uma parte de uma cena de brincadeira médica onde o dominante inflinge um ou mais procedimentos que lembram exames médicos humilhantes ou embaraçosos no submisso.

Exibicionismo: é uma forma de excitação erótica, a mesma é proveniente da exposição dos órgãos genitais.

Face sittng: (face sessão) Prática mais ligada à dominação feminina, que consiste em sentar-se sobre o rosto da escrava, para seu próprio estimulo ou para provocar falta de ar na sub.

Fang Chung Chu: (Artes da Câmara Interior) é o coletivo para as práticas sexuais chinesas taoistas, praticadas para se conseguir a unidade com o Tao ou a imortalidade. São relatados casos de estados alterados de consciência ao se fazer uso desta prática. A muito grosso modo é o equivalente chinês ao Kama Sutra Indiano. Algumas práticas BDSM utilizam-se da técnica do Fang Chung Chu.

Fetiche: é o desvio do interesse sexual para algumas partes do corpo do parceiro, para alguma função fisiológica ou para peças de vestuário, adorno etc.

FGC: (do inglês) Female Gay Couple: (Casal de duas Lésbicas) (l), também se usa GFC / Gay Female Couple.

Figging: é uma prática sexual que envolve a inserção (parcial) de um “dedo” de gengibre no anus ou na vagina, provocando uma sensação de “fogo” dito de prazer indescritível. Ela é praticada por adeptos de sexo SM. Não é aconselhável à iniciantes, pois não se deve introduzir totalmente o gengibre,podendo levar á emergência hospitalar. Também usam bala Halls.

Finger fucking: repetida inserção e retirada do (s) dedo (s) na vagina ou reto.

Fist Fucking: (inglês) Fist, punho + Fucking (meter, na gíria) . Consiste na introdução da mão (punho) na vagina ou ânus. Também conhecido como Fisting.

Felação ou frotteurismo: é a excitação sexual resultante da fricção dos órgãos genitais no corpo de uma pessoa completamente vestida (popularmente conhecido como encoxar), no meio de outras pessoas, como nos trens, ônibus e elevadores.

Flog: é um tipo de chicote com varias tiras de couro. Se as tiras forem trançadas, leva o nome de rabo de gato.

Foley: cateter-Um cateter com um balão que pode ser inflado com água estéril para manter no ânus ou vagina.

Gag, Ball Gag: são Instrumentos que são inseridos na boca para evitar que um submisso (a) possa falar. Pode ter a forma de bola, freio; podem ser rígidas ou moles.

Gatilhos Emocionais: Associações de palavras, gestos, ações, comportamentos ou situações que provocam e desencadeiam reações emocionais. Um bom dominador(a) deve possuir tato para perceber quais são os gatilhos que desencadeiam reações positivas e negativas em seus submissos(as). E deve ter responsabilidade para usá-los ou evitá-los também.

Golden Enemas/Douches: Usando urina no lugar de água para enema ou douche.

Gor: é a Contra-Terra, é um mundo alternativo as “Crônicas de Gor” de John Norman, uma séria de 26 novelas já publicadas que combinam filosofia reacionária, ficção científica leve, e erotica BDSM. Seguidores na vida real ou on-line da filosofia e estilo de vida descritos nos livros são chamados de Goreans.

Guia: é uma tira de corrente ou outro material destinado a prender na argola da coleira de sessão para com ela o Dom puxar e guiar a escrava.

Hojojutsu: é um sistema japonês de bondage de cordas especialmente concebido para restringir os movimentos de prisioneiros.

Hard-Dom: designado ao dominador que não tem piedade, tem mão pesada e gosta de cenas consideradas exageradas.Não significando que este Dom não respeite o SSC.

Honra: virtuoso sentimento de fama que leva a glória do DOM e a merecida consideração pública dentro da família BDSM pela dignidade e honestidade de seus atos e palavras.

Hood: (inglês) capuz, fetiche por capuzes, normalmente em latex ou couro.

Humilhação: é o ato de provocar a dor moral. Redução deliberada do ego para propósitos eróticos, variando de embaraço moderado a degradação.

Infantilismo: O sub é tratado como uma criança. Comumente usa uma fralda, sucks numa garrafa ou mama feeds.

Insertable: Tudo o que você pode inserir em um orifício. Mais comum: butt plug e legumes.

Interrogatório: Oral questionamento ao sub pelo Dom que normalmente vem como em toda a tortura ou cross exame.

Kajira: (Gorean) o mesmo que slavegirl.

Kinbaku: é a palavra japonesa para “bondage” ou ainda Kinbaku-bi que significa “o bondage bonito”. Kinbaku (ou Sokubaku) é um estilo japonês de amarração sexual ou BDSM que envolve desde técnicas simples até as mais complicadas de nós, geralmente com várias peças de cordas (em geral de 6mm ou 8mm) e que podem ser de materiais diferentes,sendo a utilizada tradicional corda japonesa a de cânhamo.

Látex: Utilizado em diversos produtos de borracha sintética. Algumas roupas e brinquedos são feitos de látex.Algumas pessoas sentem atração por látex.

Leilões: Normalmente é a venda de uma cena / tipo de jogo ou sub / slave para o maior lance (geralmente durante um determinado período de tempo).

Life stylers: Aqueles que vivem e estão ativamente envolvidos em S/m ou D/s, numa base diária, incluindo TPE/EPE/TPT relacionamentos.

Limites: As fronteiras das atividades no BDSM acordadas e conversadas entre dominador e submissa, definindo o que e até onde uma prática ou uma cena ou um relacionamento podem ir. Limites devem ser obrigatoriamente respeitados. O limite se aplica às regras, cenas, práticas, níveis de dominação e submissão, duração das cenas, etc.

Little Death: também foi chamado Orgasmic Síncope, uma súbita e temporária perda de consciência durante o orgasmo.

Looners: adeptos de fetiche por balões (Inglês: Balloon fetish) é um fetiche sexual onde o portador é fascinado e se excita ao ver e tocar balões de latex (bexigas, bolas de festa).

LTR: (do Inglês) “Long Term Relationship”, relação estável entre duas pessoas.

Masoquismo: é a pessoa que busca prazer ao sentir dor ou imaginar que a sente.

Ménage à trois: é de origem francesa que significa “casal a três” e é para designar os relacionamentos sexuais entre três pessoas. Threesome (Inglês) Ter sexo a 3.

Menophilist: Aquele que é suscitado por mulheres menstruadas.

Mentor: é um amigo e instrutor, tanto para a parte técnica como para a parte conceitual do BDSM.

Mestre: é o termo utilizado para identificar aqueles que controlam e/ou humilham o parceiro (numa ação consentida). [Master-Proprietário-Dominador-Dom-(fem) Domme]

Mumificação: é a prática de se imobilizar o submisso(a),enrolando-o com ataduras, plástico, filme de PVC transparente (Magipack), impossibilitando qualquer movimento.

Não Consensual: Contra a vontade, sem permissão. Não admitito no BDSM.

Negociação 1: é muito importante para todos os envolvidos numa cena ou sessão, onde combinam códigos (safeword), regras, limites e atividades a serem praticadas.

Negociação 2: Se diz quando Dominador e submissa estão em vias de fechar um acordo oral ou escrito, real ou virtual de troca de poder.

Orgulho: opção da submissa em se entregar como escrava,com sentimento elevado de dignidade pessoal, tendo orgulho de sua posição na socidade BDSM.

Palmatória: é similar á uma raquete de ping-pong de madeira ou borracha, pesada, as vezes furada.

Parafilia (paralelo ao amor): quando há necessidade de se substituir a atitude sexual convencional por qualquer outro tipo de expressão sexual, sendo este substitutivo a preferida ou única maneira da pessoa conseguir excitar-se.

Pearl colar: quando um homem ejacula no pescoço da sub.As gotas parecem com um colar de pérolas.

Play-Party: reuniões sociais onde ocorrem e se desenrolam cenas BDSM.

Playroom: local apropriado onde se realizam cenas ou sessões, provido de aparelhos e instrumentos de BDSM.

Plug: é um objeto em forma de pênis, mas com um estreitamento na base, próprio para ser inserido no ânus.

Podolatria: é um tipo particular de fetiche cujo desejo se concentra nos pés. No Brasil, um fetichista de pés é normalmente reconhecido pela expressão podólatra.

Ponyboy ou Ponygirl: é o submisso treinado para agir como um cavalo.

Pregnofilia: é uma parafilia que consiste em se ter desejo sexual por mulheres grávidas. Também conhecida como maieusofilia.

Privação sensorial: Para bloquear um ou mais sentidos da sub. Blindfold ou seja, gag, auriculares para bloquear ou reduzir audição e por vezes olfativa (odores).

Privação Sexual: é o ato de impedir física ou mentalmente que o(a) submisso(a) tenha prazer.

Proprietário: Um termo utilizado para aqueles que “vivem” como um Dono de sua propriedade (sub).

Relacionamento 24/7: Relacionamento BDSM que dura, 24 horas por dia 7 dias por semana.

Regras: são normas de conduta preliminares e básicas impostas num convívio BDSM.

Rimming sexo oral no ânus. Ato de lamber ou beijar o ânus.

Ritual (Cerimonial): conjunto de formalidades e regras que devem ser observadas em qualquer cena, sessão ou até em cumprimentos e abordagens entre participantes.

Sadismo: envolve atos (reais, não simulados) nos quais o indivíduo deriva excitação sexual do sofrimento psicológico ou físico (incluindo humilhação) do parceiro.

Sadomasoquismo ou SM: é a relações entre tendências diferentes entre pessoas buscando prazer sexual, o termo sadomasoquismo é a relação entre tendências opostas, o sadismo e o masoquismo.

Safer Sex: (inglês) Sexo mais seguro. Como o uso de camisinhas ou luvas p/fisting.

SaferWord: é uma palavra ou série de palavras-códigos que são utilizadas em BDSM com o significado de cessar uma cena ou sessão.

Scat (chuva marrom): são jogos com fezes, onde os participantes se lambusam ou até existe a ingestão de fezes(Coprofagia).Ou ainda só a visão doutro defecar.

Serviçal Pessoal: é a escrava dedicada a tarefas domésticas e pessoais do Dono.

Sessão: pode ser definida como um conjunto de cenas.

Shibari: significa literalmente amarrar ou ligar e é usado no Japão para descrever o uso artístico na amarração de objetos ou pacotes. A palavra Shibari tornou-se comum no ocidente em meados dos anos 90 para denominar a arte de amarração chamada Kinbaku.

Slave: (do inglês) Escravo.

Saliromania: é a prática e/ou prazer associados ao suor.

Spanking: utilizado dentro da comunidade BDSM para o ato de bater, notadamente na região das nádegas.

Spread Bar: são barras longas, usualmente de metal madeira com argolas e/ou furos em cada ponta, usadas em situações de imobilização para manter os braços ou pernas do submisso(a) afastadas.

SSC: São, Seguro e Consensual. A importante tríade que separa o aceitável e o condenável no BDSM (São: Sadio, higiênico, salutar, justo, íntegro, consciente, sóbrio, maduro; Seguro: Prudente, comedido, cauteloso, responsável e respeitoso; Consensual: Todos os envolvidos concordam com o que está acontecendo).

Subspace: é um estado físico e mental ocasionado pela liberação de endorfinas. As endorfinas podem ser liberadas devido ao “stress” ou á uma prática intensa em uma sessão BDSM. Não é um acontecimento comum.

Sucção: feita na pele ou órgãos genitais, realizado com o auxílio de bomba de vácuo manual ou eletro-mecânica.

Smother: (do inglês) Sufocamento.

Suspensão: Técnica de imobilização onde o peso da escrava é total ou parcialmente suspenso.

Switcher: Pessoa que tem prazer em atuar como dominador(a) e/ou submisso(a).

Restrição: Limitar alguém do movimento ou ação. Ou seja, limitando circulação, fazendo com que o ser subbies olhos para o chão o tempo todo.

Terror play: O Dom usa o terror ou medo para levar ao sub excitação sexual e / ou eles próprios.

Tickling: (do inglês) fetiche por cócegas com uso de penas, plumas ou mãos.

TPE: Troca Total de Poder.

Trampling (atropelar-pisar): é o ato de ser pisado, por pés descalços ou com sapatos. Mais comumente observado no fetiche por pés.

Troca de Poder: é associado a um submisso trocando sua autoridade para tomar decisões (seja apenas por uma cena, ou para toda a sua vida), por um acordo com o Dominante para que esse seja responsável por sua felicidade e saúde.

Thilpsosis – O Dom torna-se sexualmente suscitado por beliscar o sub.

Uncut: (Inglês) não circuncidado. O contrário de “Cut”.

Vergar: é o ato e subjugar e dominar a escrava e assim conseguir sua entrega e/ou obediência.

Vistas Baixas: Usualmente imposta à escrava no BDSM como forma de demonstrar submissão.

Vore: (comumente abreviado para “vor”) deriva do termo “vorarofilia”, criado como referência a um vasto conjunto de fantasias e práticas em torno da devoração, metafórica ou não, de uma criatura viva por outra. Realizado dentro da ética BDSM, naturalmente o vore não admite qualquer prática de canibalismo real.

Voyeurismo: é uma prática que consiste num indivíduo(Voyeur), conseguir obter prazer sexual através da observação de outras pessoas, em atos sexuais, nuas, ou em roupa íntima.

Voz formação: Escravo é ensinado a falar com um padrão e inflexão de voz pelo Dom.

Wax play: Prática dentro do BDSM onde a parafina (cera) de uma vela é gotejada no corpo do masoquista.

Zelofilia: Prazer derivado do ciúme. Jogos e cenas que envolvam ou provoquem ciúme.

Fonte: https://ghostwish.wordpress.com/glossario-bdsm/

 

Squirting

A ejaculação feminina (vulgar: squirting,1 do ingl. to squirt “esguichar”; japonês: shiofuki) é caracterizada pela excreção de líquidos pelas glândulas de Skene e expulsão durante o orgasmo.Esse líquido é claro, às vezes viscoso, ralo e geralmente inodoro, varia de 15 a 350 mg. O líquido da ejaculação feminina não deve ser confundido com o líquido da lubrificação que permite uma penetração mais fácil e também não deve ser tratado como se fosse urina, pois sua constituição é diferente desta. Nem todas as mulheres ejaculam e, mesmo as que o fazem, não ejaculam sempre, ela ocorre com maior facilidade pela estimulação do ponto G. Considerando o ponto G um homólogo da próstata masculina, podemos entender por que o líquido que algumas mulheres expelem é similar ao do homem, sem conter espermatozóides.

Fonte Wikipédia

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